"Nós vamos visitar as lojas na cidade, troquem de roupa." Uma das mães disse e Pat saiu da piscina.
Enquanto ele tomava banho (com o seu sabonete dessa vez), Pran entrou no quarto para se arrumar e Pat saiu, vestindo somente uma bermuda, com os cabelos molhados.
Era difícil para Pran não admirá-lo e, ao menos, tentava disfarçar. Pat parou na frente do espelho e flexionou seus músculos e ficou se avaliando por um tempo. Pran sentou na cama e abraçou os joelhos, sempre que Pat se sentia inseguro ele fazia isso, como se seu corpo fosse seu único atrativo. Pran já tinha visto essa cena se repetir várias vezes, eram sempre os mesmos movimentos ao se comparar com alguém. Provavelmente ele estava com ciúme de Luke, pois a garota foi atrás dele assim que o viu e isso deve ter magoado a sua auto estima frágil. Pran queria dizer que ele era incrível e não deveria ficar chateado por isso. Ao mesmo tempo, Pran pensava se um dia alguém gostaria dele e teria ciúme dessa forma.
Por sua vez, quando Pat saiu do banheiro e deu de cara com Pran, ele tentou parecer indiferente. Pran dizia que podia ser amigo de homens e não necessariamente iria querer algo com cada cara que conversasse com ele. O problema era que Luke era lindo e ele odiava admitir isso. Luke era alto e forte, Pat flexionou seus músculos e viu, de soslaio, que Pran o sondava abraçado aos joelhos. Ele nunca seria forte igual a Luke, além de tudo, o cara era mais velho e mais experiente. O coração de Pat disparou ao pensar que Pran poderia transar com ele. Se transar com uma garota, o que em teoria Pat deveria saber como fazer, já foi vergonhoso, como ele poderia competir com esse cara? Ele saberia satisfazer Pran? E por que ele estava pensando nisso agora? Sexy do jeito que Luke era, já deveria ter transado com muitas pessoas e Pran iria ser apaixonar com certeza.
"Como você machucou sua mão?"
A pergunta de Pran tirou Pat dos seus pensamentos obsessivos.
"Eu caí."
Pat era um péssimo mentiroso.
"Onde?"
"Não te interessa! Você já se arrumou?"
Pat vestiu a camiseta e seguiu em direção a porta e Pran, exasperado, andou atrás dele.
O passeio foi uma tortura, os pais andavam em um grupo fechado, como se fossem adolescentes, Pa e Ink não se desgrudavam e Pat se arrastava ao lado de Pran, que também não estava feliz.
O calor estava insuportável e os demais do grupo não davam sinais de querer parar e almoçar.
"Quer sorvete?" Pat apontou para uma barraca ao lado.
"Sim!" Pran amava sorvete e seria a primeira coisa boa do seu dia.
Eles se sentaram em um banco, debaixo de uma árvore, enquanto suas famílias passavam por todas as barracas da feira de artesanato local.
"Pa e Ink são muito amigas, né?" Pat comentou em voz alta.
"Sim, Ink é muito legal, mas você já sabe disso." Pran tinha certeza de que Pat tentaria uma nova investida em Ink, agora que a garota da piscina o tinha rejeitado.
"Ela é." Pat respondeu sem pensar.
O semblante de Pat era vazio e seu sorvete derretia enquanto ele parecia estar perdido em seus pensamentos. Pran pegou um guardanapo para entregar ao vizinho, mas ao bater de leve no seu cotovelo para chamar sua atenção, Pat se assustou e seu sorvete quase caiu. Pran segurou sua mão na hora e impediu que um acidente maior acontecesse, porém ele ficou lambuzado.
"Olha a sujeira que você fez, Pat?"
Num pulo, Pran se levantou e usou o guardanapo para se limpar. Pat, ainda sentado, tentou lamber o que tinha escorrido pelos seus dedos para evitar que pingasse na sua roupa.
