Quando Alessa abriu a porta do apartamento, foi recebida por um abraço apertado de Martín.
— Olha quem voltou! — exclamou ela, sorrindo.
— Alessa! — respondeu o garoto, radiante.
— Que bom que voltou — disse David, aproximando-se.
— É verdade — completou Leonor. — Mesmo tendo sido poucos dias.
— O importante é que eu voltei, e felizmente não precisei ficar mais que uma semana. — Alessa deixou a bolsa sobre o sofá e continuou: — Tenho um convite. George nos chamou para ir à casa de praia da família dele.
— Isso é ótimo! — comemorou David. — Vai ser bom sair um pouco.
— Acho que nunca tivemos essa chance antes — comentou Leonor.
— Pois agora teremos — respondeu Alessa, sorrindo.
— E se pedíssemos uma pizza? — sugeriu Martín. — Estou morrendo de fome.
— Concordo — respondeu Alessa, rindo. — Também estou faminta.
Na manhã seguinte, Alessa acordou tarde. O relógio marcava onze horas. Pulou da cama assustada, trocou de roupa às pressas — um traje social simples, mas elegante — e saiu do apartamento quase correndo.
Chegou à empresa com o coração acelerado, subindo rapidamente até o escritório. Pouco depois, George entrou na sala, com a expressão séria de costume.
— Senhorita Rodríguez — disse ele, antes de sorrir com leveza. — Dormiu demais?
— Sinto muito pelo atraso, George. Esqueci de colocar o celular para despertar.
— Está tudo bem, Alessa. Eu não vou demiti-la — respondeu, cruzando os braços com um tom descontraído. — Imagino que precise descansar mais.
Ela respirou aliviada. — Farei o possível para isso.
— Como tem se sentido? — perguntou ele, inclinando-se ligeiramente sobre a mesa.
— Bem, obrigada. E você?
— Também estou bem. — Um breve silêncio se instalou antes que ele completasse: — Gostaria de almoçar comigo hoje? Conheço um bom restaurante.
— Claro, eu adoraria.
— Perfeito. Te encontro mais tarde.
George se retirou, e Alessa mergulhou novamente nos relatórios.
À hora do almoço, encontrou-o esperando junto ao elevador. Desceram juntos, e o ar entre eles parecia mais leve do que de costume.
— Como estão seus irmãos? — perguntou ele, enquanto atravessavam o saguão.
— Estão bem — respondeu ela, sorrindo de modo tímido.
— Você fala pouco, Alessa. Devia se soltar mais — brincou.
— Um dia eu consigo — respondeu ela, rindo.
— Assim espero — devolveu ele, divertido.
O restaurante era elegante, com janelas amplas e luz natural refletindo nas taças. Alessa observava tudo com atenção, absorvendo os detalhes.
— Aqui é lindo — comentou.
— Um dos meus preferidos — respondeu George. — Já vim algumas vezes com amigos.
— Imagino que tenha sido agradável.
— Era. Mas e você? Tem muitos amigos?
— Poucos. Sempre tive mais amigos homens do que mulheres.
— Então você não tem nenhuma amiga próxima?
— Tenho duas — respondeu ela.
— Isso é bom.
— E você?
— Hoje em dia, poucos. Mas na escola era o oposto. — George riu, recordando. — Eu era bagunceiro, falante e vivia cercado de gente.
— Então gostava de se divertir.
— Muito. E você?
— Totalmente o contrário. Era quieta, introvertida, e as notas... bem, nem sempre boas.
— Sério? Achei que fosse o tipo de aluna exemplar.
— Pois estou aqui para provar o contrário — respondeu, com um pequeno sorriso.
George riu baixo, observando-a. O olhar dele pousou sobre o dela por tempo demais, e Alessa desviou os olhos, ajeitando as mãos no colo.
— Nesse fim de semana iremos à casa de praia — lembrou ele. — Não se esqueça.
— Pensei que fosse demorar mais.
— Meus pais decidiram antecipar.
— Meus irmãos vão adorar.
— Tenho certeza de que sim — disse George, sorrindo. — Eles vão se divertir muito.
Após o almoço, voltaram à empresa e retomaram o trabalho. O dia passou rápido, até que o expediente chegou ao fim.
Alessa saía do prédio quando ouviu a voz de George chamando-a.
— Alessa! — Ele se aproximou. — Deixe-me levá-la em casa. Não gosto da ideia de você ir sozinha à noite.
— Não precisa, George. Eu me viro bem.
— Não estou pedindo, estou insistindo.
Ela riu. — Tudo bem, eu aceito.
Entraram no carro e seguiram em silêncio tranquilo até o prédio dela. Ao chegar, ele estacionou e esperou que ela saísse.
— Obrigada pela carona — disse ela.
— Boa noite, Alessa.
— Boa noite, George.
Ela entrou no prédio e subiu até o apartamento. Leonor a esperava no sofá.
— Boa noite — cumprimentou.
— Boa noite, Leonor. Onde estão os outros?
— Martín está dormindo, e David está no quarto.
Alessa assentiu, deixou a bolsa no sofá e seguiu até o quarto do irmão. David estava sentado na cama, olhando antigas fotografias dos pais.
— Está vendo essas fotos por quê? — perguntou ela, sentando-se ao seu lado.
Ele deu de ombros. — Só senti vontade.
— Eu entendo. Todos nós queríamos ter tido pais melhores, mas precisamos seguir em frente.
David enxugou as lágrimas discretamente. — Você tem razão. Temos que seguir.
— Somos fortes, David — disse ela, abraçando-o. — E o Senhor está cuidando de nós.
Ele sorriu. — É verdade. Nunca estivemos sozinhos.
— Nunca — confirmou Alessa.
David a olhou curioso. — E então? Alguma novidade?
— Sim. Esse fim de semana vamos à casa de praia de George.
— Achei que fosse demorar mais.
— Eu também, mas os pais dele anteciparam.
David sorriu com malícia. — Finalmente uma boa viagem. E, sinceramente, fingir ser namorada desse cara foi a melhor coisa que você já fez.
Alessa riu, empurrando-o de leve. — Deixa de ser bobo.
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O Chefe
RomansAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
