O sol queimava os olhos de Pran, que estava ao lado da trave dando orientações para a barreira antes da cobrança da falta. Era ruim estar deste lado do campo, porque o brilho do sol, que baixava no horizonte, o cegava. Pelo menos o jogo ainda estava no primeiro tempo e quando houvesse troca de campo no intervalo, o outro goleiro seria ainda mais prejudicado.
Mesmo com este problema, Pran espalmou a bola e evitou que o outro time marcasse. Ele comemorou e olhou para o banco, em seguida para arquibancada e ficou triste porque Pat não estava lá. Ele sabia que ele não estaria, porém ainda tinha um pouco de esperança dele aparecer.
Pat tinha uma consulta marcada com o ortopedista e, dependendo da sua recuperação, talvez fosse retirada a bota ortopédica. Pran riu ao pensar no grande chorão que seu namorado era. Ele bateu palmas para animar os jogadores do seu time e tentar manter o foco no jogo, ficando atento ao ataque adversário.
No segundo tempo, Korn comentou sobre o goleiro adversário estar de frente para o sol e eles comemoraram a sorte que tinham.
O problema é que o sol também prejudicava os atacantes do seu time. As finalizações eram horrorosas e Pran pensou novamente em Pat, ele nunca erraria esses chutes. Ele fazia muita falta.
No final do jogo, um brilho vindo da arquibancada começou a atingir o rosto de Pran. Não dava para saber se era de algum relógio, a tela de celular ou se era alguém com um espelho refletindo a luz do sol de propósito em direção ao gol.
Pran correu para pegar a bola antes que o atacante fizesse o passe, mas o reflexo da luz no vidro o atingiu e seus olhos arderam. Quando ele recuperou sua visão, o jogador tinha driblado e feito o gol.
O juiz apitou o final do jogo e seu time saiu cabisbaixo em direção ao vestiário. Ele foi um dos primeiros a entrar e foi direto para um dos sanitários. Lá dentro, com a porta fechada, ele ouviu alguns colegas comentarem que Pran nunca tinha falhado de maneira tão absurda.
“Agora que está no teatro, ele deve ter perdido para não precisar mais jogar.” Um dos garotos falou.
“Ele nem estava prestando atenção no jogo, só olhava para a arquibancada.” Outra voz soou mais forte, seguida por um som de metal sendo chutado.
Ele esperou as vozes se afastarem, saiu do banheiro, pegou suas coisas e correu para casa. Pat o esperava no portão, ainda usando as muletas, mas sem a bota e sorriu ao vê-lo.
O sorriso de Pat iluminava o fim de tarde e fazia todas as outras coisas parecerem insignificantes.
“O médico me liberou da bota, mas eu vou ter que fazer fisioterapia por…” Pat começou a falar enquanto Pran ainda se aproximava e foi interrompido por um abraço que quase derrubou os dois.
Pran envolveu o pescoço de Pat com os dois braços e grudou seu corpo no dele. Apesar de surpreso com a demonstração pública de afeto, Pat o abraçou pela cintura.
“Isso não é só saudade, né?” Pat tentou brincar, mas seu coração tinha disparado com receio de que algo pudesse ter acontecido. Ele conhecia Pran e ele não agiria assim se estivesse tudo bem.
“Não! Quer dizer, também é saudade! Eu senti sua falta em campo. A gente perdeu. Não foi culpa minha!” A voz de Pran era só um sussurro triste que soprava em seu pescoço.
Pat o apertou nos braços por um longo tempo. Sua perna doía por estar há tanto tempo em pé, mas ele não se moveria até ter certeza de que seu namorado estava bem.
“Conta o que aconteceu.” Ele falou inspirando o cheiro de Pran mesclado com o suor do jogo e continuava perfeito para seu olfato.
Pran se afastou somente o suficiente para descer as mãos pelo peito do namorado e o segurar pela cintura. Pat mal se moveu e ainda manteve Pran protegido entre seus braços.
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Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso
FanfictionE se Pat e Pran fossem criados juntos? E se não houvesse brigas entre as famílias? Essa história começou com um pensamento aleatório e foi tomando forma e crescendo dia a dia e eu não consegui ignorar. Tic Tac Toe, ou Jogo da Velha, é uma brincadei...
