Capítulo 36 - Muros do Passado e Pontes Hesitantes

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Alessa entrou no escritório com passos apressados, o peso da discussão com George no estacionamento ainda pressionando seu peito. Ela fechou a porta atrás de si, o som do clique ecoando no silêncio da sala, e pegou o celular com urgência, discando o número de Márcia. Sentou-se na cadeira, o coração acelerado, enquanto aguardava a amiga atender.

— Oi, Alessa — disse Márcia, com um tom leve, mas curioso.

— Preciso de conselhos — disse Alessa, com a voz tensa, tamborilando os dedos na mesa.

— Você tá bem? — perguntou Márcia, a preocupação evidente em sua voz.

— Não muito — respondeu Alessa, com um suspiro pesado. — Hoje aconteceu algo inesperado.

— O que houve? — perguntou Márcia, com um tom gentil, mas insistente.

Alessa hesitou, organizando os pensamentos. — O George quis conversar sobre o que aconteceu ontem, no jardim — explicou, com a voz baixa. — Mas a conversa descambou. Ele ficou muito aborrecido porque almocei com o Rafael. Quando perguntei por que ele tava tão irritado, ele explodiu, Márcia. Disse que me ama e que tem medo de me perder. Fiquei sem reação, atordoada, e saí correndo do carro.

— Nossa, isso é mesmo delicado — disse Márcia, com um tom compreensivo. — Sei que você sente algo por ele, Alessa. Então por que tá colocando tantas barreiras nesse relacionamento?

Alessa baixou o olhar, sentindo um nó na garganta. — Depois de tudo que vivi com minha família, construí muros ao meu redor — confessou, com a voz trêmula. — Eles dificultam deixar qualquer pessoa entrar na minha vida.

— Entendo seus receios, Alessa — disse Márcia, com um tom suave. — Mas nem todo mundo é como sua família. Não deixa o medo afastar conexões que podem te fazer bem. Eu já passei por algo assim, e sei como é difícil. Buscar ajuda me ajudou muito, e acho que pode te ajudar também.

— Eu sei que as pessoas não são como meus pais — disse Alessa, com um suspiro. — Mas é um desafio. Só de pensar em reviver o que passei com eles, sinto pânico.

— Alessa, tá tudo bem — disse Márcia, com firmeza, mas carinho. — Não é sua culpa se sentir assim. Você enfrentou traumas desde criança, e sei o quanto é difícil superar isso. Posso procurar um terapeuta pra você, alguém com quem você possa desabafar e receber apoio, mas só se você quiser.

— Obrigada, Márcia — respondeu Alessa, com a voz mais calma. — Aceito sua ajuda.

— Não precisa agradecer — disse Márcia, com um tom caloroso. — Tô aqui pra te ajudar sempre. Se falar com o George de novo, seja sincera com ele. Conta sobre seus motivos, sobre o que te trava.

— Tudo bem, vou fazer isso — prometeu Alessa, com um leve aceno, embora a ideia a deixasse nervosa.

— Espero que você fique mais calma com isso — disse Márcia, com um tom encorajador.

— Vou tentar — respondeu Alessa, com um sorriso fraco. — Preciso desligar agora.

— Tudo bem, até mais tarde — disse Márcia, com um tom leve.

Alessa desligou o celular e o guardou na bolsa, sentindo uma mistura de alívio e ansiedade. Márcia estava certa: ela precisava de ajuda para lidar com os traumas que a ancoravam ao passado. Talvez um terapeuta pudesse ajudá-la a desmontar as barreiras que construíra ao longo dos anos.

Algum tempo depois, o celular vibrou com uma mensagem de Lúcia, pedindo que a encontrasse no estacionamento. Alessa respirou fundo, pegou a bolsa e saiu do escritório, descendo as escadas até o térreo. No estacionamento, encontrou Lúcia esperando ao lado de seu carro prateado, com um sorriso caloroso. Alessa entrou no veículo, e elas seguiram para uma confeitaria elegante no centro de Madri.

O ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora