A noite havia caído sobre a cidade, e o brilho das vitrines se refletia nas calçadas úmidas. Márcia e Alessa desciam as escadas do prédio rindo baixo, ajeitando as alças das bolsas com o descuido de quem só queria se divertir. Um táxi as aguardava na esquina, e logo seguiram em direção à balada, onde o som pulsava em ondas que faziam o ar vibrar.
O ambiente estava lotado. Luzes coloridas cortavam a penumbra, dançando sobre rostos e copos. O aroma das bebidas se misturava ao perfume das pessoas que se moviam ao ritmo da música.
— Nossa, está cheio — comentou Márcia, ajeitando o cabelo diante do espelho lateral.
— Até demais — respondeu Alessa, tentando acompanhar o fluxo de corpos que se agitavam na pista.
— Vamos beber alguma coisa?
— Claro.
As duas se aproximaram do balcão. O barman, de sorriso ensaiado, enxugava copos com um pano branco.
— O que vão querer? — perguntou ele.
— Duas tequilas — respondeu Márcia, sem hesitar.
— É pra já.
Alessa arqueou uma sobrancelha.
— Tequila? Começando forte, né?
— A noite é pra isso mesmo — disse Márcia, piscando divertida.
Poucos minutos depois, os copos estavam diante delas. Brindaram e beberam de um só gole.
— Ugh... isso queima — disse Alessa, fazendo careta.
— É o espírito da coisa! — riu Márcia. — Agora vem, vamos caçar uns gatinhos.
Foram para a pista. A música eletrônica dominava o espaço, e elas se deixaram levar. O riso das duas se misturava às batidas, e foi então que dois homens se aproximaram, sorrindo.
O primeiro era alto, de cabelos escuros e olhos verdes intensos. O outro, igualmente alto, tinha pele morena e olhos escuros que transmitiam calma e mistério.
— Olá, gatinhas — disse o de olhos verdes.
— Olá — respondeu Márcia, com um sorriso animado.
— Querem sentar um pouco? — perguntou o moreno.
— Claro — respondeu ela, sem pensar muito.
Sentaram-se numa mesa próxima. O som da música parecia distante ali.
— Como se chamam? — perguntou Márcia.
— Sou Carlos — respondeu o de olhos verdes.
— E eu, Rafael — completou o outro.
— Prazer. Eu sou Márcia, e essa é a Alessa.
— O prazer é todo nosso — disse Carlos, com um olhar insinuante. — Vocês são lindas.
— Obrigada, vocês também não ficam atrás — devolveu Márcia, provocante.
— São de onde? — perguntou Rafael.
— De Portugal — respondeu Alessa.
— Duas portuguesas! — exclamou Carlos. — Eu sou da Argentina.
— E eu, de Cabo Verde — completou Rafael.
Márcia riu. — Uau, um grupo internacional.
— Exato — respondeu Carlos, galante. — Mas me digam, estão solteiras?
— Estamos — disse Márcia, sem hesitar. — Quer dizer, eu estou.
— Eu namoro — respondeu Alessa.
Márcia a olhou surpresa. — O quê? E eu não sabia disso por quê?
— Porque não deu tempo de te contar — respondeu Alessa, com um sorriso disfarçado.
— E quem é o sortudo? — insistiu Márcia.
— Depois te conto.
Carlos fingiu decepção. — Que pena ter só uma solteira.
— Ainda podemos ser amigos — disse Rafael, com um sorriso sereno.
— Claro — respondeu Alessa.
— Então troquemos contatos — sugeriu Carlos. — Assim combinamos outro encontro.
— Boa ideia — concordou Márcia, pegando o celular.
Trocaram números e voltaram à pista. Riram, dançaram e se perderam nas horas. Quando a madrugada já avançava, chamaram um táxi e voltaram para o apartamento.
Assim que entraram, jogaram as bolsas no sofá e caíram sentadas, rindo ainda sem fôlego.
— Foi divertido — disse Márcia, recostando-se.
— Foi mesmo. Mas confessa: você não desgrudou do Carlos a noite toda — provocou Alessa.
— E você viu como ele era lindo? Meu Deus, que homem! — suspirou Márcia.
— Tenho que admitir — respondeu Alessa. — Era bonito mesmo.
— Aposto que ainda vamos sair de novo. E se der certo, você vai ser madrinha do casamento — brincou Márcia.
— Pode deixar, estarei lá — respondeu Alessa, rindo.
O riso das duas encheu o apartamento, apagando por um instante o cansaço e qualquer sombra do dia.
— Estou exausta — disse Márcia, levantando-se. — Vou dormir.
— Vai lá. Eu já vou também.
Na manhã seguinte, o sol atravessava as cortinas, tingindo o quarto em tons dourados. Alessa acordou com dor de cabeça e olhos pesados. Espiou o relógio e suspirou. Márcia ainda dormia profundamente, o rosto tranquilo.
Depois de um banho demorado, Alessa vestiu-se, calçou os tênis e foi até a cozinha, onde Leonor e David tomavam café.
— Bom dia — murmurou.
— Bom dia — respondeu Leonor, rindo. — Você parece péssima.
— Eu pareço muito péssima? — perguntou Alessa, semicerrando os olhos.
— Muito — confirmou Leonor, divertida.
David abriu uma gaveta, pegou um comprimido e lhe entregou. — Toma. É pra ressaca.
— Obrigada — disse Alessa, tomando com um gole d'água.
Logo depois, pegou a bolsa e saiu para o trabalho. No escritório, deixou a bolsa sobre a mesa e apoiou a cabeça nos braços. O som distante do relógio marcava o tempo até que uma voz suave a despertou.
— Alessa? — chamou George, tocando-lhe o ombro.
Ela levantou a cabeça, assustada.
— Ah, George... desculpe. Acho que cochilei.
— Está bem? — perguntou ele, observando-a com preocupação.
— Sim, só um pouco cansada.
— Parecia outra coisa — comentou ele, ainda atento. — Vim avisar que teremos um novo funcionário.
— Entendido. Obrigada por avisar.
— Quero apresentá-lo a você pessoalmente — completou.
— Claro, já vou.
Alessa ajeitou o cabelo e o acompanhou até a sala dele. Ao entrar, seu olhar congelou.
Diante dela, estava o homem da noite anterior.
Rafael sorriu — o mesmo sorriso calmo e enigmático da balada.
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O Chefe
RomansaAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
