O escritório permanecia em silêncio quando George entrou, trazendo consigo o leve som de seus passos no piso encerado. Alessa levantou os olhos do computador, as planilhas abertas diante dela.
— Bom dia, George.
— Bom dia, Alessa. Conseguiu buscar sua amiga?
— Sim, ela está com David agora.
— Fico feliz que ela esteja aqui com você — comentou, com um sorriso discreto.
— Eu também.
— Vocês se conhecem há muito tempo?
— Desde a escola. Acabamos nos afastando por causa do trabalho e de alguns problemas.
— Bom, agora o destino deu um jeito de reuni-las novamente.
— É verdade.
George assentiu, satisfeito.
— Fico feliz por você, de verdade.
— Obrigada.
— Enfim, não quero atrapalhar, sei que tem muito o que fazer.
Ele se retirou e o som da porta fechando devolveu ao ambiente o mesmo silêncio que havia antes.
O tempo passou até que o relógio marcasse o horário de almoço. Alessa pegou sua bolsa e caminhou até o elevador. Lá estava George, encostado na parede, à espera.
— Vamos almoçar? — perguntou ele.
— Claro — respondeu, surpresa.
— Liam e Violeta vão se juntar a nós. Eles marcaram de almoçar junto.
— Ah... entendi.
Quando o elevador se abriu, Violeta e Liam entraram logo em seguida.
— Bom dia — cumprimentou Violeta com um tom polido.
— Bom dia — respondeu Alessa.
— Que bom que já estamos todos aqui — disse Liam, ajeitando o relógio no pulso.
— Também acho — completou Violeta, forçando um sorriso.
Ao chegarem ao térreo, saíram da empresa. George se virou para o casal.
— Querem vir conosco no carro?
— Vamos no nosso — respondeu Liam. — Encontramos vocês no restaurante.
— Tudo bem.
George assentiu e seguiu com Alessa até o carro, mas o ar parecia pesado.
— Está afim de almoçar em outro lugar? — perguntou ele, enquanto ligava o motor.
— Depende... quer fugir de quê, exatamente? — perguntou ela, com um sorriso irônico.
— Fugindo das mesmas pessoas que você foge — George sorriu. — Não quero almoçar com Violeta e Liam.
— Sinceramente, nem eu.
George desviou o carro da rota, e o som do trânsito aos poucos se misturou ao silêncio que havia entre eles.
— Para onde vamos? — perguntou Alessa, quebrando o silêncio.
— A uma cafeteria. Mais tranquila.
— Parece ótimo.
O ambiente da cafeteria era aconchegante, com o aroma doce de café recém-passado. Sentaram-se perto da janela, onde a luz do meio-dia iluminava suas expressões serenas.
— Aqui é lindo — observou Alessa.
— Sim, e a comida é excelente — respondeu George.
— Imagino.
George pegou o celular. O nome de Liam piscava na tela.
— Não vou atender — disse, deixando o aparelho sobre a mesa.
— Ele não vai ficar bravo?
— Que fique. Almoçar com eles seria tortura.
Alessa sorriu, pegando um pedaço do bolo.
— Está gostando do café?
— Muito, e o bolo é ainda melhor.
— Bom saber que prefere o de chocolate.
— São os melhores — respondeu ela, rindo.
Quando terminaram, deixaram o local e voltaram para o carro. O caminho de volta à empresa foi tranquilo, mas o clima mudou assim que chegaram. Liam e Violeta os aguardavam já dentro do escritório.
— Onde estavam? — perguntou Liam, fingindo leveza.
— Decidimos ir a uma cafeteria — respondeu George calmamente.
— Ligamos para você — insistiu Violeta.
— O celular devia estar no modo silencioso. Da próxima vez, aviso.
Liam forçou um sorriso que não chegou aos olhos.
— Tudo bem, sem problemas.
George pousou o olhar sobre Alessa.
— Será que posso falar com ela a sós?
— Claro. Vamos, Violeta — disse Liam, empurrando a porta ao sair.
Assim que ficaram sozinhos, George se recostou na cadeira e suspirou.
— São insuportáveis. — Disse em voz baixa, revirando os olhos.
Alessa conteve uma risada.
— Aqui estão as cópias — disse, entregando os papéis.
— Obrigado. Você é uma ótima namorada falsa.
— E você um ótimo chefe disfarçado de namorado — retrucou, divertida. — Voltarei à minha sala.
— Claro.
Mais tarde, ao terminar o turno, Alessa deixou o escritório. No corredor, encontrou Liam.
— Já indo? — perguntou ele.
— Sim.
— É sempre bom ir para casa depois de um dia cheio.
— Verdade, é ótimo.
Entraram juntos no elevador. O silêncio durou alguns segundos.
— Como está seu relacionamento com George? — perguntou Liam, fingindo interesse.
— Está indo bem.
— Ele te trata bem?
— Super bem.
— Vocês não vão embora juntos?
— Hoje não, ele vai ficar até mais tarde. Quero ver meus irmãos.
— Entendo.
— Já vou indo. Até amanhã.
— Até amanhã — respondeu ele, com um olhar enigmático.
Alessa deixou o prédio e seguiu até o apartamento. Assim que entrou, encontrou David, Leonor e Márcia sentados no tapete da sala, jogando cartas.
— Boa noite!
— Finalmente chegou! — exclamou Márcia, levantando-se para abraçá-la.
— Finalmente em casa — respondeu Alessa, sorrindo. — O jogo está divertido?
— Muito! Ganhei várias vezes do seu irmão — disse Márcia, rindo.
— Está precisando melhorar, David — provocou Leonor.
— Da próxima eu ganho de vocês — retrucou ele, cruzando os braços.
— Claro que sim — respondeu Márcia, piscando. — Então, Alessa, vamos sair? Ou está cansada?
— Claro que vamos! Ainda tenho energia pra isso.
— Isso! — comemorou Márcia. — Essa noite será demais!
O riso das duas encheu o apartamento, abafando, por um instante, o peso das tramas que se desenrolavam além das paredes.
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O Chefe
RomansaAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
