Parte 59

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“Talvez eu seja muito bonzinho mesmo.” Pat falou sozinho.

Pat pensava que na realidade não tinha feito nada de errado, Pran estava agindo feito um rebelde e brigou sem motivo algum, além disso queria forçá-lo a conversar com os pais e ainda quis transar para aliviar a raiva que sentia de todas as situações que tinham acontecido. Não, ele não ia correr atrás do namorado dessa vez.

Pran andou ainda mais devagar quando percebeu que Pat não o alcançava, mas não olhou para trás. Ao ouvir os passos apressados vindo em sua direção e seu coração pareceu bater do jeito certo pela primeira vez em muitos dias. No entanto, Pat passou por ele correndo, sem olhar para o lado, e por mais que Pran se esforçasse, o namorado mantinha uma grande vantagem sobre ele.

Ele viu o portão da casa de Pat ser aberto e fechado, sem que seu namorado olhasse para trás e Pran estacou no meio do caminho, chocado com o que tinha presenciado. Será que ele tinha exagerado na brincadeira com o garoto? A interação entre eles não teve nada de mais, foram conversas, fotos e, bom, o garoto o abraçou. Isso não significa nada, Pat deveria saber disso!

“Do mesmo jeito que você deveria saber que aquele idiota é ciumento pra caralho!” Pran falou antes de voltar a andar, pisando duro até em casa.

Ao passar pela porta, sua mãe perguntou como foi a apresentação e o filho respondeu animado sobre a antecipação do jogo, a aparição do Prefeito (seu pai bufou, porque achava a administração dele terrível e estava sempre rodeado de puxa-sacos; Pran sorriu, concordando com o pai) e contou que o show tinha sido ótimo.

Pran tinha decidido que ninguém precisaria saber o quanto o afastamento de Pat o machucava. Ele seria o Pran bonzinho e Pat ficaria sabendo que seu comportamento não o tinha afetado em nada e que ele podia muito bem viver sua vida sem o namorado.

Sua decisão era precipitada e sem lógica e os únicos que ficaram sinceramente felizes foram seus pais por ver a animação do filho e a forma como ele os tratou.

O banho de Pran foi demorado, ele esfregava o pescoço repetidas vezes, como se tentasse limpar uma marca inexistente onde o garoto havia tocado. Por que Pat tinha que ser tão cabeça dura? Se ele estivesse ao seu lado e o apoiasse nada disso teria acontecido.

Ao sair do banheiro, Pran passou perto da janela, secando o cabelo, e por instinto procurou o quarto do namorado e Pat estava lá, parecendo bravo e magoado. Quando seus olhos se encontraram, Pran levantou a sobrancelha como se o perguntasse o que o outro queria. Pat, com o rosto sombrio, fechou a sua cortina, apagou a luz e Pran se sentiu um idiota.

“Ele ficou conversando com a View e todas aquelas garotas e eu não fiz metade dessa cena que ele está fazendo!” Pran disse ao fechar sua cortina com um movimento brusco.
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A casa estava agitada naquela noite, os adultos conversavam alto e riam, lembrando de histórias do passado. Dissaya terminava de arrumar a mesa do jantar, quando seu marido a chamou, parecendo empolgado.

“Eu estava olhando as redes sociais do Pran…” ele disse ao se afastarem dos vizinhos.

“Você está sondando nosso filho?” Ela sussurrou, alarmada.

“Não! Eu estou cuidando dele. É diferente!” Ele soou magoado e Dissaya revirou os olhos e bufou “Olha aqui antes de ficar brava!”

Ele mostrou algumas fotos do show do filho e abriu a parte dos comentários.

“Você está vendo esse menino?” Ele sorria ao falar “Ele comentou em todas as fotos do nosso filho.”

“E?” Dissaya tinha receio do que se passava na cabeça do marido.

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