Capítulo 14 - Entre o Som do Mar e as Palavras Não Ditas

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Alguns dias haviam se passado. A manhã chegou preguiçosa, e Alessa despertou com o corpo pesado. A noite anterior fora longa — o sono se negara a vir, substituído por pensamentos que se arrastavam até a casa de praia.

Na cozinha, os irmãos já estavam à mesa. O cheiro de café fresco preenchia o ar quando ela se sentou, com um suspiro cansado.

— Bom dia, pronta para viajar? — perguntou Leonor, sorrindo.

— Não muito.

— Por quê? — indagou David, franzindo o cenho.

— Porque não quero correr o risco de ser humilhada de novo pelo Frank.

— Relaxa, isso não vai acontecer. Mas, se acontecer, saiba que seu querido irmão vai defendê-la — disse David, em tom brincalhão. — E, se for preciso, o humilho à altura.

— Agradeceria muito — respondeu Alessa, rindo de leve.

— Vai dar tudo certo — acrescentou Leonor. — A senhora Jones parece uma mulher gentil, e George vai estar lá.

— Eu sei, mas ainda assim me deixa nervosa.

— O nervosismo é bom, significa que você se importa — comentou David, pegando outra fatia de pão. — E, sinceramente, acho que o Frank não é páreo pra você.

— Veremos — disse Alessa, com um meio sorriso.

O café terminou entre risadas curtas e pequenas trocas de olhares cúmplices.

De volta ao quarto, Alessa abriu o armário e escolheu um vestido branco e curto, com mangas largas e tecido leve. O decote em V marcava-lhe a silhueta, e a saia rodada acompanhava o movimento de seus passos. Ao ligar o celular, viu a mensagem de George: "Já estou esperando lá embaixo."

Pegou a bolsa e foi até o quarto de David.

— Já está pronto? George está nos esperando.

— Sim, já estou. E você, nervosa?

— Um pouco — respondeu, ajustando o cabelo diante do espelho.

— Fica tranquila, vai dar tudo certo.

Saíram do apartamento e desceram as escadas. George os esperava próximo ao carro, com o olhar tranquilo e o mesmo sorriso discreto de sempre.

— Bom dia — cumprimentou ele.

— Bom dia — respondeu Alessa.

— Bom dia — disseram os irmãos, em coro.

Entraram no carro, e o som do motor quebrou o silêncio da rua.

— Estão animados? — perguntou George, olhando o grupo pelo retrovisor.

— Sim! — exclamou Martín, entusiasmado. — Vai ser incrível!

— Todos nós estamos, obrigado por nos convidar — disse David.

— Fico feliz que estejam animados — respondeu George. — E você, Alessa?

— Sim, também estou — respondeu com um leve sorriso.

George olhou para ela, pousando a mão sobre a dela por um breve instante antes de voltar a encarar a estrada.

— Relaxa, o resto da minha família não é inconveniente como o Frank.

— Espero que não — disse Alessa, respirando fundo.

— E se ele disser qualquer coisa, finja que não ouviu — completou George. — Ele adora provocar reações.

— Acredito. Mas não darei esse prazer a ele.

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora