Capítulo 59 - Fim da Linha

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Alessa estava no quarto com o pai, sentada na poltrona dura ao lado da cama, acariciando as mãos enrugadas dele com gentileza, torcendo e desejando fervorosamente por sua recuperação e por seu despertar, o bip constante das máquinas preenchendo o silêncio.

Pouco tempo depois, Márcia entrou no quarto devagar, a porta rangendo levemente.

— Oi — cumprimentou em tom baixo. — Como você está?

Ao encará-la, Alessa desabou e começou a chorar novamente, com os soluços abafados. Márcia aproximou-se e a envolveu em um abraço acolhedor, o perfume suave reconfortante.

— Eu sinto muito, Alessa — murmurou Márcia. — Mas saiba que logo, logo, seu pai ficará bem, ele é forte.

— Eu não sei, ele parece muito ruim — respondeu Alessa, secando as lágrimas com a manga.

— Não vamos pensar no pior — consolou Márcia, afastando-se um pouco.

— Como meus irmãos estão? — indagou Alessa, olhando para a porta.

— Eles estão dormindo e sua tia está com eles — respondeu Márcia.

— Ela conseguiu dormir? — perguntou Alessa.

— Ela conseguiu cochilar um pouco, mas não muito — explicou Márcia.

— Ela deve estar exausta — murmurou Alessa.

— Encontraram o Liam? — indagou Márcia, mudando de assunto.

— Eu não sei — respondeu Alessa. — George ficou de me avisar, mas até agora não recebi nenhuma mensagem dele.

— Mas não se preocupe — assegurou Márcia. — Ele ainda será encontrado e pagará pelo que fez.

— Assim espero — sussurrou Alessa.

— Alessa, por que não vai tomar um banho, comer alguma coisa... — sugeriu Márcia. — Eu fico aqui com Luís e se acontecer algo eu a aviso imediatamente.

— Tem certeza? — hesitou Alessa.

— Claro — confirmou Márcia. — Você está precisando descansar e precisa se alimentar também, pode ir, vá com calma.

— Obrigada, Márcia — agradeceu Alessa. — Daqui a pouco estarei de volta.

— Tudo bem, não precisa se preocupar — sorriu Márcia.

Alessa pegou a bolsa da cadeira e retirou-se do hospital, os corredores iluminados por luzes frias. Pegou um táxi na entrada e retornou ao prédio familiar, o veículo cortando a madrugada.

[...]

Liam estava na casa de um amigo em Barcelona, organizando as coisas em uma mala velha no quarto apertado, refletindo sobre os acontecimentos. A lembrança de que o plano falhara e de que o pai ainda estava vivo trouxe ainda mais aborrecimento, o rancor fervendo.
Pegou a mala e seguiu para a sala simples, despedindo-se do amigo sentado no sofá desgastado.

— Muito obrigado por ter me deixado ficar aqui — disse Liam. — Você me ajudou muito.

— Está tudo bem, qualquer coisa por um amigo — respondeu o amigo, levantando-se. — O que vai fazer agora?

— Eu não sei — murmurou Liam. — Mas tentarei recomeçar minha vida em outro lugar, longe.

— Tome cuidado para não ser encontrado — alertou o amigo.

— Vou tomar — assegurou Liam.

Ao sair da casa do amigo e voltar para o carro estacionado na rua estreita, deparou-se com uma viatura policial bloqueando o caminho, com as luzes piscando. Assim que os policiais notaram a presença dele, ordenaram que saísse do veículo com megafone, mas Liam desobedeceu e pisou no acelerador com força.

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora