Capítulo 58 - Coma da Esperança

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Alessa viu o pai cair no chão da cozinha, o corpo inerte sobre os azulejos manchados de sangue, e correu em sua direção, ajoelhando-se ao lado dele com as mãos tremendo sobre o ferimento no peito.

— Não, não, não! Pai — falou Alessa, com os olhos marejados e as mãos pressionando o local, o sangue quente escorrendo entre os dedos.

— Alessa... — respondeu Luís com dificuldade, a voz fraca e entrecortada, o rosto pálido.

— Aguenta pai, a ambulância já está a caminho — comunicou David, com o celular ainda na mão após a ligação urgente.

Alessa levantou-se abruptamente e caminhou até George, com o rosto contorcido de raiva e desespero.

— Cadê o Liam? Cadê a droga do seu irmão? — esbravejou Alessa, com as lágrimas rolando.

— Calma, Alessa, eu não sei, eu... — gaguejou George, com as mãos erguidas.

— Ele fugiu — respondeu Leonor da mesa, o tom sombrio.

— Droga! — gritou Alessa.

Alessa retirou-se da casa correndo, os pés pisando na grama úmida, e dirigiu-se ao portão aberto, com os olhos varrendo a rua escura em busca de qualquer sinal.

— Liam, seu desgraçado, aparece! — gritou Alessa, a voz ecoando na noite enquanto corria pelo gramado.

[...]

Violeta aguardava George chamá-la de dentro do carro estacionado na rua, com o motor ainda quente, quando ouviu a discussão intensa ecoando da casa. Ao abrir a porta do veículo, avistou Liam correndo para fora pela porta dos fundos, o rosto distorcido. Desembarcou rapidamente e o seguiu, os saltos afundando na terra molhada, tentando alcançá-lo na escuridão.

Ao se aproximarem do portão de ferro, Violeta agarrou um pedaço de madeira grossa que jazia no gramado úmido e golpeou as costas de Liam com força, fazendo-o cair imediatamente de joelhos com um gemido de dor.

— O que está fazendo? — perguntou Violeta com o pedaço de madeira erguida nas mãos.

— O atirador atirou na pessoa errada, ele atirou no Luís — revelou Liam, ofegante.

— Que droga, Liam! — exclamou ela. — Eu lhe avisei que daria errado! Você não vai fugir, não agora.

— Por favor, Violeta, eu vou para cadeia! — suplicou Liam, com os olhos arregalados.

— Eu não me importo! — rebateu Violeta. — Espero que você apodreça lá, para sempre.

— Vagabunda! — esbravejou Liam.

Com esforço, Liam ergueu-se rapidamente, arrancou a madeira das mãos dela com um puxão violento e golpeou a cabeça de Violeta, o impacto ecoando, resultando em desmaio imediato, o corpo dela caindo inerte na grama.

[...]

Alessa alcançou o portão ofegante e deparou-se com Violeta desacordada no chão, com o pedaço de madeira ao lado. Em seguida, George se aproximou correndo, o rosto pálido sob a luz fraca do poste.

— Violeta — chacoalhou Alessa, agachando-se e tocando o rosto dela.

— Liam conseguiu fugir — informou George, olhando ao redor da rua vazia.

— Nós precisamos ir atrás dele! — exigiu Alessa, levantando-se.

— Alessa, calma — pediu George, segurando os ombros dela. — Vamos primeiro cuidar de seu pai e depois deixamos a polícia cuidar de Liam, mas agora a prioridade é Luís, ele precisa de nós.

O ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora