Capítulo 12 - Sombras de Retorno

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Quando Alessa abriu a porta do apartamento, foi recebida por um abraço apertado de Martín.

— Olha quem voltou! — exclamou ela, sorrindo.

— Alessa! — respondeu o garoto, radiante.

— Que bom que voltou — disse David, aproximando-se.

— É verdade — completou Leonor. — Mesmo tendo sido poucos dias.

— O importante é que eu voltei, e felizmente não precisei ficar mais que uma semana. — Alessa deixou a bolsa sobre o sofá e continuou: — Tenho um convite. George nos chamou para ir à casa de praia da família dele.

— Isso é ótimo! — comemorou David. — Vai ser bom sair um pouco.

— Acho que nunca tivemos essa chance antes — comentou Leonor.

— Pois agora teremos — respondeu Alessa, sorrindo.

— E se pedíssemos uma pizza? — sugeriu Martín. — Estou morrendo de fome.

— Concordo — respondeu Alessa, rindo. — Também estou faminta.

Na manhã seguinte, Alessa acordou tarde. O relógio marcava onze horas. Pulou da cama assustada, trocou de roupa às pressas — um traje social simples, mas elegante — e saiu do apartamento quase correndo.

Chegou à empresa com o coração acelerado, subindo rapidamente até o escritório. Pouco depois, George entrou na sala, com a expressão séria de costume.

— Senhorita Rodríguez — disse ele, antes de sorrir com leveza. — Dormiu demais?

— Sinto muito pelo atraso, George. Esqueci de colocar o celular para despertar.

— Está tudo bem, Alessa. Eu não vou demiti-la — respondeu, cruzando os braços com um tom descontraído. — Imagino que precise descansar mais.

Ela respirou aliviada. — Farei o possível para isso.

— Como tem se sentido? — perguntou ele, inclinando-se ligeiramente sobre a mesa.

— Bem, obrigada. E você?

— Também estou bem. — Um breve silêncio se instalou antes que ele completasse: — Gostaria de almoçar comigo hoje? Conheço um bom restaurante.

— Claro, eu adoraria.

— Perfeito. Te encontro mais tarde.

George se retirou, e Alessa mergulhou novamente nos relatórios.

À hora do almoço, encontrou-o esperando junto ao elevador. Desceram juntos, e o ar entre eles parecia mais leve do que de costume.

— Como estão seus irmãos? — perguntou ele, enquanto atravessavam o saguão.

— Estão bem — respondeu ela, sorrindo de modo tímido.

— Você fala pouco, Alessa. Devia se soltar mais — brincou.

— Um dia eu consigo — respondeu ela, rindo.

— Assim espero — devolveu ele, divertido.

O restaurante era elegante, com janelas amplas e luz natural refletindo nas taças. Alessa observava tudo com atenção, absorvendo os detalhes.

— Aqui é lindo — comentou.

— Um dos meus preferidos — respondeu George. — Já vim algumas vezes com amigos.

— Imagino que tenha sido agradável.

— Era. Mas e você? Tem muitos amigos?

— Poucos. Sempre tive mais amigos homens do que mulheres.

— Então você não tem nenhuma amiga próxima?

— Tenho duas — respondeu ela.

— Isso é bom.

— E você?

— Hoje em dia, poucos. Mas na escola era o oposto. — George riu, recordando. — Eu era bagunceiro, falante e vivia cercado de gente.

— Então gostava de se divertir.

— Muito. E você?

— Totalmente o contrário. Era quieta, introvertida, e as notas... bem, nem sempre boas.

— Sério? Achei que fosse o tipo de aluna exemplar.

— Pois estou aqui para provar o contrário — respondeu, com um pequeno sorriso.

George riu baixo, observando-a. O olhar dele pousou sobre o dela por tempo demais, e Alessa desviou os olhos, ajeitando as mãos no colo.

— Nesse fim de semana iremos à casa de praia — lembrou ele. — Não se esqueça.

— Pensei que fosse demorar mais.

— Meus pais decidiram antecipar.

— Meus irmãos vão adorar.

— Tenho certeza de que sim — disse George, sorrindo. — Eles vão se divertir muito.

Após o almoço, voltaram à empresa e retomaram o trabalho. O dia passou rápido, até que o expediente chegou ao fim.

Alessa saía do prédio quando ouviu a voz de George chamando-a.

— Alessa! — Ele se aproximou. — Deixe-me levá-la em casa. Não gosto da ideia de você ir sozinha à noite.

— Não precisa, George. Eu me viro bem.

— Não estou pedindo, estou insistindo.

Ela riu. — Tudo bem, eu aceito.

Entraram no carro e seguiram em silêncio tranquilo até o prédio dela. Ao chegar, ele estacionou e esperou que ela saísse.

— Obrigada pela carona — disse ela.

— Boa noite, Alessa.

— Boa noite, George.

Ela entrou no prédio e subiu até o apartamento. Leonor a esperava no sofá.

— Boa noite — cumprimentou.

— Boa noite, Leonor. Onde estão os outros?

— Martín está dormindo, e David está no quarto.

Alessa assentiu, deixou a bolsa no sofá e seguiu até o quarto do irmão. David estava sentado na cama, olhando antigas fotografias dos pais.

— Está vendo essas fotos por quê? — perguntou ela, sentando-se ao seu lado.

Ele deu de ombros. — Só senti vontade.

— Eu entendo. Todos nós queríamos ter tido pais melhores, mas precisamos seguir em frente.

David enxugou as lágrimas discretamente. — Você tem razão. Temos que seguir.

— Somos fortes, David — disse ela, abraçando-o. — E o Senhor está cuidando de nós.

Ele sorriu. — É verdade. Nunca estivemos sozinhos.

— Nunca — confirmou Alessa.

David a olhou curioso. — E então? Alguma novidade?

— Sim. Esse fim de semana vamos à casa de praia de George.

— Achei que fosse demorar mais.

— Eu também, mas os pais dele anteciparam.

David sorriu com malícia. — Finalmente uma boa viagem. E, sinceramente, fingir ser namorada desse cara foi a melhor coisa que você já fez.

Alessa riu, empurrando-o de leve. — Deixa de ser bobo.

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora