Capítulo 11 - Entre Silêncios e Confissões

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A noite no cinema havia sido leve, quase reconfortante. Apesar do desconforto inicial com a mão de George sobre a sua, Alessa não podia negar que o restante da noite transcorrera de forma agradável. Após o filme, foram a uma pequena lanchonete próxima dali, onde dividiram hambúrgueres e longas conversas. Foi quando ela o conheceu de verdade — ou, ao menos, parte dele.

George contou que tivera uma irmã, Jasmine, que morrera aos treze anos em um acidente de carro junto aos pais. A tragédia deixara marcas profundas. Frank, seu pai, carregava uma culpa silenciosa e amarga, que o tornara um homem severo, frustrado e explosivo. George tentara inúmeras vezes falar sobre o assunto, mas o pai sempre fugia das conversas, reagindo com ira.

Na manhã seguinte, o despertador quebrou o silêncio do quarto. Eram sete horas. Alessa se levantou sonolenta e ligou o notebook, terminando algumas planilhas pendentes para George. Quando finalizou, fechou o computador e o deixou sobre a cômoda.

Por volta das nove, uma batida suave soou à porta. Ela ainda estava de shorts e camiseta quando a abriu.

— George? Eu já te enviei as planilhas. Aconteceu algo?

— Eu sei, e obrigado por isso — respondeu ele, sorrindo. — Preciso que venha comigo à reunião de hoje.

— Posso saber o motivo?

— Claro. Quero que anote algumas informações que vão nos repassar.

— Tudo bem. Vou me trocar e já desço.

— Estarei te esperando lá fora.

Pouco depois, Alessa apareceu pronta. Entrou no elevador ao lado dele, ajustando a pasta que segurava nos braços.

— Essa reunião será onde? — perguntou.

— Em uma empresa próxima. Nada muito longe.

O trajeto foi silencioso. Ao chegarem, seguiram direto ao escritório onde a reunião aconteceria. Homens e mulheres já se encontravam sentados à mesa, prontos para começar. O ambiente exalava formalidade e tensão.

A reunião transcorreu sem incidentes. Alessa anotava com rapidez e precisão, concentrada em cada palavra. George mantinha a postura firme e cortês, embora, vez ou outra, trocasse olhares sutis com ela — como se a presença dela lhe desse algum tipo de tranquilidade.

Quando tudo terminou, voltaram ao hotel.

— Creio que as negociações em Londres chegaram ao fim — comentou George, parando em frente ao quarto dela. — Já podemos voltar para a Espanha. Conseguiu anotar tudo?

— Sim, tudo registrado.

— Perfeito. Arrume suas coisas. Te encontro lá embaixo.

— Certo.

— Alessa?

Ela se virou. — Sim?

— Espero que tenha gostado das nossas saídas.

Um sorriso leve escapou-lhe. — Gostei, sim. Foram dias agradáveis.

— Também gostei de passar esse tempo com você — respondeu ele, com um tom mais suave do que o habitual.

Alessa entrou no quarto e arrumou sua mala. Quando terminou, desceu ao saguão, onde George já a esperava. Colocaram as malas no porta-malas do táxi e seguiram ao aeroporto.

Durante o voo, ela encostou a cabeça na janela, observando as nuvens pela fresta.

— Está com sono? — perguntou George, observando-a.

— Um pouco.

— Parece cansada.

— Estou bem.

— Deveria tentar dormir um pouco.

— Acho que não vou conseguir.

— Então me diga o que achou do filme — insistiu ele, sorrindo.

— Foi bom. Divertido, até.

— Você fala pouco, sabia? — brincou.

Ela riu de leve e deu de ombros.

— Posso te perguntar algo pessoal? — disse ele, após um breve silêncio.

— Claro.

— Você já namorou alguma vez?

A pergunta a pegou desprevenida. Alessa sentiu o rosto aquecer, desviando o olhar.

— Nunca. — A resposta saiu em tom baixo, quase tímido.

George ergueu as sobrancelhas, surpreso. — Sério? Achei que já tivesse.

— Por quê?

— Porque você é uma mulher muito bonita, com todo respeito.

Ela sorriu, sem saber exatamente o que responder. — Obrigada. Acredito que você, sim, já tenha tido várias.

Ele riu. — Na realidade, não. Tive apenas uma, e foi... uma relação falsa. Da parte dela, pelo menos.

— Apenas uma? Surpreendente.

— É, e desde então não me interessei por mais ninguém. — O olhar dele pousou sobre ela, por um instante longo demais.

O silêncio que se seguiu foi denso, mas não desconfortável. Apenas carregado de algo novo, algo que nenhum dos dois ousou nomear.

Quando o avião pousou na Espanha, o motorista de George já os esperava. Entraram no carro e seguiram até o prédio de Alessa. Ele desceu para ajudá-la a tirar a mala do porta-malas.

— Obrigada — disse ela, sorrindo com gentileza.

— Nos vemos amanhã? — perguntou ele, ainda com o olhar fixo no dela.

— Claro. Até amanhã, George.

Alessa entrou no prédio e subiu até seu apartamento. Ao fechar a porta, ficou parada por um momento, encostada nela, sentindo o coração acelerar de leve. Algo estava mudando — e ela não sabia se isso a assustava ou a deixava viva pela primeira vez em muito tempo.

O ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora