Parte 76

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Os pais preparavam o jantar na casa de Pran e os meninos ajudavam a arrumar a mesa no jardim. O ar estava bem mais fresco do que nos dias anteriores e comer ao ar livre era uma opção muito melhor.

Com o fim das provas e das aulas do primeiro semestre, Pa tinha aproveitado para ir viajar com Ink e os pais dela e voltaria somente no domingo. Apesar de só ter uma pessoa a menos para o jantar em família, o silêncio dos adultos era estranho.

Pat bateu o joelho na perna de Pran por baixo da mesa e os dois se entreolharam. Os pais pareciam nervosos com alguma coisa e estavam mais quietos do que o normal.

“O que está acontecendo?” Pran perguntou, já sem paciência.

“Vocês dois ainda estão de castigo!” Ming falou bravo “Até domingo vocês estão de castigo! Foi isso o que a gente disse.”

“Eu sei, pai. A gente sabe.” Pat estava confuso com a forma como seu pai falou.

“Vocês não podem dormir um no quarto do outro até domingo!” O pai de Pran apontou o dedo na cara dos dois.

“Eu não… o Pat não… nem eu… eu sei, ninguém pediu isso, pai!” Pran olhava para Pat e pensava se ele tinha tentado falar com Ming.

“A gente obedeceu até agora, por que vocês estão falando isso?” Pat estava apreensivo.

“Ai, vocês dois são tão exagerados!” Dissaya falou.

“Nós vamos a uma feira de materiais para construção amanhã.” A mãe de Pat falou “Vamos ficar fora o dia todo e…”

“Não quero.. não é para vocês fazerem… ficarem de… não quero… VOCÊS NÃO…” Ming gaguejava.

“Você não quer que eu fique com Pat no mesmo quarto para não transar com ele, tio? É isso?” Pran perguntou, rindo.

Depois de passar por tantos momentos de constrangimento em família, agora que estava em relacionamento de verdade e sendo correspondido, Pran achava que não tinha motivo para se envergonhar da sua sexualidade ou das suas vontades e desejos. Ele se sentia mais seguro para falar a respeito e até provocar os adultos.

“Isso! Não autorizo vocês a ficarem nos quartos… um do outro…” O rosto de Ming passou do vermelho ao roxo.

“Tudo bem, tio, a gente não vai.” Pran falou “Eu nem pretendia mesmo. Pelo menos não até minha mãe comprar uma cama nova para mim, porque a minha range um pouco.” Pran comeu um pedaço de carne, enquanto Pat engasgou com o suco e começou a tossir e Ming colocou a mão sobre o coração.

Dissaya tentou não rir e um pouco de suco saiu pelo seu nariz.

O pai de Pran olhou para a esposa.

“O fone? O FONE!!”

Ela acenou com a cabeça em confirmação e os garotos não puderam conter a risada.
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“Tomem conta um do outro, por favor!” As mães disseram ao se despedir na manhã seguinte.

Ming limpou a garganta e olhou para os dois.

“Não vamos transar dentro da sua casa, tio!” Pran provocou Ming, que virou as costas e andou rápido em direção ao carro.

“Você não precisa falar com ele assim!” Dissaya o repreendeu sem muita convicção e com muito divertimento no olhar.

Os garotos acenaram para os pais e foram para sala. Nem bem fecharam a porta, Pat agarrou Pran e o beijou.

“Você prometeu para o meu pai… eu não falei nada!” Pat beijava o pescoço do namorado.

O celular de Pat começou a vibrar e ele o tirou do bolso e jogou no sofá.

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