Capítulo 38 - Estrelas Silenciosas e Pressões Crescentes

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Ao chegarem ao prédio, Alessa olhou para Leonor, que carregava uma expressão de preocupação, e tocou seu ombro suavemente. — Vou sair pra respirar um pouco — disse, com a voz cansada, tentando esboçar um sorriso. — Fiquem no apartamento, tá bem?

Leonor assentiu, com um olhar compreensivo, e Alessa deixou o apartamento, descendo as escadas com passos lentos. O ar fresco da noite a envolveu quando saiu, e ela caminhou até o gramado próximo ao lago, a poucos quarteirões do prédio. Sentou-se na grama macia, deitou-se de costas e fixou os olhos no céu estrelado, as luzes de Madri refletindo na água tranquila do lago. A brisa suave trazia um leve alívio, mas sua mente estava agitada, revisitando a ligação de Luís e a discussão com David. Como ele descobrira onde estavam? Será que sabia até o endereço do apartamento? A certeza de que Luís planejava algo a corroía, alimentando sua desconfiança.

O celular tocou, interrompendo seus pensamentos. Alessa o tirou do bolso, olhou a tela e atendeu, com a voz carregada de desânimo.

— Alô? — murmurou, apoiando-se nos cotovelos.

— Oi, Alessa! — exclamou Márcia, com um tom vibrante de entusiasmo. — Você não vai acreditar no que aconteceu hoje!

— O que houve? — perguntou Alessa, tentando soar interessada, apesar do peso em seu peito.

— Jantei com o Carlos — disse Márcia, com um tom animado. — Conversamos sobre nossas vidas, nossos planos pro futuro. Quando nos despedimos, nos beijamos, Alessa! E antes que eu saísse, ele me convidou pra outro encontro. Tô com a certeza de que dessa vez vai ser ainda mais especial.

— Isso é ótimo, Márcia — respondeu Alessa, com um sorriso fraco, tentando acompanhar o entusiasmo da amiga.

— Tô muito feliz! — continuou Márcia, com um riso leve. — E você, como foi seu dia? Como tá sua noite?

Alessa suspirou, olhando para o lago. — Não tão feliz quanto a sua — admitiu, com a voz baixa.

— O que aconteceu? — perguntou Márcia, o tom mudando para preocupação.

— Meu pai ligou pro David — disse Alessa, com um tom seco, sentindo o estômago apertar só de mencionar Luís.

— O quê? Como assim? — exclamou Márcia, incrédula, a voz subindo de tom.

— Foi hoje à noite — explicou Alessa, sentando-se na grama. — Levei meus irmãos pra jantar numa lanchonete. Na volta, enquanto caminhávamos, o Luís ligou de um número desconhecido. Pedi pro David atender no viva-voz. Ele disse que tá bem, que sentia saudades, perguntou se estamos na Espanha e falou que tá vindo pra cá a trabalho. Mas quando o questionei sobre o motivo da ligação, ele desligou na hora.

— Que estranho — disse Márcia, com um tom sério. — Parece que ele quer alguma coisa de vocês.

— Foi exatamente o que eu disse — respondeu Alessa, com um tom frustrado, arrancando uma folha de grama. — Mas o David não quer aceitar que o Luís continua sendo a mesma pessoa ruim de sempre.

— Como seus irmãos tão lidando com isso? — perguntou Márcia, com preocupação.

— O Martín mal se lembra do Luís — disse Alessa, com um suspiro. — A Leonor achou suspeito, mas o David tá muito chateado comigo. Discutimos no caminho pro prédio, e ele ficou tão irritado que foi embora por outro lado. Agora tô aqui, perto do lago, enquanto a Leonor e o Martín estão no apartamento.

— Você não tá preocupada com ele? — perguntou Márcia, com um tom cauteloso.

— Ele já fez isso antes — respondeu Alessa, com um tom que tentava soar confiante. — Só precisa esfriar a cabeça.

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora