Capítulo 70 - Pétalas e Promessas

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O crepúsculo tingia o céu de tons violeta e laranja
quando o táxi estacionou com um sussurro de pneus na entrada do jardim público. As lanternas de rua acendiam uma a uma, projetando halos suaves sobre o caminho de cascalho que levava ao gazebo. Alessa desceu primeiro e estendeu a mão para Márcia, que ainda tentava processar o trajeto repentino.

— Alessa, sério — disse Márcia, com a voz entre o riso e a desconfiança, apertando a mão dela. — Você me tira do restaurante no meio do expediente, me enfia num táxi e agora me arrasta para um jardim à noite? Isso é sequestro ou surpresa? Porque se for sequestro, pelo menos me avise para eu pegar um casaco.

— Surpresa — respondeu Alessa, com os olhos brilhando com malícia. — E da boa. Apenas ande. Sei que você gostará muito. Confie em mim como confiou quando eu disse que o risoto de cogumelos ia vender mais que o salmão.

Márcia bufou, mas seguiu, os saltos ecoando no cascalho. George vinha atrás, com as mãos nos bolsos do paletó e um sorriso discreto que denunciava cumplicidade.

— George, você também está nessa? — perguntou Márcia, virando-se para ele. — Porque se for pegadinha, eu vou cobrar em dobro no próximo turno.

— Prometo que eu não sei de nada — respondeu George, erguendo as mãos em rendição. — E se não valer a pena, pago o jantar por uma semana.

Elas dobraram a curva do caminho e o gazebo surgiu como um sonho materializado: treliças entrelaçadas por roseiras em plena floração, pétalas cor-de-rosa, vermelhas e brancas formando um corredor perfeito até o centro. Lanternas de papel pendiam das vigas, acesas por velas LED que tremulavam como estrelas capturadas. No coração do gazebo, um tapete de pétalas formava um coração gigante, e ali, no meio, David aguardava.

Ele vestia um terno azul-marinho impecável, com a gravata frouxa de nervoso e uma rosa vermelha na lapela. Ao ver Márcia, seus olhos se arregalaram, o peito subindo e descendo em respirações curtas.

Márcia parou abruptamente, levando as mãos à boca. Um som abafado — meio soluço, meio risada — escapou.

— David... — sussurrou, com a voz falhando. — O que... o que é tudo isso?

David deu um passo à frente, com as mãos tremendo visivelmente. Ele engoliu em seco, como se as palavras fossem pedras na garganta.

— Márcia — começou, com a voz baixa, mas ganhando força a cada sílaba. — Eu sei que começamos a namorar há pouco tempo. Sei que pode parecer loucura, que pode parecer que estou correndo demais, que estou pulando etapas. Mas... — ele parou, respirou fundo, com os olhos fixos nos dela. — Eu te amo. Não é de hoje. É de sempre. Desde o dia em que a vi caminhando nos corredores do colégio com Alessa. Eu tinha 16 anos e já sabia que você era diferente. Você riu da minha cara quando eu disse que ia ser médico, e eu passei o resto do ano desenhando corações no caderno — ele sorriu, os olhos marejados. — Eu te amo desde então, Márcia. E sempre te amarei. Então...

Ele se ajoelhou devagar, o joelho afundando nas pétalas macias. Retirou do bolso interno uma caixinha de veludo preto, abrindo-a com dedos trêmulos. Dentro, um anel de ouro branco com um diamante solitário brilhava como uma estrela.

— Márcia Duarte — disse, a voz agora firme, cheia de certeza. — Aceita se casar comigo? Aceita passar o resto da vida ao meu lado, rindo da minha cara e me fazendo o homem mais feliz do mundo?

O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo canto distante de um rouxinol e pelo farfalhar das folhas. Márcia ficou paralisada, os olhos arregalados, e as lágrimas escorrendo em riachos silenciosos. Então, com um soluço que era metade riso, metade choro, assentiu.

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora