Capítulo 34 - Margaridas, Memórias e Limites Invisíveis

1.4K 41 1
                                        

Na manhã seguinte, Alessa acordou com os olhos pesados, a mente ainda girando em torno da farsa do casamento e das emoções confusas com George. Caminhou até o guarda-roupa, escolhendo um conjunto elegante de blazer e calça de cintura alta verde musgo, combinado com uma cacharrel bege e sapatos de bico fino no mesmo tom. O reflexo no espelho mostrava uma mulher tentando manter a compostura diante de um dia que prometia ser desafiador. Ela saiu do quarto e foi para a cozinha, onde seus irmãos e Márcia já estavam à mesa, o aroma de café fresco enchendo o ar.

— Bom dia — cumprimentou Márcia, com um sorriso, servindo-se de uma torrada.

— Bom dia, Alessa — disse Leonor, com um tom brincalhão. — Pronta pra sair com a tia do seu noivo?

— Não muito — respondeu Alessa, sentando-se com um suspiro. — Não tô no clima pra experimentar vestidos. Vai ser cansativo.

— Então se prepara — disse Márcia, rindo. — Você vai ter que tirar e colocar um monte de vestidos.

— O pior é saber que vou gastar meu tempo com um casamento falso — murmurou Alessa, pegando uma xícara de café. — Mas eu concordei com isso, então não posso reclamar.

— Relaxa — disse David, com um tom encorajador. — Aposto que o George vai bancar tudo.

— Espero que sim — respondeu Alessa, com um meio sorriso. — Mas, mesmo assim, fui eu que entrei nessa.

— Ele te obrigou, Alessa — interveio Leonor, com firmeza. — Não te deu escolha. A culpa é dele, e ele que tem que pagar por esse "casamento".

— Você tem razão — concordou Alessa, com um suspiro. — Afinal, ele tem dinheiro pra isso.

— Exatamente — disse Márcia, apontando a colher para ela. — Não se preocupa com isso.

— Vou tentar — respondeu Alessa, com um sorriso hesitante.

— Continua pensando assim — afirmou Leonor, com um aceno. — Vai dar tudo certo.

— Preciso ir — disse Alessa, levantando-se e pegando a bolsa. — Até mais tarde.

Ela saiu do apartamento, descendo as escadas do prédio. Na entrada, encontrou Lúcia esperando, encostada em um carro prateado, com um sorriso caloroso. Alessa entrou no veículo, e elas seguiram para a loja de vestidos, o trânsito de Madri zumbindo ao redor.

— Olá, como você tá? — perguntou Lúcia, com entusiasmo, mantendo os olhos na estrada.

— Tô bem, obrigada — respondeu Alessa, com um tom educado. — E a senhora?

— Tô ótima! — exclamou Lúcia, com um sorriso. — Ansiosa pra ver os vestidos?

— Sim, bastante — disse Alessa, forçando um tom animado, embora a ideia a deixasse nervosa.

— Ótimo, eu também tô — respondeu Lúcia, com um brilho nos olhos.

Ao chegarem à loja, um espaço elegante com araras cheias de vestidos brancos, Lúcia começou a selecionar modelos com entusiasmo, conduzindo Alessa até o provador. O primeiro vestido, um modelo justo com rendas pesadas, não se ajustou bem ao corpo de Alessa. Ela saiu do provador, e Lúcia franziu a testa, claramente insatisfeita. Alessa voltou ao provador, experimentando outros modelos, mas nenhum parecia certo, seja pelo caimento ou pelo estilo.

— Tá difícil achar o vestido perfeito — comentou Lúcia, com um suspiro, sentando-se em uma poltrona.

— A senhora tem mais alguma ideia? — perguntou Alessa, sentando-se ao lado dela, tentando esconder o cansaço.

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora