No quarto de David, o silêncio era quebrado apenas pelo som distante dos carros na rua. Ele segurava o celular, o coração acelerado, enquanto a voz de Luís ecoava do outro lado da linha. A culpa por estar conversando com Luís já começava a pesar, mas a curiosidade sobre o pai o mantinha na conversa.
— Por que não quer conversar com a Alessa? — perguntou David, com a voz cautelosa, sentando-se na cama, os olhos fixos na porta fechada.
Luís suspirou, a voz carregada de hesitação. — Não consigo falar com ela, David, não depois de tudo o que fiz — admitiu, com um tom de vergonha. — Sinto muita vergonha.
— Mas é importante que você converse com ela — insistiu David, com firmeza. — A Alessa precisa saber que você tá arrependido.
— Eu sei, mas não consigo, não agora — disse Luís, com a voz baixa. — A Alessa não me perdoaria.
David franziu a testa, sentindo a frustração crescer. — Ela pode te perdoar, sim — disse, com um tom encorajador. — Só precisa tentar.
Luís ficou em silêncio por um momento, como se pesasse as palavras. — Um dia eu vou tentar — disse, finalmente, com um tom resignado. — E a Leonor e o Martín, como eles tão?
— Tão bem — respondeu David, com um leve sorriso. — Tenho certeza que a Leonor falaria com você.
— Não sei — disse Luís, com dúvida. — A Leonor tem o mesmo temperamento que a Alessa, não tem?
David riu, balançando a cabeça. — Talvez, mas ela não se lembra tanto do passado quanto a Alessa — explicou. — Acho que ela estaria disposta a conversar.
— Então eu vou falar com ela, não se preocupa — prometeu Luís, com um tom mais leve.
— Como você conseguiu nos encontrar? — perguntou David, com curiosidade, inclinando-se para frente.
— Lembra da vizinha? A Anna — disse Luís, com um tom nostálgico.
— Lembro, a gente se despediu dela antes de vir pra cá — respondeu David, franzindo a testa.
— Pois é — continuou Luís. — Voltei pra casa na esperança de encontrar vocês e pedir desculpas, mas a casa tava vazia. Perguntei pra Anna se ela sabia de alguma coisa, e ela me contou que vocês tinham ido pra Espanha.
— E suponho que ela te deu meu número também — disse David, com um tom seco, começando a entender.
— Exatamente — confirmou Luís. — A Anna me passou seu contato.
David assentiu, processando a informação. — Então você tá vindo pra nos encontrar? — perguntou, com uma mistura de esperança e desconfiança.
— Sim, mas provavelmente a Alessa vai bater a porta na minha cara — respondeu Luís, com um tom que tentava ser leve, mas carregava um peso.
David hesitou, pensando em como responder. — Conheço um lugar onde a gente poderia se encontrar — disse, com um tom cauteloso.
— Qual? — perguntou Luís, com curiosidade.
— Antes preciso saber em que dia você vem — respondeu David, mantendo a voz firme.
— Tá previsto pro próximo mês — disse Luís, com entusiasmo. — Dia vinte e dois.
David arregalou os olhos, percebendo a coincidência. — Perfeito! — exclamou. — A Alessa vai se casar nesse dia. Você pode vê-la no casamento.
— Sua irmã vai se casar? — perguntou Luís, surpreso, a voz cheia de emoção. — Que maravilhoso! Fico muito feliz por ela.
— A gente também tá — disse David, com um sorriso, mas logo se lembrou do pedido de Alessa para não mencionar nada sobre ela e George. Era tarde demais.
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O Chefe
RomantizmAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
