No dia seguinte, Pat era o retrato da felicidade e alegria. Seus pais até ficaram irritados com tanta energia que o filho emanava. Apesar disso, durante a semana, sua animação foi diminuindo à medida que percebia o jeito de Pran. Ele agia no automático para algumas coisas na escola, nos ensaios e nos treinos, tudo era feito mecanicamente. Quando os dois estavam juntos sozinhos, geralmente ele era o Pran de sempre, a não ser quando brigava com os pais. E isso vinha acontecendo com mais frequência.
Pat tinha pensado várias vezes em contar que os dois namoravam, mas tinha receio dos tios acharem que ele era uma má influência para seu filho, afinal, Pran sempre foi bonzinho e obediente e seu comportamento mudou após os dois começarem a namorar.
Os dois sabiam que, na verdade, seu comportamento era reflexo dos constantes conflitos que aconteceram por causa da história com Pa e da paranóia do pai. Infelizmente, isso o afetou e mudou preocupantemente seu jeito de agir e não seria difícil que os pais associassem isso ao fato dos dois estarem juntos.
Pat sabia que sempre foi visto como encrenqueiro e não queria ser responsabilizado pela mudança no comportamento do namorado.
Os dias passavam e Pran discutia com os pais cada vez mais, até mesmo por pequenas coisas que nunca o incomodaram antes, como levar o lixo para fora, ajudar com a louça ou arrumar a cama. Isso era que mais preocupava Pat, porque desde criança seu namorado sempre foi organizado e sua mãe nunca precisou pedir que ele fizesse nada. No entanto, agora, cada vez que ela perguntava se ele tinha feito alguma dessas tarefas, ele explodia. Os dois quase não se viam porque ele estava sempre de castigo.
Algumas noites ele pediu para que Pat fosse até seu quarto, mas ele negou. Seus pais estariam atentos a qualquer barulho suspeito e Pat não queria colocá-lo em risco.
Pran dizia que seus pais o olhavam estranho e Pat tentava argumentar que, no começo até poderia ser pela conversa que tiveram, mas agora todos estavam estranhando a sua forma de agir, já que ele estava irritado e revoltado o tempo todo.
Era frustrante não poder ajudar e era ainda pior ver a expressão de desagrado do namorado.
O ensaio daquela tarde tinha sido horrível, Pran estava disperso e respondia com rispidez para todos; parecia que sua revolta estava se expandindo além do núcleo familiar.
Na volta, ele mal olhou para Pat, que se sentia perdido e sem saber o que fazer. Quando chegaram no portão, Pran disse que sua cabeça doía e entrou sem se despedir.
À noite, Pat dormia abraçado a Nong Nao, quando sentiu uma brisa entrar e depois o lençol que o cobria ser levantado e o corpo de Pran encostar no dele.
“Você está gelado!” Pat o envolveu com os braços e pernas, tentando esquentá-lo.
“Eu fiquei um tempo sentado na janela e estava ventando um pouco.”
“Eu esquento você!” Pat se aconchegou no corpo dele e quis voltar a dormir.
“Pat!” Pran o chamou, enquanto alisava o braço que estava sobre seu peito “Desculpa!”
“Não tem nada para pedir desculpa!” Pat queria evitar qualquer conversa sobre o que vinha acontecendo porque não sabia como lidar com isso.
“O ensaio foi horrível e foi por minha culpa.”
“Pran, está tudo bem. Você não tem que fazer tudo certo sempre!”
“O Safe também não me ajudava. Toda hora falando dos meus erros!.”
“Amanhã você conversa com ele! Ou hoje. Que horas são?”
“Já passou da meia noite!”
“É melhor a gente dormir” Pat beijou a testa de Pran e acomodou sua cabeça no peito dele novamente.
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Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso
FanfictionE se Pat e Pran fossem criados juntos? E se não houvesse brigas entre as famílias? Essa história começou com um pensamento aleatório e foi tomando forma e crescendo dia a dia e eu não consegui ignorar. Tic Tac Toe, ou Jogo da Velha, é uma brincadei...
