Capítulo 02 - Novos Desafios

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O apartamento estava mergulhado em silêncio quando Alessa Rodriguez abriu a porta, exausta. David, que a esperava, não conseguiu conter um sorriso de alívio.

— Finalmente! — exclamou ele.

— Hoje foi cansativo — respondeu Alessa, jogando-se no sofá. — Leonor e Martim já estão dormindo?

— Sim, estavam muito cansados. E você, como foi? Seu chefe é tão severo quanto dizem? — indagou David, curioso.

— Até que não, mas intimidador. Meu dia foi tranquilo, embora exaustivo. E o seu?

— Também tranquilo. Só tive que carregar algumas caixas pesadas. Alguém te fez perguntas sobre nossa família?

— Apenas meu chefe. Queria saber se nossos pais vieram morar aqui também.

— E o que você respondeu? A verdade?

— Não. Como eu poderia falar a verdade? Seria horrível.

— Com certeza. Mas, enfim, vou dormir. Amanhã acordo cedo.

— Boa noite.

— Boa noite.

O despertar seguinte trouxe-lhe um susto: o despertador não havia tocado. Alarmada, Alessa levantou-se rapidamente e dirigiu-se ao chuveiro, tomando um banho breve, mas revigorante. Vestiu um traje social cuidadosamente escolhido e calçou os saltos, tentando conter o nervosismo que a consumia logo pela manhã.

Pegou uma maçã do fruteiro, guardou-a na bolsa e deixou o apartamento às pressas. A caminho da empresa, cada passo era um lembrete da responsabilidade recém-assumida. Ao chegar, cumprimentou a recepcionista e entrou no elevador, subindo até o escritório. Sentou-se à mesa, abriu o notebook e iniciou suas tarefas, ainda imersa em pensamentos sobre o dia que se anunciava.

Pouco tempo depois, o Sr. Jones entrou no escritório, aproximando-se com passos decididos.

— Bom dia, Sr. Jones. Em que posso ajudá-lo? — perguntou Alessa, mantendo a voz firme.

— Tenho uma reunião marcada para uma hora, quero que a desmarque e a adie para amanhã — ordenou ele, sem hesitar.

— Tudo bem, farei isso — respondeu ela, anotando mentalmente as instruções.

— E às duas, quero que esteja em meu escritório.

— Claro.

— E, por favor, me chame pelo meu nome: George.

— Tudo bem — disse Alessa, consciente da formalidade ainda necessária, mas atenta ao pedido.

Com a saída de George, ela retomou as tarefas, embora a mente permanecesse inquieta. A expectativa sobre a reunião marcada para as duas horas mantinha-a em alerta, cada minuto aumentando a ansiedade.

Quando finalmente o horário chegou, levantou-se e dirigiu-se ao escritório de George.

— George? — chamou, hesitante, ao abrir a porta.

— Entre — respondeu ele, ainda sentado, com expressão serena.

— Como o senhor pediu, às duas horas — disse, timidamente.

— Pontualidade é uma virtude — comentou George, observando-a com aprovação.

Ela sorriu, um pouco envergonhada.

— Tenho uma hora marcada com meu pai — continuou ele — e precisamos revisar alguns assuntos da empresa. Quero que esteja presente para tomar notas, mas antes passaremos em uma loja.

— Certo — respondeu Alessa, concordando com a cabeça.

Seguiram juntos para o carro de George e, minutos depois, estacionaram diante de uma loja de smoking. Entraram e George escolheu alguns ternos, conduzindo-a aos provadores. Enquanto ele experimentava as peças, Alessa permaneceu sentada em um banco, observando em silêncio. Pouco depois, ele saiu do provador com dois ternos ainda pendurados nos cabides, mostrando-os diante dela.

— Qual acha melhor, o preto ou o azul escuro royal? — perguntou, esperando sua opinião.

— O azul, sem dúvida — respondeu ela com segurança.

— Tem certeza? — questionou ele, buscando confirmação.

— Tenho.

— Obrigado — disse, com um leve sorriso de gratidão.

Após a compra, retornaram ao carro e seguiram para a empresa do pai de George. Chegando ao local, desceram e subiram pelo elevador até o andar do escritório. George pediu que ela aguardasse do lado de fora enquanto ele entrava.

Dentro da sala, George se sentou à frente do pai, rodeado por funcionários atentos, homens e mulheres que observavam cada gesto.

— Já que todos estão presentes, podemos começar — anunciou o patriarca, com tom firme.

— Os números começaram a cair, senhor. Se não agirmos, a situação se agravará — explicou um dos funcionários.

— Tentaremos implementar algumas melhorias — respondeu George, mantendo a calma.

— E vai mesmo? — questionou o pai, a voz carregada de ceticismo.

— Por que não haveria de fazer? — replicou George, firme.

— Talvez porque os números estão em declínio. Se tivesse agido antes, não estaríamos nesta situação.

— Eles são problemas de sua empresa. Estou apenas auxiliando porque o senhor solicitou. Não é minha obrigação. Deveria dedicar-me exclusivamente à minha própria empresa.

— Sempre o ingrato! Deveria agradecer pelo que recebeu — respondeu o pai, a voz carregada de ironia. — Você deveria me ajudar a manter ambas as empresas. Lembre-se: a "sua" empresa ainda está em meu nome.

— Chamou-me aqui para falar de negócios ou para expor meus erros? — indagou George, visivelmente irritado.

— Talvez os dois. Seu irmão faria melhor.

— Então coloque-o no meu lugar! — explodiu George, controlando-se a duras penas. — Estamos aqui para discutir gráficos, não para comparar famílias. Pare com essa mania de sempre trazê-lo à conversa.

— Talvez seja para que perceba que precisa fazer melhor. Seu irmão administra sua empresa com excelência, os números só crescem. Ele já construiu uma família e você... — a crítica foi deixada no ar.

— Então me chamou para me humilhar diante de todos aqui? — perguntou George, a raiva visível na postura.

— Apenas estou dizendo a verdade — respondeu o pai, sem titubear.

— Posso conseguir alguém tão capaz quanto meu irmão — afirmou George, olhando firme — e posso até surpreender, sem que o senhor saiba.

O pai riu, irônico. — Como se alguém fosse querer você.

George fechou os punhos, visivelmente irritado, e se dirigiu à porta.

Enquanto esperava do lado de fora, Alessa permaneceu sentada, consciente da tensão no ar. Momentos depois, George retornou, segurando sua mão e conduzindo-a de volta à sala.

Ao entrarem, ele parou diante do pai, agora sentado, e pronunciou com firmeza:

— Aqui, veja! Esta é a minha namorada!

Alessa sentiu um misto de surpresa e confusão, incapaz de compreender imediatamente o que acontecia. Seus olhos refletiam o choque silencioso diante da declaração inesperada.

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora