Capítulo 61 - Sombras Dissipadas

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Alessa observou a cena com uma mistura de surpresa e diversão nos olhos, cruzando os braços enquanto Márcia e David se separavam abruptamente, os rostos corados de constrangimento no quarto iluminado pela luz fria do hospital. As máquinas ao redor da cama de Luís continuavam seu bip ritmado, alheias ao momento inesperado, e o cheiro de antisséptico pairava no ar.

— Alessa, nós estávamos... — começou Márcia, gaguejando envergonhada, as mãos nervosas ajeitando a blusa enquanto evitava olhar diretamente para ela.

— Eu sei perfeitamente o que estavam fazendo, e logo aqui no hospital, com o papai dormindo ao lado? — retrucou Alessa, sorrindo cinicamente, erguendo uma sobrancelha em tom de brincadeira, embora houvesse um fundo de repreensão leve na voz. — Vocês dois poderiam ao menos trancar a porta ou esperar um momento mais apropriado.

— Desculpa, mas já que chegaram, nós já vamos saindo — disse David, levantando-se rapidamente da poltrona, o rosto vermelho como um tomate, pegando a jaqueta pendurada na cadeira. — Não queríamos ser pegos assim, juro.

— Isso, vão lá... aproveitem o corredor para continuar a conversa — respondeu Alessa, acenando com a mão em um gesto dismissivo, mas com um sorriso que traía sua diversão interna. — E levem um café para Olívia e Leonor quando voltarem, elas devem estar subindo agora.

Márcia puxou David pela mão com urgência, os dois trocando olhares cúmplices e envergonhados enquanto se retiravam do quarto apressados, com a porta se fechando suavemente atrás deles com um clique. George, que observava tudo em silêncio ao lado de Alessa, soltou uma risada baixa, balançando a cabeça.

— Parece que seu irmão tem uma nova namorada oficial agora — comentou George, aproximando-se da cama de Luís e ajustando o cobertor com cuidado, os olhos passeando pelo rosto sereno do homem em coma.

— Estou surpresa, de verdade. Não sabia que Márcia gostava dele desse jeito, romanticamente — disse Alessa, sentando-se na poltrona ainda quente de David, inclinando-se para frente para observar o pai. — Ela sempre foi tão reservada sobre sentimentos, especialmente depois de tudo o que passou.

— Ela deve esconder bem os sentimentos, como uma profissional — ponderou George, sentando-se ao lado dela e colocando a mão no ombro de Alessa em um gesto de apoio. — Mas olhe só, no meio de tanta dor, surge algo bonito. A vida continua surpreendendo.

— Com certeza, e fico feliz por eles — concordou Alessa, sorrindo mais genuinamente agora, virando-se para George. — E como estão seus irmãos e sua tia? Conte mais sobre a família, para eu me atualizar enquanto esperamos as novidades do Luís.

— Olívia está bem, um pouco cansada de tantas noites em claro no hospital, mas no geral bem, se virando com as tarefas do dia a dia — explicou Alessa, contando nos dedos. — Leonor está preocupada com Luís, como sempre, checando os monitores a cada cinco minutos e perguntando para as enfermeiras. Enquanto Martín, como criança que é, está tranquilo, brincando no apartamento e perguntando quando o Luís vai acordar.

— Olívia tem vindo aqui com frequência, então? — perguntou George, inclinando a cabeça, interessado na rotina da família.

— Sim, daqui a pouco ela virá com Leonor e Martín, provavelmente trazendo lanches ou algo para animar o quarto — respondeu Alessa, checando o relógio no celular. — Eles adoram rotacionar as visitas para que o Luís nunca fique sozinho.

— Como você se sente estando aqui todos os dias, vendo ele assim? — indagou George, a voz mais suave, tocando o braço dela com gentileza.

— Antes, eu estava muito abalada, chorando a cada visita, imaginando o pior — confessou Alessa, suspirando profundamente, com os olhos fixos nas mãos entrelaçadas no colo. — Mas agora estou me sentindo melhor, especialmente depois de saber que ele teve alguma melhora real nos exames. É como se uma peso tivesse sido tirado dos ombros, dando espaço para esperança.

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