Parte 48

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As famílias tinham se entendido e a semana seguinte foi bem mais tranquila. Quando a encomenda de Pa chegou, ela chorou de emoção porque não imaginava que o irmão seria capaz de fazer isso.

Do outro lado do muro, Pran estava agoniado porque o aniversário de Pat estava cada dia mais próximo e ele ainda não sabia o que comprar de presente. Sua impressão era de que conhecia Pat tão bem em alguns aspectos, mas nesse nada lhe ocorria.

No intervalo entre as aulas, Wai percebeu que seu amigo estava inquieto e perguntou o que tinha acontecido. A vontade de Pran era contar sobre seu relacionamento, seus medos e inseguranças, mas, como Pat havia dito, essa não era uma decisão só dele. Pran desconversou e disse que estava tudo bem.

“E como você e Korn estão?”

Wai ficou muito vermelho e confessou que não estava acostumado a ter alguém tão apaixonado do lado.

“Eu sei que Korn parece... bem… é… ele é um pouco bobo na maior parte do tempo” Wai tinha um sorriso tímido ao falar isso “mas ele é assustadoramente carinhoso, cuidadoso e preocupado comigo. Eu estou acostumado a resolver minhas coisas sozinho e de repente ele está do meu lado, me ajudando e querendo fazer as coisas por mim. Eu nem sei como lidar com isso. Às vezes, me cansa, mas em geral eu gosto.”

Pran riu do desabafo do amigo, porque, quando Wai se sentia envergonhado, seu rosto, suas orelhas, seu pescoço e até seu peito ficavam vermelhos. Era impossível não se sentir feliz pela alegria dele.

“O que vocês estão conversando aí?” Pat chegou falando bravo “Seu namorado vai ficar com ciúmes.” Ele disse olhando para Pran.

“Korn não se importa que eu converse com Pran.” Wai revirou os olhos e Pran riu, balançando a cabeça. “Não precisa querer defender a honra do seu amigo, Pat!”

“Levanta daí, anda! Sai de perto dele!” Pat segurou o cotovelo de Pran, que se desvencilhou do seu toque.

Somente quando Korn apareceu, Pran cedeu o seu lugar e o recém chegado perguntou qual o motivo de todos estarem tão sérios.

“Cuida do seu namorado, ele está bem assanhado hoje.” Pat apontou o indicador para o Wai e depois o polegar para o lado de Pran.

“Vai à merda, Pat! Não tem nada a ver!” Pran deu um soco no seu ombro.

“Ele tem a mim, por que iria querer o Pran?” Korn estufou o peito orgulhoso e Wai respirou fundo.

“O Pran é mais bonito do que você.” Pat rebateu.

“Eu tenho um charme diferenciado.” Korn se gabou.

“Ele e o Pran são amigos há mais tempo...”

“E nunca rolou nada.”

“Pran é mais inteligente do que você!”

“Meu jeito atrapalhado aumenta meu encanto.”

Pran e Wai se divertiam com essa discussão besta.

“Pran cheira melhor.”

“Tenho uma desculpa para pedir para o Wai me ajudar no banho!”

“Korn!” Wai gritou e até seus dedos pareciam estar vermelhos de vergonha.

“Meu namorado toca muito melhor do que o seu!” Pat disse sem pensar.

“Korn sabe como tocar meu coração… SEU o quê?” Korn arregalou os olhos e Pat se virou para Pran se sentindo perdido e culpado.

“Talvez meu namorado seja tão burro quanto o seu, Wai!” Pran falou olhando para o amigo, que estava de boca aberta, incrédulo sobre o que tinha acabado de ouvir.

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