Alessa passeava pelos corredores iluminados do mercado, com o ar fresco das geladeiras misturado ao cheiro de pães recém-assados e frutas maduras. Ela empurrava o carrinho devagar, escolhendo lanches com cuidado: sanduíches de perú e queijo embrulhados em papel alumínio, pacotes de batatas fritas crocantes, frutas frescas como maçãs vermelhas e bananas, além de refrigerantes gelados em latas coloridas. Hoje, seus irmãos, Olívia, Márcia e ela jantariam com o pai no hospital, transformando o quarto estéril em um momento de união familiar. Alessa sorria ao imaginar as risadas de Martín devorando tudo, enquanto empilhava mais itens no carrinho, com o coração leve apesar da sombra da doença de Olívia.
Algum tempo depois, após pagar e carregar as sacolas pesadas, Alessa chegou ao hospital sob o céu crepuscular, o edifício branco reluzindo sob as luzes artificiais. Ela entrou pelo saguão movimentado, acenando para enfermeiras conhecidas, e subiu de elevador até o quarto de Luís, o cheiro de desinfetante agora familiar como um segundo lar.
— Boa noite, família! Estão com fome? — anunciou Alessa ao abrir a porta, erguendo as sacolas como um troféu, com o quarto iluminado por lâmpadas quentes e o bip suave das máquinas ao fundo.
— Não sei eles, mas eu estou morrendo de fome! — respondeu Martín, levantando-se do sofá com os olhos brilhando, o menino de sete anos já estendendo as mãos para as sacolas.
— Ótimo! Comprei alguns lanches variados, sanduíches, chips, frutas e refrigerantes geladinhos — explicou Alessa, espalhando tudo sobre a mesinha ao lado da cama de Luís, o papel crepitando ao ser aberto.
— Esse será um jantar ótimo, simples mas perfeito para nós — disse David, ajudando a distribuir os pratos plásticos e guardanapos, sentando-se na poltrona com Márcia ao lado.
Eles abriram os pacotes de lanches com entusiasmo, o som de mordidas crocantes e latas abrindo preenchendo o quarto. Luís, recostado na cama com travesseiros extras, pegava pedaços pequenos de sanduíche, com o rosto mais corado que nos dias anteriores.
— Está gostando, tia? Prova esse de frango, é o meu favorito — perguntou Leonor, passando um sanduíche embrulhado para Olívia, que se sentava na beira da cama.
— Está sendo um dos melhores jantares da minha vida, rodeada de vocês — sorriu Olívia contente, mordendo devagar, com os olhos brilhando apesar da palidez no rosto. — Esses sabores caseiros me lembram piqueniques de infância.
— Fico feliz que esteja aprovando — respondeu Leonor, inclinando-se para ajeitar o pequeno edredom de Olívia.
— Tia, como estão meus avós? Você mencionou eles outro dia — indagou David, limpando as mãos no guardanapo, o tom curioso mas cauteloso.
— Bem, tivemos uma discussão feia anos atrás e, por isso, paramos de nos falar completamente — explicou Olívia, pausando para beber um gole de refrigerante. — Minha mãe faleceu há alguns anos, mas em relação ao meu pai, não tive mais notícias dele. Sinto muito por não ter mais para contar.
— Eles estão vivos ainda, pelo menos o avô? — perguntou Luís, inclinando-se para frente na cama, a voz mais forte que o esperado.
— Minha mãe faleceu, sim, mas o pai... perdi o contato total — repetiu Olívia, balançando a cabeça.
— Está tudo bem, Olívia, não se preocupe com o passado — sorriu David.
— Como o senhor se sente hoje, pai? Mais disposto? — mudou Alessa de assunto, virando-se para Luís com um sorriso encorajador.
— Me sinto bem, um pouco melhor agora, principalmente com vocês todos aqui enchendo esse quarto de vida — respondeu Luís, os olhos marejados ao olhar para cada filho. — Não vejo a hora de ir para casa, andar sem esses tubos todos.
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O Chefe
RomanceAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
