Capítulo 24 - Encontros à Luz do Caos

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A noite havia caído sobre a cidade, e o brilho das vitrines se refletia nas calçadas úmidas. Márcia e Alessa desciam as escadas do prédio rindo baixo, ajeitando as alças das bolsas com o descuido de quem só queria se divertir. Um táxi as aguardava na esquina, e logo seguiram em direção à balada, onde o som pulsava em ondas que faziam o ar vibrar.

O ambiente estava lotado. Luzes coloridas cortavam a penumbra, dançando sobre rostos e copos. O aroma das bebidas se misturava ao perfume das pessoas que se moviam ao ritmo da música.

— Nossa, está cheio — comentou Márcia, ajeitando o cabelo diante do espelho lateral.

— Até demais — respondeu Alessa, tentando acompanhar o fluxo de corpos que se agitavam na pista.

— Vamos beber alguma coisa?

— Claro.

As duas se aproximaram do balcão. O barman, de sorriso ensaiado, enxugava copos com um pano branco.

— O que vão querer? — perguntou ele.

— Duas tequilas — respondeu Márcia, sem hesitar.

— É pra já.

Alessa arqueou uma sobrancelha.
— Tequila? Começando forte, né?

— A noite é pra isso mesmo — disse Márcia, piscando divertida.

Poucos minutos depois, os copos estavam diante delas. Brindaram e beberam de um só gole.

— Ugh... isso queima — disse Alessa, fazendo careta.

— É o espírito da coisa! — riu Márcia. — Agora vem, vamos caçar uns gatinhos.

Foram para a pista. A música eletrônica dominava o espaço, e elas se deixaram levar. O riso das duas se misturava às batidas, e foi então que dois homens se aproximaram, sorrindo.

O primeiro era alto, de cabelos escuros e olhos verdes intensos. O outro, igualmente alto, tinha pele morena e olhos escuros que transmitiam calma e mistério.

— Olá, gatinhas — disse o de olhos verdes.

— Olá — respondeu Márcia, com um sorriso animado.

— Querem sentar um pouco? — perguntou o moreno.

— Claro — respondeu ela, sem pensar muito.

Sentaram-se numa mesa próxima. O som da música parecia distante ali.

— Como se chamam? — perguntou Márcia.

— Sou Carlos — respondeu o de olhos verdes.

— E eu, Rafael — completou o outro.

— Prazer. Eu sou Márcia, e essa é a Alessa.

— O prazer é todo nosso — disse Carlos, com um olhar insinuante. — Vocês são lindas.

— Obrigada, vocês também não ficam atrás — devolveu Márcia, provocante.

— São de onde? — perguntou Rafael.

— De Portugal — respondeu Alessa.

— Duas portuguesas! — exclamou Carlos. — Eu sou da Argentina.

— E eu, de Cabo Verde — completou Rafael.

Márcia riu. — Uau, um grupo internacional.

— Exato — respondeu Carlos, galante. — Mas me digam, estão solteiras?

— Estamos — disse Márcia, sem hesitar. — Quer dizer, eu estou.

— Eu namoro — respondeu Alessa.

Márcia a olhou surpresa. — O quê? E eu não sabia disso por quê?

— Porque não deu tempo de te contar — respondeu Alessa, com um sorriso disfarçado.

— E quem é o sortudo? — insistiu Márcia.

— Depois te conto.

Carlos fingiu decepção. — Que pena ter só uma solteira.

— Ainda podemos ser amigos — disse Rafael, com um sorriso sereno.

— Claro — respondeu Alessa.

— Então troquemos contatos — sugeriu Carlos. — Assim combinamos outro encontro.

— Boa ideia — concordou Márcia, pegando o celular.

Trocaram números e voltaram à pista. Riram, dançaram e se perderam nas horas. Quando a madrugada já avançava, chamaram um táxi e voltaram para o apartamento.

Assim que entraram, jogaram as bolsas no sofá e caíram sentadas, rindo ainda sem fôlego.

— Foi divertido — disse Márcia, recostando-se.

— Foi mesmo. Mas confessa: você não desgrudou do Carlos a noite toda — provocou Alessa.

— E você viu como ele era lindo? Meu Deus, que homem! — suspirou Márcia.

— Tenho que admitir — respondeu Alessa. — Era bonito mesmo.

— Aposto que ainda vamos sair de novo. E se der certo, você vai ser madrinha do casamento — brincou Márcia.

— Pode deixar, estarei lá — respondeu Alessa, rindo.

O riso das duas encheu o apartamento, apagando por um instante o cansaço e qualquer sombra do dia.

— Estou exausta — disse Márcia, levantando-se. — Vou dormir.

— Vai lá. Eu já vou também.

Na manhã seguinte, o sol atravessava as cortinas, tingindo o quarto em tons dourados. Alessa acordou com dor de cabeça e olhos pesados. Espiou o relógio e suspirou. Márcia ainda dormia profundamente, o rosto tranquilo.

Depois de um banho demorado, Alessa vestiu-se, calçou os tênis e foi até a cozinha, onde Leonor e David tomavam café.

— Bom dia — murmurou.

— Bom dia — respondeu Leonor, rindo. — Você parece péssima.

— Eu pareço muito péssima? — perguntou Alessa, semicerrando os olhos.

— Muito — confirmou Leonor, divertida.

David abriu uma gaveta, pegou um comprimido e lhe entregou. — Toma. É pra ressaca.

— Obrigada — disse Alessa, tomando com um gole d'água.

Logo depois, pegou a bolsa e saiu para o trabalho. No escritório, deixou a bolsa sobre a mesa e apoiou a cabeça nos braços. O som distante do relógio marcava o tempo até que uma voz suave a despertou.

— Alessa? — chamou George, tocando-lhe o ombro.

Ela levantou a cabeça, assustada.
— Ah, George... desculpe. Acho que cochilei.

— Está bem? — perguntou ele, observando-a com preocupação.

— Sim, só um pouco cansada.

— Parecia outra coisa — comentou ele, ainda atento. — Vim avisar que teremos um novo funcionário.

— Entendido. Obrigada por avisar.

— Quero apresentá-lo a você pessoalmente — completou.

— Claro, já vou.

Alessa ajeitou o cabelo e o acompanhou até a sala dele. Ao entrar, seu olhar congelou.

Diante dela, estava o homem da noite anterior.

Rafael sorriu — o mesmo sorriso calmo e enigmático da balada.

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