Pran sentiu que o ar tinha escapado dos seus pulmões ao ver a língua de Pat percorrendo cada pedaço da sua própria pele, ele estava concentrado em lamber cada parte dos seus dedos e entre eles também. Pran tinha seus olhos focados em sua língua ágil e isso era um tormento. Infelizmente, o tecido da sua bermuda era muito leve e ele preferiu sentar novamente para tentar se acalmar.
"Segura pra mim?" Pat quase enfiou o sorvete na cara de Pran, que o pegou irritado, enquanto o outro foi buscar uma garrafa d'água e mais guardanapos.
O sorvete dele escorria e Pran, sem outra alternativa, o lambeu.
"O que você está fazendo?" Pat voltou e seu rosto estava vermelho.
"Estava derretendo, o que você queria que eu fizesse?" Pran respondeu bravo.
Pat pegou seu sorvete e o olhou por alguns segundos antes de passar a língua em toda sua volta e enfiá-lo de uma vez na boca.
"Você é nojento, Pat!" Pran disse ainda impressionado com a habilidade de Pat, o que só piorava sua excitação.
Ele abriu um sorriso cheio de chocolate e Pran riu e baixou o rosto.
Pat pensava que essa era a única oportunidade de ter a língua de Pran perto da dele e ele não resistiu, sua fome de Pran era imensa.
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À tarde, Pa quis fazer um passeio de barco e Pat a acompanhou. Algumas horas depois, quando voltaram, seus rostos transmitiam uma aura de dor e sofrimento. Os lábios de Pat estavam brancos e sua pele esverdeada ainda tinha gotas de suor. Os dois tinham passado mal e a náusea ainda persistia.
Pat mal jantou e voltou para o quarto. Pran o viu levantar duas vezes de madrugada para ir ao banheiro e perguntou e estava tudo bem e ele fez um barulho afirmativo. Ele queria verificar se Pat tinha febre, mas teve receio de tocá-lo. Pat parecia mais agitado do que nunca para dormir e Pran vigiou seu sono.
Pa não tinha passado uma noite melhor, então as famílias optaram por voltar para casa logo pela manhã no domingo. A garota se deitou no colo de Ink, no banco de trás do carro dos pais, Pat foi para o outro carro e se sentou, encostando a cabeça no vidro.
Pran o checava de tempos em tempos e Pat parecia cada vez pior.
"Você quer deitar?" Pran colocou uma blusa dobrada sobre o colo e Pat olhou e negou.
Passado alguns minutos, Pat o olhava de canto e quando percebia que Pran tinha visto, desviava o olhar. Ele fez isso algumas vezes até que Pran se irritou.
"Deita logo!"
Pat não queria deitar, mas precisava, pois sua cabeça rodava. Todo torto e encolhido, ele apoiou a cabeça no colo de Pran.
"Se você babar ou vomitar em mim, eu te mato!"
A voz de Pran soava brava, porém era possível sentir um pouco da sua preocupação. Pat o ignorou e dormiu tão instantaneamente que nem teve tempo de se sentir desconfortável pela proximidade dos dois.
Pran não tinha muitas opções de onde colocar suas mãos, então tocou de leve o cabelo de Pat. O sono dele era tão profundo que Pran não se intimidou em aumentar seu carinho. Era bom fazer cafuné nele e Pran sonhava em um dia poder fazer isso com ele acordado, e quando ele se cansasse e tentasse parar, Pat levantaria o rosto com aquela carinha de contrariado e diria para ele continuar. Na sua história, era impossível dizer não para ele e Pran tentaria parecer entediado, ele cederia tão facilmente assim e ainda puxaria de leve os cabelos de Pat, somente para pertubá-lo, e ficaria por horas e horas com ele no seu colo.
Pran pedia para que houvesse trânsito na volta, ele não queria que esse contato se acabasse.
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Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso
FanfictionE se Pat e Pran fossem criados juntos? E se não houvesse brigas entre as famílias? Essa história começou com um pensamento aleatório e foi tomando forma e crescendo dia a dia e eu não consegui ignorar. Tic Tac Toe, ou Jogo da Velha, é uma brincadei...
