Pakorn lavava e secava alguns copos e se enfurecia cada vez que Nutty acabava de cantar porque alguém da primeira fileira aplaudia e vibrava mais do que era adequado para o ambiente. Ele verificou se o copo em sua mão havia trincado, pois ouviu um barulho suspeito. O garoto tinha assoviado para Nutty. Como ele ousava assoviar para o seu Pran?
Pat bateu o copo no balcão e tentou focar somente na cena e ignorou a plateia. Pakorn se levantou indo em direção ao ator que interpretava o bêbado inconveniente. Seus passos eram determinados, tendo Fourth na sua imaginação, o ator se encolheu quando Pat-Pakorn o segurou pelo colarinho da camisa e o arrastou para longe da sua Pran-Nutty.
Alguns espectadores até se encolheram, alarmados, quando Pakorn se virou e seus olhos ferozes brilharam em direção ao público.
A diretora estava extasiada com a reação das pessoas durante a briga de Pakorn e Nutty. Havia tanto ciúme, paixão e desespero na voz deles que ela ficou arrepiada. Muitas pessoas apertavam os braços das cadeiras, outras prendiam a respiração e algumas vozes sussurravam em defesa de um ou de outro. Seus protagonistas eram um sucesso.
Quando Nutty ficou sozinha em cena, desolada pela briga, uma única lágrima rolou do seu rosto ao perceber que Pakorn a amava e ele tinha ido embora, a diretora sorriu ao ver que os pais de Pat e Pran e o senhor, que estava ao lado deles, choravam.
Havia uma certa tensão entre as pessoas da produção porque se aproximava a cena do beijo e tudo precisava ser muito cronometrado. Se a cortina não fechasse na hora certa, daria para perceber que o beijo era falso.
Nutty cantou para Pakorn, soltou o microfone e deu alguns passos até ele.
Ele andou até ela.
Pakorn segurou as mãos de Nutty.
“Segura a cintura dela!” A diretora falava sozinha na coxia.
Pakorn continuou acariciando as mãos de Nutty, que baixou o olhar.
“A cintura!” A diretora falou mais alto, somente para que eles ouvissem.
Pakorn subiu as mãos pelos braços de Nutty até chegar em seu rosto.
Nutty deitou o rosto de lado em uma das mãos de Pakorn, fechou os olhos e sorriu.
Pat deu mais um passo em direção a Nutty e Pran o olhou nos olhos.
“Almas gêmeas?” Pat sussurrou.
Pran assentiu.
Os polegares de Pat esfregavam as bochechas maquiadas do seu namorado. Pran deu um passo para frente, não havia mais espaço entre os dois, e o segurou pela cintura.
Pat encostou seus lábios nos lábios de Pran. Os dois fecharam os olhos, suas bocas se abriram, suas línguas se tocaram e eles continuaram se beijando até a cortina fechar.
Somente a diretora estava em silêncio. Todos os demais gritavam, aplaudiam e assoviavam.
“Quanta entrega ao personagem!” O ator que tinha sido arrastado por Pat cumprimentou os dois e eles se posicionaram para agradecer ao público.
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A família deles, Tio Zao, as gêmeas e a Sra Jitaraphol aguardavam em frente ao palco pela saída dos garotos. Wai chegou, as gêmeas o abraçaram e eles ficaram conversando sem notar que Fourth também estava por lá.
Na verdade, só uma pessoa tinha notado a presença do garoto: o pai de Pran o vigiava desde a hora em que ele gritou o nome do seu filho. Ele viu a expressão assustada de Pran e ficou preocupado que esse comportamento tão deselegante pudesse atrapalhar a atuação dele.
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Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso
Fiksi PenggemarE se Pat e Pran fossem criados juntos? E se não houvesse brigas entre as famílias? Essa história começou com um pensamento aleatório e foi tomando forma e crescendo dia a dia e eu não consegui ignorar. Tic Tac Toe, ou Jogo da Velha, é uma brincadei...
