Na manhã seguinte, Alessa foi despertada por batidas apressadas à porta. Meio sonolenta, arrastou-se até a maçaneta e abriu.
— George? O que faz aqui às quatro da manhã? — murmurou, ainda com a voz arranhada de sono.
— Desculpe aparecer a essa hora — respondeu ele, com um olhar aflito —, mas preciso da sua ajuda. Meu pai chega às nove e eu ainda não terminei o que ele pediu.
— E o que seria?
— Relatórios. Se eu não entregar, ele vai surtar, e eu não tô com paciência pra sermão logo cedo. Me ajuda, por favor.
Alessa suspirou e abriu mais a porta.
— Tudo bem, entra logo antes que alguém veja.
George entrou, equilibrando o notebook no braço. Sentaram-se na cama, e ele ligou o aparelho.
— Vou te mandar metade dos relatórios, assim terminamos mais rápido — disse.
— Certo, manda.
Trabalharam em silêncio por um bom tempo, o som dos dedos batendo no teclado misturado ao ruído distante do vento lá fora. Quando terminaram, George fechou o notebook com um suspiro de alívio.
— Obrigado. Você me salvou de um inferno hoje.
— Faz parte do meu trabalho.
— Não estava em horário de expediente, então te devo uma.
— Não precisa, George.
— Eu insisto. — Ele sorriu cansado. — São seis horas... ainda dá pra dormir um pouco.
— E você?
— Já perdi o sono. — Ele deu de ombros.
Quando ele saiu, Alessa tentou deitar novamente, mas o sono não veio. Ficou encarando o teto até o relógio marcar sete horas, então decidiu levantar. Tomou um banho rápido, vestiu um conjunto social e calçou seus saltos, ajeitando o cabelo antes de sair rumo à cafeteria.
No elevador, George entrou logo em seguida.
— Bom dia — cumprimentou, com um sorriso leve.
— Bom dia — respondeu Alessa, correspondendo.
— Conseguiu dormir?
— Não. Depois que você foi embora, o sono evaporou.
— Eu realmente te atrapalhei, né?
— Está tudo bem.
— Podemos tomar café juntos, se quiser.
— Claro.
Na cafeteria, pegaram bandejas e se sentaram próximos à janela. O aroma do café recém-passado suavizava o silêncio entre eles.
— Quero que venha comigo quando for falar com meu pai — disse George de repente.
— George... acho melhor não. Frank não gosta da minha presença, principalmente depois do que eu disse na última reunião.
— Que se dane o que ele gosta. Você faz parte da equipe, e não tem nada de errado em estar lá.
— Tudo bem, mas se ele tentar me humilhar de novo, não prometo reagir bem.
— Então estaremos juntos no mesmo barco — respondeu ele, rindo. — Tentando não ser humilhados por Frank.
Alessa riu também, embora sem muita convicção.
Após o café, seguiram para o quarto de George. Quando subiram, encontraram Frank encostado no batente da porta, de braços cruzados e olhar impaciente.
— Agora ela vem às reuniões com você também? — perguntou, com desdém.
— Isso não é uma reunião — retrucou George —, mas sim, Alessa vai participar das próximas comigo.
— Que grande falta de respeito!
— Engraçado ouvir isso de quem não tem o mínimo — rebateu George, sem hesitar.
— Como ousa falar assim comigo?
— Como o senhor ousa desrespeitar a mim e a Alessa? — devolveu, o tom firme.
Frank suspirou, irritado.
— Vamos direto ao ponto. Fez o que lhe pedi?
George pegou os papéis sobre a cama e estendeu. — Aqui estão.
Frank folheou os documentos, lançando um sorriso sarcástico. — Milagre, conseguiu fazer algo direito.
— Guarde suas ironias, Frank. Pegue os papéis e vá embora.
— Cuidado com esse ódio, George. Ainda vai precisar de mim. Nos veremos no feriado.
— Que alegria... — murmurou George, entredentes.
Frank levantou-se, lançou um olhar gélido para Alessa e saiu do quarto.
— Com todo respeito, George... seu pai é um babaca — disse Alessa, cruzando os braços.
— Nem precisa do "com respeito". Ele é mesmo um idiota. Ainda bem que não moro mais com ele. Tenho pena da minha mãe.
— Ela é uma guerreira.
— É. — George respirou fundo e depois forçou um sorriso. — Mudando de assunto, quer ir ao cinema hoje? Acho que precisamos desestressar.
— Boa ideia.
— Então vá se arrumar. Te encontro no elevador.
Alessa voltou ao quarto, trocou o traje social por algo mais leve: uma saia jeans de cintura alta, blusa preta lisa e coturnos pretos. Soltou os cabelos, respirou fundo diante do espelho e saiu.
George já a esperava no elevador.
— Cada dia você se supera mais na beleza — comentou ele, num tom brincalhão.
— Obrigada — respondeu ela, um pouco sem graça. — Você também não está mal.
Desceram até o saguão e saíram do hotel. O ar fresco da manhã suavizou a tensão anterior. Entraram no carro e seguiram até o cinema.
Depois de comprar pipoca, entraram na sala escura.
— Que filme vamos ver? — perguntou Alessa.
— Uma comédia romântica. Você gosta?
— Gosto. Esses filmes sempre salvam o humor.
As luzes se apagaram, e a tela iluminou o rosto de Alessa. George desviou o olhar da tela e o manteve nela por um instante longo demais. Observou os traços do rosto, a curva dos lábios, o brilho suave dos olhos. Ela parecia alheia a isso, concentrada no filme, rindo discretamente.
Por um momento, ele hesitou. Depois, quando Alessa apoiou o braço no descanso da poltrona, George pousou a mão sobre a dela — um toque hesitante, quase involuntário.
O coração de Alessa disparou. Sentiu as mãos suarem, o rosto corar. Era um gesto simples, mas carregado de algo que não sabia definir. Estranhou o comportamento dele — George sempre fora educado, mas nunca tão... próximo.
Talvez fosse apenas um gesto de amizade. Ou talvez, algo começasse a mudar entre eles.
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O Chefe
RomanceAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
