AVISO DE GATILHO:
Esse capítulo contém situações que retratam ataques de pânico e ansiedade, além de conversas sobre abuso e violência sexual.
Não é um conteúdo explícito, mas aconselho cautela, caso você se sinta desconfortável com esse tipo de assunto.
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No dia seguinte, havia uma certa ansiedade entre Pat e Pran para saber o que tinha acontecido com Korn e Wai. Eles não tiveram coragem de mandar mensagem para perguntar se estava tudo bem e tampouco os amigos deram sinal de vida.
O professor já tinha entrado e Pat olhava apreensivo para porta. Pran viu o sorriso do namorado se abrir quando Wai, mal humorado e carrancudo, pediu licença ao professor e entrou. Pran, chateado pelo estado do amigo, o acompanhou com o olhar, mas ele não olhou para os lados.
Pouco tempo depois, Korn chegou correndo e foi repreendido pelo professor. Ele se desculpou e andou rápido para o seu lugar. Ele sorria de orelha a orelha e Pat deixou o queixo cair, sem querer acreditar no que se passava pela sua cabeça. Pran não foi muito discreto e se virou para Wai, que mantinha o olhar baixo, voltado para o livro sobre sua mesa, mas era possível ver suas bochechas vermelhas.
No intervalo, eles precisaram verificar a sala que o diretor iria disponibilizar para o ensaio e várias outras coisas aconteceram e os amigos não puderam conversar apropriadamente, apesar de já imaginarem o que tinha acontecido.
No final do dia, o grupo se reuniu para testar os instrumentos que a escola emprestou e Safe se sentia estranho. Existia uma energia e uma troca de olhares entre todos e ele pensava se tinha esquecido alguma coisa. Isto o incomodava e, assim que conseguiu, arrumou uma desculpa para sair dali.
Pat ainda estava inconformado com a decisão de Korn e o puxou para fora da sala para conversarem. Wai e Pran ainda guardavam os instrumentos e falaram amenidades até que Pran perguntou diretamente o que tinha acontecido. Em resumo, Wai disse que teve coragem de assumir seus sentimentos por Korn, mas não sabia lidar bem com esse tipo de situação, porque ele não era uma pessoa fácil para criar vínculos. Apesar disso, eles decidiram tentar ser namorados em segredo, porque Korn ainda tinha receio de contar para os pais.
“Minha mãe gosta dele, você consegue acreditar nisso?” Wai apertava e coçava a orelha, envergonhado.
“Sua mãe sabe?”
Pran não conseguia se imaginar contando para os pais e ficou encarando o amigo por um tempo.
“Ela aceitou o Korn ser meu namorado mais facilmente do que aceitou quando eu me assumi.” Wai riu e Pran relaxou.“Ela sabe que sou gay faz um tempo, não gostou muito, mas aceitou.”
“Eu fico feliz que as coisas estejam bem entre vocês, todos vocês!”
Ele lembrou de Wai dizendo que, no passado, tinha inveja dele. Nesse momento, Pran sentia esse sentimento crescendo dentro de si e tentou abafar essa sensação.
“Agora as coisas estão bem entre a gente, mas foi bem complicado no dia que ela descobriu.” Ele riu encabulado “Não foi como se eu tivesse contado exatamente, ela entrou e me viu dormindo com um cara. Não conta para ninguém, por favor! Era o Chang. E as coisas saíram um pouco do controle.”
O coração de Pran disparou, sua mão começou a tremer e ele se sentou, tentando não demonstrar sua tensão. Será que Chang tinha machucado Wai também e ele nunca percebeu? Seu amigo tinha passado pela mesma coisa e ele foi tão egoísta e nunca notou?
“O Chang...” Pran tentou dizer, porém o nome dele ficou preso na sua garganta.
“Você viu que ele mudou de escola? Depois que ele foi assaltado, seus pais não deixaram mais ele vir pra cá!” Wai comentou “Ele é um babaca."
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Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso
FanfictionE se Pat e Pran fossem criados juntos? E se não houvesse brigas entre as famílias? Essa história começou com um pensamento aleatório e foi tomando forma e crescendo dia a dia e eu não consegui ignorar. Tic Tac Toe, ou Jogo da Velha, é uma brincadei...
