Capítulo 03 - A Mentira Necessária

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Alessa Rodriguez permaneceu imóvel por um instante, os olhos arregalados diante da inesperada declaração de George.

— Como? — murmurou, surpresa.

— Sua namorada? — indagou o pai de George, olhando para ela com desconfiança, franzindo levemente as sobrancelhas.

— Sim! — disse George, sorrindo de forma confiante. — Diga a ele, amor.

— É... nós estamos namorando — respondeu Alessa, engolindo em seco, ainda tentando assimilar a situação.

— E há quanto tempo? — questionou o pai, mantendo o olhar fixo nela.

— Há cinco meses — disse George, firme.

— É verdade? — insistiu o pai, voltando a olhar para Alessa.

— Sim... já estamos juntos há cinco meses — confirmou ela, a voz trêmula, sentindo o coração acelerar.

— Então vocês já têm um relacionamento... pretendem construir uma família?

— Estamos pensando sobre isso — respondeu George, tentando manter a naturalidade.

— Ótimo! — exclamou o patriarca. — Marcarei um jantar, assim poderemos conhecê-la melhor.

— Mande-me a data depois — disse George, concordando discretamente.

Ao saírem da sala, desceram até a recepção e seguiram para o carro, silenciosos. Durante o trajeto, Alessa não conteve a curiosidade.

— Por que disse aquilo? — perguntou, ainda confusa.

— Meu pai estava me subestimando. Tive que mostrar a ele que não sou quem pensa.

— Mas se ele marcar o jantar... eu terei que ir? — questionou, preocupada.

— Claro que sim. Agora você é a minha "namorada".

— E se a empresa toda descobrir essa mentira?

— Então deixe que pensem o que quiserem.

De volta à empresa, desceram do carro e subiram novamente até o escritório de George. Assim que entraram, ele conduziu-a pela mão até sua sala.

— Por favor, sente-se — disse ele, indicando a cadeira à frente da mesa.

Alessa caminhou até a cadeira e sentou-se, observando George com atenção.

— Como este jantar irá acontecer, precisamos alinhar alguns detalhes — começou ele.

— Tudo bem. Que detalhes? — indagou ela, curiosa.

— Minha família é um pouco... "mimada", por assim dizer. Qualquer roupa ou calçado que você usar causará impressão. Portanto, precisa estar impecável. Tem algo elegante em seu armário?

— Bem... acho que tenho — respondeu hesitante.

— "Acha"? — ele arqueou as sobrancelhas, divertido.

— Não sei se minhas roupas agradariam sua família — admitiu ela, levemente constrangida.

— Certo. Então hoje passarei em sua casa. Quero ver o seu armário pessoalmente.

— Tem certeza? Se quiser, posso enviar fotos.

— Prefiro ver pessoalmente — disse George, com convicção.

— Está bem — concordou ela.

— Ótimo. Combinado. Agora pode voltar ao seu escritório.

— Claro.

Alessa levantou-se, ainda nervosa com o convite para o jantar. O temor de desagradar à família de George crescia dentro dela: eram pessoas ricas, acostumadas à etiqueta refinada. Ela, ao contrário, nunca fora treinada para esse tipo de ambiente e temia críticas severas.

No fim do expediente, recolheu seus pertences, guardando-os cuidadosamente na bolsa. Antes que pudesse sair, George entrou no escritório.

— Precisa de algo, Sr. Jones? — perguntou, ainda ajustando o blazer.

— Já lhe pedi para me chamar pelo nome — corrigiu ele, com um leve sorriso.

— Claro, desculpe, George.

— Esqueceu? — ele arqueou uma sobrancelha. — Vou levá-la até sua casa. Quero ver o seu armário. E se não houver algo adequado, nós compraremos.

— Comprar? — ela perguntou, surpresa e constrangida.

— Por que não? — replicou ele, sem qualquer hesitação.

— É que... eu não tenho tanto dinheiro — murmurou, envergonhada.

— Não se preocupe, Alessa. Eu mesmo pagarei — disse ele, firme.

— Desculpe, George, mas não posso aceitar... não seria correto da minha parte.

— Alessa, eu insisto. Aceite — afirmou, decidido.

— Tudo bem — concordou ela, rendida.

Pegou a bolsa e seguiram juntos para o elevador. Desceram até a recepção, saíram da empresa e caminharam até o carro de George. Durante o trajeto, o silêncio se manteve, carregado de expectativa. Ao chegarem ao apartamento de Alessa, entraram e subiram para seu andar.

— Olá — cumprimentou Leonor, surpresa com a visita inesperada.

— Oi — respondeu ela, sorrindo. — Esta é minha... irmã, Leonor, e ali estão David e Martim.

— Prazer! Você é...? — perguntou David, confuso.

— George. Sou um amigo da Alessa — respondeu ele, estendendo a mão.

— Ah, sim. Prazer — disse David, apertando a mão dele.

— Digo o mesmo — George respondeu, com um sorriso contido.

— Enfim, você vem? — perguntou Alessa, voltando a atenção para ele.

— Claro — respondeu ele.

No quarto dela, caminharam até o guarda-roupa.

— Bem, estas são as roupas que eu uso — disse ela, abrindo portas e cabides.

George aproximou-se e examinou atentamente o armário, tentando encontrar algo que correspondesse ao gosto de sua família.

— Tem razão, você não tem muitas opções. Não que suas roupas sejam "feias", mas entende... — disse ele, escolhendo algumas peças.

— Sim, eu entendo — respondeu ela, sorrindo levemente.

— Tudo bem. Amanhã passarei aqui para buscá-la e iremos direto a uma loja.

— Tudo bem — concordou ela, um misto de apreensão e curiosidade.

Assim que George partiu, Alessa sentou-se no sofá ao lado de Leonor e David, enquanto Martim permanecia à mesa, concentrado em seus desenhos.

— Já está ficando com seu chefe? — perguntou David, com a ponta de curiosidade nos olhos.

— O que? — reagiu ela, surpresa. — É claro que não!

— Então o que foi aquilo? — insistiu Leonor, intrigada.

— Hoje aconteceu algo inesperado na empresa do pai de George. Ele estava subestimando George, achando que ele não conseguiria uma namorada. Para provar o contrário, George inventou que nós estávamos juntos há cinco meses. Agora o pai dele quer fazer um jantar para me conhecer melhor.

— Nossa... que situação — disse David, impressionado. — Desejo-lhe sorte.

— Obrigada... porque vou precisar — respondeu ela, com um sorriso nervoso.

— Eu diria que é sorte — acrescentou Leonor, sorrindo de forma maliciosa.

— Que isso, Leonor? — perguntou Alessa, rindo.

— Seu chefe é o maior gato — concluiu ela, provocando uma gargalhada em Alessa.

A risada preencheu o ambiente, suavizando o nervosismo que ainda pairava sobre o jantar iminente.

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