Capítulo 18 - Entre o Desejo e o Silêncio

2K 73 1
                                        

Ao retornar ao quarto, Alessa encontrou George deitado no colchão, o olhar fixo no teto, como se carregasse o peso de pensamentos que não queria partilhar. A garota caminhou até a cama e se deitou ao lado dele, ainda com o vestido do jantar, sem coragem de encarar o que havia entre os dois.

— Seu irmão está bem? — perguntou George, a voz baixa, sem tirar os olhos do teto.

— Está sim — respondeu ela, tentando soar tranquila.

— Sobre o que ele queria conversar?

— Algumas coisas pessoais, nada demais.

George suspirou, virando-se de lado. — Entendo... Alessa, você acredita em mim, não é?

Ela o olhou por um instante, tentando decifrar aquele pedido, aquele olhar quase suplicante. — Sim, acredito.

George se sentou e, em seguida, deitou ao lado dela. O colchão afundou um pouco sob o peso de seu corpo, aproximando-os mais do que ambos esperavam.

— Estou pensando em como vou contar ao Liam — confessou ele. — Vai ser difícil.

— Muito — respondeu Alessa. — Mas esconder não vai mudar o que aconteceu.

O silêncio entre eles se alongou, denso e carregado. George virou-se novamente, deixando o olhar percorrer o rosto dela, depois os lábios. O ar pareceu se tornar mais pesado.

— Vou me trocar — murmurou Alessa, tentando se levantar.

Mas, antes que pudesse sair da cama, George segurou o pulso dela com delicadeza, fazendo-a cair de volta sobre o colchão. Ele se apoiou de cada lado do corpo dela, bloqueando sua saída, o rosto agora próximo demais.

— George...? — sussurrou.

— Eu só... — começou ele, sem terminar a frase.

O beijo veio rápido, como se ele não tivesse conseguido resistir. Era doce e eufórico, misturado à confusão do momento. Por alguns segundos, Alessa correspondeu, até que a lucidez a fez empurrá-lo.

— O que está fazendo? — perguntou, o coração acelerado.

George recuou, visivelmente arrependido. — Me desculpe, Alessa. Eu não devia ter feito isso.

— Está tudo bem — respondeu ela, com voz trêmula. — Só... não esperava.

— Prometo que não farei de novo. — Ele desviou o olhar, envergonhado.

— George, de verdade, está tudo bem — repetiu, tentando aliviar o peso da culpa dele.

— É melhor dormirmos — disse ele por fim, virando-se para o outro lado da cama.

Alessa ficou alguns segundos parada, o coração ainda descompassado, antes de ir até o banheiro. Trocou de roupa, respirou fundo e voltou. O silêncio entre os dois durou até o sono chegar — um silêncio que falava mais do que qualquer palavra.

Na manhã seguinte, ao acordar, ela notou o colchão ao lado vazio e arrumado. George já havia saído. Vestiu-se e desceu até a cozinha. Lá estavam seus irmãos, Elizabeth, Liam, George e Violeta, todos reunidos ao redor da mesa.

— Bom dia, Alessa — cumprimentou Liam com um sorriso educado.

— Bom dia — respondeu ela, sentando-se ao lado de Leonor.

— Dormiu bem? — perguntou Violeta, arqueando uma sobrancelha.

— Dormi, obrigada. — A voz de Alessa era controlada, mas seu olhar evitava o de George.

O clima à mesa era estranho. George e Alessa mal se olhavam; Violeta, por outro lado, parecia saborear o desconforto, lançando olhares provocantes a cada gole de café.

Depois de comer, Alessa levantou-se, pronta para sair. Mas George a chamou, em voz baixa:

— Podemos conversar?

Ela hesitou por um momento antes de assentir. Subiram juntos as escadas até o quarto.

— Sobre o que quer falar? — perguntou ela.

— Sobre a noite passada.

— George, não precisamos...

— Precisamos sim. — Ele se aproximou um pouco. — Não quero que fique um clima ruim entre nós.

— Não vai ficar. Só precisamos esquecer.

— Alessa, nós nos beijamos — disse ele, firme. — E o beijo foi intenso.

Ela desviou o olhar, sentindo o rosto queimar. — George, seja sincero... você sente algo a mais por mim?

— Talvez. — Ele deu um meio sorriso, triste. — Mas acho que você também sente, não é? Ontem, você quis me beijar.

— Acho melhor não falarmos sobre isso — respondeu ela, engolindo seco.

— Tem certeza?

— Tenho. Agora você precisa pensar em como contar ao Liam sobre a Violeta.

George passou a mão pelos cabelos, exasperado. — Eu sei. Mas não faço ideia de como começar.

— Posso te ajudar a pensar em algo.

— Não quero te colocar no meio disso. — Ele respirou fundo. — Eu mesmo vou resolver.

— Tudo bem — concordou ela, mesmo com o coração apertado.

Pouco depois, uma batida suave na porta interrompeu o momento.

— Oi, pai — disse George, abrindo a porta.

— Vocês estão prontos para ir? — perguntou Frank.

— Sim, já estamos descendo.

— Ótimo. Estaremos lá embaixo.

George fechou a porta e voltou a arrumar a mala. O silêncio retornou, mas era um silêncio diferente — pesado, cheio de coisas não ditas.

Descendo juntos, juntaram-se aos demais. Os carros já estavam prontos para partir. Durante o trajeto de volta, David, animado, virou-se para George.

— Vou sentir falta da sua mãe — disse com sinceridade.

George sorriu. — E ela vai sentir falta de vocês. Vão ter que visitá-la.

— Eu vou com certeza! — respondeu David empolgado.

Alessa sorriu, observando a troca afetuosa. Por um instante, o peso da noite anterior pareceu se dissolver.

Ao chegarem ao prédio, todos desceram com as malas. George esperou que os irmãos de Alessa subissem antes de chamá-la de lado.

— Obrigado por ter ido — disse ele, a voz baixa, quase um sussurro. — E... me desculpe pela noite passada.

— Está tudo bem, George. De verdade.

Ele hesitou por um instante, como se quisesse dizer algo mais, mas apenas sorriu. — Nos vemos amanhã na empresa.

— Até amanhã.

Alessa acenou, pegou a mala e entrou no prédio. Enquanto subia, pensava no beijo, nas palavras contidas e na sensação de que, entre ela e George, nada voltaria a ser como antes.

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora