Capítulo 22 - Conexões e Armadilhas

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A atmosfera na saída da empresa estava densa. Liam e Violeta desceram o elevador em silêncio, cada um afogado em pensamentos que não ousavam partilhar. Quando atravessaram a recepção, a tensão entre os dois era perceptível até para os olhares curiosos dos funcionários.

— Você acha que vai funcionar? — perguntou Violeta, ajeitando os cabelos enquanto caminhava ao lado dele.

— Não sei — respondeu Liam, com o semblante tenso. — Mas espero que sim, porque já fomos longe demais.

— Talvez longe demais mesmo. — Ela cruzou os braços. — O George não vai cair nisso outra vez, não comigo.

Liam parou por um instante, encarando-a.

— Eu devia ter imaginado. Colocar você nesse plano foi uma idiotice.

— Agora é tarde pra arrependimento. — O tom dela era ácido, mas seus olhos deixavam escapar um leve nervosismo. — Já sabe quem vai colocar no meu lugar?

Liam soltou um riso breve e frio. — Sei exatamente quem será.

— Espero que saiba o que está fazendo — respondeu Violeta, abrindo a porta do carro.

— Eu sempre sei — afirmou ele, antes de dar partida.

O carro desapareceu pela avenida, deixando o ar impregnado por algo entre cinismo e desconfiança.

No escritório, o silêncio se instalou assim que Liam e Violeta se retiraram. George permaneceu parado junto à mesa, observando os papéis empilhados diante de si, enquanto Alessa se aproximava lentamente.

— Você gostou do plano? — perguntou ela, tentando quebrar o clima tenso.

— Gostar seria exagero. — George se recostou na cadeira. — Mas admito que há lógica no que disseram.

— Lógica sim, mas confiança não — replicou Alessa, cruzando os braços. — Há algo errado nesse entusiasmo deles.

— Também acho. — Ele respirou fundo, desviando o olhar. — Mas não posso ignorar o que pode beneficiar a empresa.

— É uma linha tênue entre estratégia e armadilha. — Ela se aproximou da mesa, apoiando as mãos na borda. — Só espero que vocês não estejam cavando um buraco maior.

— É por isso que preciso de você aqui — respondeu George. — Preciso que fique atenta.

— Pode contar comigo — afirmou Alessa, com firmeza. — Quer que eu faça mais alguma coisa agora?

— Sim, algumas cópias. Depois disso, pode encerrar o turno.

Alessa assentiu e deixou o escritório.

Quando o dia chegou ao fim, ela recolheu a bolsa e se dirigiu à saída da empresa. A noite caía sobre a cidade, tingindo o céu de tons azulados e cinzentos. Enquanto caminhava pela calçada, o som do celular interrompeu o silêncio.

— Alô? — atendeu.

— Oi, amiga! — disse uma voz animada do outro lado. — Faz tempo que não nos falamos!

— Márcia? — Um sorriso iluminou-lhe o rosto. — Não acredito! Que saudades!

— Eu também! — respondeu a amiga com entusiasmo. — E adivinha? Consegui umas férias!

— Finalmente! — disse Alessa, rindo. — Você merece.

— E sabe pra onde eu vou?

— Me conte!

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora