Alessa organizava suas coisas no escritório, o peso do dia ainda pressionando seus ombros. As planilhas finalizadas estavam empilhadas na mesa, e ela guardava o notebook na bolsa quando a porta se abriu. Rafael entrou, com um sorriso amigável, as mãos nos bolsos.
— Boa noite, Alessa — disse, com um tom leve. — Já tá indo?
— Boa noite, Rafael — respondeu ela, com um sorriso educado, fechando a bolsa. — Tô sim. E você?
— Também — disse ele, com um aceno. — Ouvi dizer que o George vai ficar até mais tarde. Quer que eu te acompanhe até o prédio?
Alessa hesitou, a lembrança da irritação de George com o almoço que tivera com Rafael voltando à sua mente. Queria recusar, evitar qualquer mal-entendido, mas a educação prevaleceu. — Claro, tudo bem — respondeu, com a voz neutra, embora seu instinto gritasse o contrário.
— Ótimo — disse Rafael, com um sorriso, gesticulando para a porta.
Ela pegou a bolsa, e eles saíram do escritório, descendo pelo elevador até a recepção e deixando o prédio.
No escritório, George tentava se concentrar nas anotações, mas sua mente estava inquieta, voltando constantemente para Alessa. A preocupação com ela e a pressão do noivado falso o distraíam, tornando cada palavra no papel um esforço. Ele se levantou da cadeira, esfregando a nuca, e caminhou até a janela, buscando um momento de clareza. O estacionamento abaixo estava quase vazio, iluminado pelos postes de luz que projetavam sombras longas. Foi então que ele a viu: Alessa, caminhando ao lado de Rafael, os dois conversando enquanto se afastavam do prédio.
A cena o atingiu como um soco no estômago. Uma onda de irritação, misturada com algo que ele não queria nomear, subiu por seu peito. A lembrança do almoço de Alessa com Rafael, que o incomodara tanto, voltou com força. Sem pensar, George pegou o celular no bolso, seus dedos movendo-se rapidamente para discar o número dela. Ele precisava intervir, trazê-la de volta, mesmo que fosse sob o pretexto dos relatórios. A ideia de Alessa com Rafael, mesmo que inocente, era insuportável.
Alessa que caminhava com Rafael, sentiu o celular vibrar em seu bolso da blusa. Ela o pegou e após avistar o nome de George na tela, parou abruptamente. Com um suspiro atendeu.
— Oi, George — disse, com um tom cauteloso. — Precisa de algo?
— Preciso que você venha até meu escritório — respondeu George, com a voz firme, quase urgente.
Alessa franziu a testa, sentindo um aperto no peito. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou, com preocupação.
— Só preciso que venha — disse ele, com um tom que não admitia discussão. — Te explico quando chegar.
— Tudo bem, já tô indo — respondeu Alessa, com a voz tensa.
Ela desligou o celular, guardando-o na bolsa, e virou-se para Rafael, com uma expressão de desculpas. — Desculpa, Rafael, preciso voltar — disse, com um tom educado.
— Tudo bem, não precisa se desculpar — respondeu ele, com um aceno compreensivo. — Até amanhã.
— Até — disse Alessa, com um sorriso forçado, afastando-se.
George no escritório, desligou a chamada, ainda olhando pela janela, vendo Alessa se despedir de Rafael e voltar para o prédio. A tensão em seu peito diminuiu, mas não desapareceu. Ele voltou à mesa, tentando se recompor, preparando-se para o momento em que ela entraria.
Alessa voltou ao prédio, subiu pelo elevador e bateu na porta do escritório de George. Ao abri-la, encontrou-o de pé, com os braços cruzados, olhando para uma pilha de papéis na mesa. Seus olhos se encontraram, e ela percebeu uma sombra de tensão em seu rosto.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Chefe
RomanceAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
