O domingo seguinte amanheceu com um ar diferente. O que havia acontecido entre Alessa e George pairava no ar como uma lembrança incômoda, um eco que ela tentava silenciar. A noite em que ele a beijara sem pensar havia deixado marcas invisíveis — não apenas no gesto, mas no olhar que agora evitava o dela.
Levantou-se e seguiu ao chuveiro. A água quente escorria sobre a pele como se pudesse levar consigo o peso da confusão. Ao sair, vestiu-se com um traje social, simples e elegante, e calçou um par de sapatilhas pretas de ponta fina. Respirou fundo e saiu do quarto.
Na cozinha, encontrou os irmãos reunidos ao redor da mesa. O cheiro de café fresco misturava-se ao som dos talheres.
— Bom dia — cumprimentou David, sorrindo.
— Parece contente — observou Alessa, servindo-se de café.
— Conversar com Elizabeth deixou-me assim — respondeu ele, animado.
— Elizabeth é uma mulher muito gentil — comentou Martín, concordando.
— Vocês deveriam visitá-la algum dia — sugeriu Alessa, com um pequeno sorriso.
— Eu vou, assim que tiver tempo — respondeu David.
— E você, Leonor? Sentiu-se bem na viagem? — perguntou ela.
— Sim, foi divertido. Diferente... mas divertido — respondeu Leonor, rindo de leve.
Após o café, Alessa se despediu e seguiu ao trabalho. O caminho até a empresa pareceu mais longo do que o habitual. Quando entrou, respirou fundo antes de encarar o escritório — e a lembrança do beijo que ainda a deixava inquieta. Sentou-se e começou a organizar os documentos.
Pouco tempo depois, ouviram-se batidas suaves à porta. George entrou.
— Bom dia, Alessa — disse ele, com a voz contida.
— Bom dia, George. Precisa de algo?
— Sim. Preciso que tire algumas cópias para mim — estendeu-lhe os papéis. — Estão aqui.
— Claro, deixarei prontas em alguns minutos.
Ele a observou por um instante, antes de perguntar:
— Alessa... você está bem?
— Estou sim. — Ela sorriu, mas o gesto foi breve. — E você?
— Estou bem. — George hesitou por um momento. — Bom, deixarei você trabalhar. Até logo.
— Até logo — respondeu, voltando-se para a tela.
Quando ele se retirou, Alessa suspirou, aliviada e ao mesmo tempo confusa.
Enquanto isso, no escritório principal, George se sentava diante da mesa, o olhar perdido. Pensava no beijo, na forma como havia perdido o controle. O arrependimento o corroía. Não queria ter sido impulsivo, muito menos ter causado desconforto à mulher que tanto respeitava.
Um som de salto alto ecoou pelo corredor. Logo depois, a porta se abriu sem permissão.
— Olá, chefinho — provocou Violeta, entrando com um sorriso malicioso.
George a olhou, exasperado. O vestido vermelho que ela usava parecia calculado para chamar atenção — alças finas, decote em V, um corte lateral que revelava demais.
— O que está fazendo aqui, Violeta? — perguntou, com frieza.
— Não precisa ser tão hostil. — Ela se aproximou, inclinando-se sobre a mesa. — Não gostou do nosso beijo?
George se levantou de súbito. — Ou você sai agora, ou pedirei aos seguranças que a tirem daqui. O que está fazendo é assédio, e eu poderia denunciá-la por isso.
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O Chefe
RomanceAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
