Parte 23

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Pran e Pa passaram boa parte da tarde cortando e colando papéis para o trabalho dela. Pat quis ajudar, mas foi impedido pela irmã, pois a sua falta de habilidade manual já era conhecida e ela não podia arriscar perder tudo o que já tinha feito.

Inconformado de ter sido deixado de lado, Pat foi para onde sua mãe estava e reclamou de Pa, que o ouviu.

"Mãe!" ela gritou "Eu quero trocar de irmão! Deixa ele na porta da casa de alguém com um bilhete. Eu arrumo um cesto bem grande!"

"Acho que não vai funcionar, ele já sabe voltar sozinho." Pran deu risada e olhou para cara chateada de Pat.

"Mãe!" ele choramingou, inconformado por Pran não ficar do lado dele.

"Vocês dois parem com isso!"

A tarde continuou assim e Pran foi convidado a ficar para o jantar, porém ele preferiu ir para casa.

À noite, a raiva de Pat já tinha passado e ele queria ver Pran novamente. Ele checou se a janela do outro lado estava aberta, contudo, num momento de lucidez, ele preferiu pegar um livro e correr escada abaixo.

Ele sorriu quando a mãe de Pran abriu a porta e a cumprimentou com um beijo no rosto.

"O que você está fazendo aqui tão tarde? Vocês têm aula amanhã." Ela estranhou a presença dele ali.

"Eu faltei dois dias." Ele mostrou seu livro "Preciso que Pran me ajude com uma lição."

"Fico feliz de ver seu empenho." Ela apertou a bochecha de Pat, que sorriu em retribuição "Pran está no quarto."

Pat subiu as escadas correndo e bateu na porta dele algumas vezes, trocando o peso do corpo de um pé para o outro.

"O que é?" Pran abriu a porta irritado com o barulho contínuo e excessivo.

"Sou eu!"

Pran deu de cara com um sorriso gigante que ia de orelha a orelha e ele pensou que se Pat fosse um cachorro, seria possível ver seu rabo abanando de felicidade.

"O que você está fazendo aqui?" Pran estava feliz e surpreso.

Pat passou por ele, entrou no quarto e fechou a porta. O seu sorriso não tinha diminuído nem um centímetro. Ele segurou o rosto de Pran com as duas mãos, se assegurando de que ele não ia fugir e o beijou, quase amassando sua cara contra a dele.

Pran precisaria se acostumar com isso, porque sempre ficava de olhos abertos e assustado quando ele o tomava dessa forma.

"Ok, mas o que você está fazendo aqui?" Pran sorria constrangido depois de beijá-lo.

"Senti sua falta! E eu vim pela porta!" Ele falou com orgulho de si mesmo.

"Muito bem!" Pran deu risada e deu duas palmadinhas na cabeça de Pat e notou que ele trazia um caderno.

"Eu falei para sua mãe que a gente ia estudar."

Pran revirou os olhos.

"Sério, Pat? Você é péssimo em inventar mentiras! Devia ter dito que a gente ia jogar videogame, faria mais sentido."

"Eu falei que precisava estudar porque faltei." Sua voz soava um pouco magoada.

Pran fez uma nota mental para tentar ser menos ácido em seus comentários com Pat.

"Tinha lista de exercícios, você fez?" Pran tentou amenizar o clima

"Faço amanhã antes da aula." O sorriso voltou ao seu rosto e ele andou em direção a Pran. "Você tem medo de mim?" Pat perguntou mais curioso do que preocupado, de fato. Pran tinha uma postura travada e inibida.

"Não! Claro que não!"

Pran não tinha medo de Pat, só não estava habituado com a presença dele, com seu toque e seus carinhos. O pior de tudo era que ele se sentia fraco toda vez que Pat o olhava daquele jeito, não era fácil explicar.

"Então por que você está fugindo de mim?"

"Eu não estou fugindo." Pran disse colocando as duas mãos sobre o peito de Pat tentando manter uma certa distância dele.

Pat deu um passo para trás e segurou suas mãos e as manteve na sua linha de visão, como se as analisasse.

"O que foi?"

"Eu gosto das suas mãos, seus dedos são bonitos, principalmente quando você toca violão." Pat o soltou e andou em direção a cama e se sentou.

Pran não sabia se deveria se sentar do lado dele, afinal ele estava na sua cama. Ele engoliu seco e quando foi dar o primeiro passo, sua mãe abriu a porta e ele disfarçou indo até ela.

"Você vai dormir aqui, Pat? Quer que eu traga o colchonete?"

"Não! Não, eu vou embora daqui a pouco." ele disse e suas orelhas ficaram vermelhas.

Ela fechou a porta e Pran ficou parado no meio do quarto sem saber para que lado ir, ele se virou para Pat, que fitava os próprios pés.

Pat pensava que tinha sido uma péssima ideia ir até lá, por mais que os dois estivessem acostumados um com o outro, a nova condição deles ainda era estranha. O pior de tudo, era que Pran não parecia à vontade perto dele, talvez o sentimento dele não tivesse a mesma intensidade. Se era novo para Pat, imagina para ele?

"Acho melhor eu ir embora então!" ele deu o melhor sorriso que conseguiu naquele momento.

"Tudo bem." Pran percebia que o sorriso de Pat era para tranquilizá-lo, um sorriso discreto perto da intensidade que ele costumava transmitir.

Pat passou ao lado de Pran, que segurou sua mão com delicadeza. O outro interrompeu sua saída e Pran acariciou seu rosto, trazendo o para perto e deu um beijo rápido, mas não se afastou.

Com as cabeças coladas, Pat tocou a ponta do seu nariz no nariz dele, mantendo os olhos fechados e absorvendo todas sensações daquele momento e dessa proximidade. Eles se beijaram mais uma vez e calor de ambos começava a aumentar.

"Eu preciso ir mesmo!" Pat sussurrou e Pran assentiu e se afastou.

Do seu quarto, ele ouviu Pat descer as escadas e falar com sua mãe.

"Já vai, filho? Tão cedo!"

"Eu achei que Pran ia conseguir me ajudar, mas ele sabe menos do que eu!"

Pran não acreditava na ousadia desse bastardo.

"Eu achei estranho você vir pedir ajuda a ele, geralmente suas notas são tão boas, mesmo sua mãe dizendo que você nunca se senta para estudar."

que eu sou muito inteligente, tia!"

Pran ouviu sua mãe rir, provavelmente ela estava apertando as bochechas dele nesse momento.

"As notas de Pran estão boas em matemática, mas as suas são bem melhores, você poderia ajudá-lo."

"Claro! É só me dizer o dia, tia! Quando senhora mandar, eu venho!"

Pran fechou a porta com raiva e rindo; Pat era insuportável, mas fazia seu coração bater mais rápido.

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