O clima entre Alessa e George estava se tornando mais denso, carregado de algo que nem os dois ousavam nomear. Desde o segundo beijo, nada mais parecia igual. O ar entre eles parecia vibrar, e embora Alessa tentasse conter-se, sabia que também sentia algo forte — e perigoso.
Quando o turno terminou, ela reuniu seus pertences e se dirigiu ao elevador. O som das portas se fechando ecoou como um breve alívio. Mas, ao sair da empresa, ouviu a voz de George chamando por ela.
— Alessa, espera! — ele correu até alcançá-la, ofegante.
— Oi, George. O que houve?
— Decidi contar ao Liam sobre a Violeta. — Ele parecia determinado, mas o olhar denunciava apreensão. — Você poderia vir comigo?
Alessa hesitou por um instante, mas assentiu. — Claro que sim. Eu vou com você.
George respirou aliviado. — Obrigado.
Entraram no carro e seguiram em silêncio por alguns minutos. Do lado de fora, a cidade cintilava sob o entardecer. Dentro do veículo, apenas o som do motor e dos pensamentos não ditos.
— Violeta estará lá? — perguntou Alessa.
— Não. — George respondeu, firme. — Ela saiu com algumas amigas... se é que ainda pode chamá-las assim.
— Como sabe? — questionou, arqueando as sobrancelhas.
— Conversei com Liam antes de vir — respondeu ele, mantendo os olhos na estrada.
Ao chegarem, Alessa ficou impressionada com o tamanho da casa. O casarão de três andares parecia saído de uma revista de arquitetura: o jardim à esquerda era meticulosamente aparado, ladeado por duas pilastras brancas; a escada com pequenas luzes iluminava o caminho até a porta principal; à direita, duas Mercedes estacionadas reluziam sob a luz do fim da tarde. No andar de cima, uma sacada elegante com grades de ferro trabalhado refletia o luxo e o gosto requintado da família Jones.
— Nossa... — murmurou Alessa, admirando a construção. — Que casa grande.
— Ele sempre gostou de lugares assim — respondeu George, olhando-a de relance.
— Ele e toda a sua família, né? — provocou ela, levemente.
George riu, sem negar. — Talvez.
Poucos segundos depois, Liam abriu a porta, com o semblante curioso.
— George? Alessa? — disse, surpreso. — Que visita inesperada. Entrem.
Os dois entraram. O interior da casa era ainda mais impressionante — piso de mármore, uma escada curvada, quadros de molduras douradas e o perfume leve de jasmim. Liam os conduziu até a sala e os convidou a se sentarem.
— Então, sobre o que querem falar? — perguntou, acomodando-se na poltrona.
George respirou fundo, os dedos entrelaçados. — Liam... é sobre a Violeta.
Liam franziu o cenho. — O que tem ela?
— O que vou dizer vai te chatear, mas preciso que confie em mim. — George olhou para Alessa, que o encorajou com um aceno. — É importante que acredite em nós dois.
— Vá direto ao ponto, George — exigiu Liam, impaciente.
George passou a mão pelos cabelos, nervoso. — No domingo, no restaurante... quando eu fui ao banheiro...
— Isso mesmo — interveio Alessa, com firmeza. — Logo depois, Violeta também se levantou para ir ao banheiro.
George assentiu. — Quando eu estava enxugando as mãos, ela entrou — fez uma pausa, respirando fundo — e me beijou. Sem o meu consentimento.
Liam arregalou os olhos. — O quê?
— É verdade — confirmou Alessa. — Eu entrei no banheiro e vi quando ela o agarrou.
George continuou: — E hoje, mais cedo, na empresa, ela entrou no meu escritório e tentou me seduzir.
Liam levantou-se de súbito. — Isso é mentira! — exclamou, incrédulo. — A Violeta nunca faria algo assim.
— Mas fez! — insistiu George.
— Ela me avisou — rebateu Liam, nervoso. — Disse que vocês tentariam incriminá-la, que estavam inventando tudo isso.
— Ela está mentindo, Liam! — disse Alessa, erguendo a voz. — Está se fazendo de vítima, mas foi ela quem o assediou. Eu vi!
— Chega! — gritou ele, com os olhos marejados. — Vão embora da minha casa. Agora!
George se levantou lentamente. — Eu só espero que um dia você perceba a verdade — disse, com pesar.
Alessa olhou para Liam, decepcionada. — E quando perceber, talvez seja tarde demais.
Saíram da casa sob um silêncio pesado. Quando entraram no carro, George bateu o punho no volante, frustrado.
— Droga! — exclamou. — Como ele pode não acreditar em nós?
— Eu te avisei — respondeu Alessa, triste. — Liam é apaixonado por ela. Está cego.
— E agora?
— Agora... — Alessa olhou pela janela, observando as luzes da rua — é deixá-lo descobrir a verdade sozinho.
O resto do caminho foi silencioso, cheio de pensamentos amargos e desilusões contidas.
[...]
Quando a porta se fechou, Liam permaneceu imóvel por alguns segundos. As palavras do irmão ecoavam em sua cabeça. Então, enxugou as lágrimas e soltou um sorriso torto.
— Pode descer, Violeta — disse, em voz alta.
O som de saltos ecoou pela escada, até que ela surgiu, com um sorriso de vitória.
— A sua atuação foi perfeita — disse ela, batendo palmas, satisfeita. — Devia ganhar um prêmio por isso.
Liam riu, sarcástico. — Eu sei. Um Oscar, talvez.
— Mas... e agora? — perguntou Violeta, se aproximando. — Acha que eles vão fazer alguma coisa?
— Não sei — respondeu ele, cruzando os braços. — Mas continue com o plano. Precisamos descobrir se esse namoro deles é real ou apenas uma farsa.
— Não tenho tanta certeza — disse Violeta, pensativa. — O beijo que George deu nela... parecia real.
Liam desviou o olhar, o rosto endurecendo. — Qualquer pessoa pode beijar a outra para parecer convincente. Um beijo não prova nada.
— Talvez... — ela respondeu, ainda incerta. — Mas há algo diferente entre eles. Eu sinto.
Liam a encarou, sério. — Pois trate de não sentir nada, Violeta. Se quiser continuar nesse jogo, vai precisar manter o controle. Entendeu?
Ela assentiu, embora o olhar traísse uma sombra de dúvida.
— Precisamos ficar de olho — completou Liam, a voz carregada de frieza. — Não podemos deixar aquela garota se aproximar demais dessa família.
Violeta sorriu de canto, mas o brilho nos olhos era perturbador. — Pode deixar, Liam. Eu sei muito bem o que estou fazendo.
Liam se recostou no sofá, olhando para o teto, o coração dividido entre o ciúme e a desconfiança. Talvez George tivesse razão. Mas admitir isso... seria admitir que havia perdido — e Liam nunca gostou de perder.
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O Chefe
RomansaAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
