Alessa sentia o aroma acolhedor de ervas frescas e alho dourando na frigideira preenchendo a cozinha ampla de George, onde luzes quentes pendiam do teto como lanternas suaves, projetando sombras dançantes sobre as bancadas de granito polido. Ao chegarem à casa dele, uma residência moderna com janelas amplas que deixavam entrar o crepuscular dourado do entardecer, eles adentraram diretamente, o som dos passos ecoando no piso de madeira reluzente enquanto se dirigiam à cozinha.
— Agora sente-se aqui — disse George, direcionando-a com gentileza até uma cadeira estofada ao lado da ilha central, o tom de voz animado e protetor. — E espere o jantar. Vou caprichar para você.
— Tudo bem — respondeu Alessa, acomodando-se com um sorriso tímido, as mãos cruzadas no colo enquanto observava os movimentos ágeis dele. — George, posso lhe fazer algumas perguntas? Acredito que não nos conhecemos de verdade, pelo menos não o suficiente.
George pegou uma faca afiada e começou a cortar legumes com precisão — cenouras crocantes, pimentões vermelhos vibrantes e cebolas que faziam seus olhos marejarem ligeiramente —, o som ritmado da lâmina contra a tábua de madeira preenchendo o ar.
— Pode fazer a pergunta que quiser — respondeu ele, erguendo o olhar com um sorriso encorajador, sem interromper o ritmo.
— Que profissão você quer realmente seguir? — indagou Alessa, inclinando-se para frente, os olhos castanhos fixos nele com genuína curiosidade.
George pausou por um instante, a faca suspensa no ar, antes de retomar o corte com um suspiro reflexivo.
— Eu sempre pensei em ser um chefe de cozinha e abrir um restaurante — confessou ele, a voz carregada de um sonho há muito guardado, os legumes caindo em pilhas coloridas.
— Então por que não faz isso? — pressionou Alessa, a voz suave, mas insistente, estendendo a mão para tocar levemente o braço dele em encorajamento.
— Meu pai se zangaria se eu deixasse a empresa — explicou George, o rosto nublado por uma sombra de frustração, colocando os legumes em uma panela que já chiava no fogão.
Alessa balançou a cabeça devagar, o coração apertado pela relutância dele, vendo o potencial que brilhava em cada gesto culinário.
— George, você não deveria fazer algo apenas para agradar seu pai — argumentou ela, a voz firme e compassiva. — Veja só o potencial em você! Com seu talento na cozinha, sem dúvida seria um excelente chef e seu restaurante seria um sucesso. Imagine as pessoas provando pratos criados por você, voltando sempre por mais.
George virou-se para ela, os olhos suavizando com a validação, mas ainda hesitantes.
— Eu entendo, mas é que, pela primeira vez, meu pai me deu algo: a oportunidade de trabalhar na empresa da família — admitiu ele, mexendo os legumes com uma colher de pau, o vapor subindo em espirais aromáticas. — Mesmo que eu ainda o "odeie", por assim dizer, não quero decepcioná-lo. Seria como jogar fora o único gesto positivo que ele me deu.
— George, seu pai tem sido muito rude com você, até mesmo no ambiente de trabalho — rebateu Alessa, sem rodeios, mas com empatia profunda. — Desculpe se pareço direta, mas acredito que seria importante você conversar com Frank e expressar seu desejo de seguir o caminho de chef de cozinha, em vez de permanecer na empresa. Ele precisa ouvir isso de você.
George riu baixinho, um som amargo misturado a resignação, enquanto adicionava temperos à panela.
— Se eu falar isso para ele, a única reação que vou ter é Frank rindo de mim e dizendo o quão ridículo e patético isso é, assim como ele me vê — disse ele, imitando a voz grave do pai com um tom sarcástico, mas os olhos revelando a dor antiga.
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O Chefe
RomanceAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
