O sol da tarde filtrava pelas vitrines amplas da loja de vestidos de noiva, pintando o chão de mármore com listras douradas. Alessa sentava-se em um sofá de veludo creme, as pernas cruzadas, um copo de água com gás na mão e os olhos fixos na cortina pesada do provador. O ar cheirava a lavanda e tecido novo, e o som suave de uma harpa tocava nos alto-falantes. Márcia havia entrado ali há vinte minutos, murmurando algo sobre "o vestido perfeito", e Alessa mal continha a ansiedade.
A cortina se abriu com um farfalhar dramático. Márcia saiu radiante, com o vestido abraçando cada curva como se tivesse sido costurado diretamente sobre a pele. O corpete justo era adornado com bordados delicados de pérolas e fios de prata, o decote em V profundo revelando o colar de clavícula, e alças rendadas caindo suavemente pelos ombros como asas de borboleta. A saia longa estilo godê explodia da cintura em camadas de tule e renda, descendo em cascata até o chão, complementada por um véu longo e etéreo que arrastava atrás como uma nuvem.
— Então — disse Márcia, girando devagar, com a voz trêmula de emoção. — O que achou? Seja honesta. Se eu parecer um bolo de casamento ambulante, me diga agora.
Alessa levou a mão à boca, os olhos marejados. — Você ficou linda com este vestido! — exclamou, levantando-se num salto. — Linda não cobre. Você está... deslumbrante. Radiante. Como se o vestido tivesse nascido para você.
— Você acha mesmo? — perguntou Márcia, tocando o corpete com dedos hesitantes, olhando-se no espelho de corpo inteiro. — Porque eu amei, mas... e se for demais? E se eu tropeçar no véu?
— Sim! — insistiu Alessa, aproximando-se e ajustando uma alça. — Deveria ficar com este. Ele ficou muito bem em seu corpo. Você está linda, Márcia! O David vai desmaiar quando te vir.
Márcia sorriu, os olhos brilhando com lágrimas contidas. — Fico muito feliz em ouvir isso — murmurou, emocionada. — Então será este que levarei. É o vestido. O meu vestido.
— Ótimo! — exclamou Alessa, batendo palmas. — Vamos embrulhar e levar para casa antes que você mude de ideia.
A vendedora, uma mulher elegante de cabelos grisalhos, aproximou-se com um sorriso profissional.
— Perfeito escolha, senhorita — disse, medindo o véu. — Vamos ajustar a bainha e o corpete. Em duas semanas, estará pronto para o grande dia.
Ao saírem da loja, o vestido embrulhado em papel de seda e caixa branca, pegaram um táxi e seguiram para a floricultura no centro da cidade. O trânsito estava calmo, o sol poente tingindo o céu de rosa.
— Fico feliz por você estar comigo — disse Márcia, encostando a cabeça no ombro de Alessa— Minha melhor amiga ajudando-me com meu casamento... isso é incrível. Parece um sonho.
— Eu também fico feliz — respondeu Alessa, apertando a mão dela. — Principalmente por você estar se casando com meu irmão. David sempre foi louco por você. Lembra quando ele desenhou seu nome no caderno da escola?
— É loucura, não acha? — riu Márcia, balançando a cabeça. — No passado, eu jamais pensaria em me casar com David. Ele era o menino quieto que me emprestava borracha. E agora... aqui estou eu, escolhendo vestido de noiva.
— Sempre penso nisso e toda vez acho surreal — concordou Alessa. — Mas é o tipo de surreal bom. Vocês merecem.
— Espero que isso dure para sempre — sussurrou Márcia, olhando pela janela. — Que a gente envelheça brigando por causa do controle remoto e rindo das mesmas piadas ruins.
— Eu também — respondeu Alessa, sincera. — E vai durar. Vocês são perfeitos juntos.
Ao chegarem à floricultura, entraram na loja fresca, o ar carregado de perfume de lírios e rosas. Corredores de baldes coloridos se estendiam, flores de todos os tipos explodindo em buquês.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Chefe
RomantikAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
