Capítulo 13 - Laços e Distâncias

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O despertador soou insistente, e Alessa ergueu-se devagar, tentando afastar o peso do sono. A manhã estava silenciosa, envolta por uma claridade pálida que atravessava a cortina. Após se vestir com cuidado, seguiu até a cozinha, onde o aroma do café fresco se espalhava pelo ar.

— Bom dia, tudo bem? — perguntou David, servindo-se de suco.

— Sim, está tudo bem, e você?

— Estou bem também, apenas cansado.

— Mesmo? Sabe que pode conversar comigo, não é?

— Sei, Alessa. Mas está tudo tranquilo, só mais uma semana corrida.

— Entendo. Às vezes parece que o trabalho não dá trégua.

— É verdade. E você, dormiu bem?

— Mais ou menos. Acordei algumas vezes durante a noite, pensando em algumas coisas.

— Coisas boas, espero.

— Nem todas — disse ela, forçando um leve sorriso. — Mas nada que um café não resolva.

David sorriu, tentando aliviar o clima.

— Fico feliz que esteja bem. Se precisar conversar, estou aqui.

— Obrigada, David. Preciso ir, até mais tarde.

— Até mais tarde, Alessa. Boa sorte hoje.

Ao deixar o prédio, Alessa avistou George encostado no carro, esperando-a com um semblante tranquilo.

— O que houve? — perguntou surpresa. — Pensei que nos encontraríamos lá.

— Hoje iremos juntos. Meus pais estarão me esperando na empresa, e achei melhor irmos juntos.

— Ah, certo. Achei que tivesse algum imprevisto.

— Nada disso. Apenas uma manhã um pouco diferente.

Entraram no carro, e o motor rompeu o silêncio da rua. O trânsito leve permitia que conversassem em tom sereno.

— Minha mãe pensou em convidar alguns familiares para irem à casa de praia também — comentou George. — Ela quer que conheçam você.

— Isso é gentil da parte dela, mas confesso que me deixa um pouco nervosa.

— Nervosa por quê?

— Não conheço ninguém além de vocês, e... bom, depois do que aconteceu com seu pai, fico receosa.

— Entendo — disse George, lançando-lhe um olhar de compreensão. — Mas pode ficar tranquila. Nem todos são como ele.

— Espero que não — respondeu Alessa, tentando disfarçar a tensão com um sorriso breve. — Já é difícil o bastante me sentir à vontade em meio a tanta gente importante.

— Importante? — George riu. — Eles só fingem ser. No fundo, são tão humanos quanto nós.

— Espero que sim. Eu ficaria constrangida se alguém me olhasse como se eu não pertencesse ao lugar.

— Isso não vai acontecer. E se alguém fizer, eu mesmo cuido disso.

Alessa não respondeu, apenas assentiu, observando a cidade que despertava pela janela.

Ao chegarem à empresa, Elizabeth e Frank já os esperavam na recepção. Elizabeth levantou-se com um sorriso acolhedor.

— Bom dia, querido — disse, abraçando o filho.

— Oi, mãe.

— Olá, Alessa, que bom revê-la — cumprimentou Elizabeth com gentileza.

— Oi, senhora Jones, é bom revê-la também.

O ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora