Capítulo 23 - Entre Jogos e Silêncios

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O escritório permanecia em silêncio quando George entrou, trazendo consigo o leve som de seus passos no piso encerado. Alessa levantou os olhos do computador, as planilhas abertas diante dela.

— Bom dia, George.

— Bom dia, Alessa. Conseguiu buscar sua amiga?

— Sim, ela está com David agora.

— Fico feliz que ela esteja aqui com você — comentou, com um sorriso discreto.

— Eu também.

— Vocês se conhecem há muito tempo?

— Desde a escola. Acabamos nos afastando por causa do trabalho e de alguns problemas.

— Bom, agora o destino deu um jeito de reuni-las novamente.

— É verdade.

George assentiu, satisfeito.

— Fico feliz por você, de verdade.

— Obrigada.

— Enfim, não quero atrapalhar, sei que tem muito o que fazer.

Ele se retirou e o som da porta fechando devolveu ao ambiente o mesmo silêncio que havia antes.

O tempo passou até que o relógio marcasse o horário de almoço. Alessa pegou sua bolsa e caminhou até o elevador. Lá estava George, encostado na parede, à espera.

— Vamos almoçar? — perguntou ele.

— Claro — respondeu, surpresa.

— Liam e Violeta vão se juntar a nós. Eles marcaram de almoçar junto.

— Ah... entendi.

Quando o elevador se abriu, Violeta e Liam entraram logo em seguida.

— Bom dia — cumprimentou Violeta com um tom polido.

— Bom dia — respondeu Alessa.

— Que bom que já estamos todos aqui — disse Liam, ajeitando o relógio no pulso.

— Também acho — completou Violeta, forçando um sorriso.

Ao chegarem ao térreo, saíram da empresa. George se virou para o casal.

— Querem vir conosco no carro?

— Vamos no nosso — respondeu Liam. — Encontramos vocês no restaurante.

— Tudo bem.

George assentiu e seguiu com Alessa até o carro, mas o ar parecia pesado.

— Está afim de almoçar em outro lugar? — perguntou ele, enquanto ligava o motor.

— Depende... quer fugir de quê, exatamente? — perguntou ela, com um sorriso irônico.

— Fugindo das mesmas pessoas que você foge — George sorriu. — Não quero almoçar com Violeta e Liam.

— Sinceramente, nem eu.

George desviou o carro da rota, e o som do trânsito aos poucos se misturou ao silêncio que havia entre eles.

— Para onde vamos? — perguntou Alessa, quebrando o silêncio.

— A uma cafeteria. Mais tranquila.

— Parece ótimo.

O ambiente da cafeteria era aconchegante, com o aroma doce de café recém-passado. Sentaram-se perto da janela, onde a luz do meio-dia iluminava suas expressões serenas.

— Aqui é lindo — observou Alessa.

— Sim, e a comida é excelente — respondeu George.

— Imagino.

George pegou o celular. O nome de Liam piscava na tela.

— Não vou atender — disse, deixando o aparelho sobre a mesa.

— Ele não vai ficar bravo?

— Que fique. Almoçar com eles seria tortura.

Alessa sorriu, pegando um pedaço do bolo.

— Está gostando do café?

— Muito, e o bolo é ainda melhor.

— Bom saber que prefere o de chocolate.

— São os melhores — respondeu ela, rindo.

Quando terminaram, deixaram o local e voltaram para o carro. O caminho de volta à empresa foi tranquilo, mas o clima mudou assim que chegaram. Liam e Violeta os aguardavam já dentro do escritório.

— Onde estavam? — perguntou Liam, fingindo leveza.

— Decidimos ir a uma cafeteria — respondeu George calmamente.

— Ligamos para você — insistiu Violeta.

— O celular devia estar no modo silencioso. Da próxima vez, aviso.

Liam forçou um sorriso que não chegou aos olhos.

— Tudo bem, sem problemas.

George pousou o olhar sobre Alessa.

— Será que posso falar com ela a sós?

— Claro. Vamos, Violeta — disse Liam, empurrando a porta ao sair.

Assim que ficaram sozinhos, George se recostou na cadeira e suspirou.

— São insuportáveis. — Disse em voz baixa, revirando os olhos.

Alessa conteve uma risada.

— Aqui estão as cópias — disse, entregando os papéis.

— Obrigado. Você é uma ótima namorada falsa.

— E você um ótimo chefe disfarçado de namorado — retrucou, divertida. — Voltarei à minha sala.

— Claro.

Mais tarde, ao terminar o turno, Alessa deixou o escritório. No corredor, encontrou Liam.

— Já indo? — perguntou ele.

— Sim.

— É sempre bom ir para casa depois de um dia cheio.

— Verdade, é ótimo.

Entraram juntos no elevador. O silêncio durou alguns segundos.

— Como está seu relacionamento com George? — perguntou Liam, fingindo interesse.

— Está indo bem.

— Ele te trata bem?

— Super bem.

— Vocês não vão embora juntos?

— Hoje não, ele vai ficar até mais tarde. Quero ver meus irmãos.

— Entendo.

— Já vou indo. Até amanhã.

— Até amanhã — respondeu ele, com um olhar enigmático.

Alessa deixou o prédio e seguiu até o apartamento. Assim que entrou, encontrou David, Leonor e Márcia sentados no tapete da sala, jogando cartas.

— Boa noite!

— Finalmente chegou! — exclamou Márcia, levantando-se para abraçá-la.

— Finalmente em casa — respondeu Alessa, sorrindo. — O jogo está divertido?

— Muito! Ganhei várias vezes do seu irmão — disse Márcia, rindo.

— Está precisando melhorar, David — provocou Leonor.

— Da próxima eu ganho de vocês — retrucou ele, cruzando os braços.

— Claro que sim — respondeu Márcia, piscando. — Então, Alessa, vamos sair? Ou está cansada?

— Claro que vamos! Ainda tenho energia pra isso.

— Isso! — comemorou Márcia. — Essa noite será demais!

O riso das duas encheu o apartamento, abafando, por um instante, o peso das tramas que se desenrolavam além das paredes.

O ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora