Capítulo 57 - Tiro no Escuro

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Liam desceu do carro após deixar Violeta no hotel e a seguiu sutilmente pelos corredores mal iluminados, com os passos abafados pelo carpete gasto. No corredor estreito, aguardou que ela entrasse no quarto, aproximando-se em seguida da porta de madeira lascada. Ficou de vigia através da fechadura enferrujada, tentando captar algum som, com o ouvido colado à madeira fria.

Sabia que Violeta havia descoberto alguma coisa no carro e que faria algo para prejudicá-lo e tentar ajudar Frank, a traição dela evidente em sua hesitação anterior.

Quando a viu atender o celular dentro do quarto, encostou a cabeça na porta e se esforçou para ouvir melhor, com as vozes abafadas filtrando. Ao escutá-la mencionar o nome de George, afastou-se rapidamente do quarto e procurou por um cartão mestre nos corredores do hotel, com os olhos varrendo as sombras. Enquanto caminhava, avistou uma camareira passando com um carrinho de limpeza, o uniforme azul desbotado.

— Boa noite, você está muito apressada? — perguntou Liam, com o tom tristonho e os olhos baixos.

— Não estou, o que houve? — respondeu a camareira, parando o carrinho.

— Então, estou desconfiado da minha namorada — explicou Liam, a voz tremendo falsamente. — Ela avisou que iria a uma lanchonete com as amigas, então a segui para saber se era verdade, mas acabei parando aqui. Queria saber se você poderia destrancar a porta do quarto onde ela está, para eu saber se estou sendo traído, por favor.

— Eu até faria isso, mas seria contra as regras — hesitou a camareira, olhando ao redor.

— Por favor, eu estou muito angustiado e preciso que você me ajude — suplicou Liam, tirando a carteira. — Eu posso pagá-la, o valor que você quiser, só para entrar rápido.

— Tudo bem, eu abro para você por trezentos euros — aceitou ela, estendendo a mão.

— Tudo bem — concordou Liam, contando as notas.

Após voltarem ao quarto de Violeta, pagou a camareira com as notas amassadas. Após a porta ser destrancada com o cartão magnético e a camareira se afastar pelo corredor, Liam adentrou o quarto com agilidade, tomando o celular da mão de Violeta e encerrando a ligação com um toque brusco.

— O que pensa que está fazendo? — gritou Liam, com o rosto contorcido.

— Como entrou aqui? — perguntou Violeta assustada, recuando para a cama.

— Não interessa! — rebateu ele, avançando. — Agora responda minha pergunta.

— Não vou deixar que mate o Frank, muito menos serei presa por cúmplice! — exclamou Violeta, com os olhos marejados.

— Não seja patética, Violeta! — zombou Liam. — Nós nunca seríamos presos, eu cuidaria de tudo.

— É isso o que você acha! — rebateu ela. — Uma hora ou outra, a polícia acharia as provas, rastros.

— Você é muito ingênua — disse Liam, rindo. — Achei que fosse mais esperta, mas estava enganado, burra.

— Você é um sádico lunático! — cuspiu Violeta, pegando a bolsa.

Após Violeta pegar a bolsa e se dirigir à porta com passos rápidos, Liam a agarrou pelo braço de forma brusca e a puxou, pressionando-a contra a parede fria do quarto, o corpo dela tremendo.

— Você não vai a lugar nenhum! — rosnou ele. — Não depois do que fez. Eu lhe avisei, Violeta, agora haverá consequências, e você vai pagar.

— Por favor, não me machuque — pediu Violeta, com as lágrimas escorrendo.

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