Alessa entrou no apartamento, o peso do dia ainda nos ombros, e notou o silêncio incomum. Márcia não estava na sala, onde costumava estar àquela hora, assistindo TV ou lendo. Curiosa, Alessa caminhou até o quarto de David, bateu levemente na porta e entrou, encontrando-o sentado na cama, mexendo no celular.
— Oi, David — disse ela, com um tom leve, encostando-se no batente. — Cadê a Márcia?
David revirou os olhos, com uma expressão de desagrado. — Foi jantar com o Carlos — respondeu, com um tom seco, voltando o olhar para o celular.
Alessa riu, percebendo a irritação do irmão. — Você ainda precisa superar isso, hein? — brincou, entrando no quarto e sentando-se na cadeira ao lado da cama.
— Claro... — murmurou David, com um tom sarcástico, sem tirar os olhos da tela.
— Você tá bem? — perguntou Alessa, com uma nota de preocupação, inclinando-se para frente.
David suspirou, largando o celular na cama. — Hoje recebi várias chamadas de um número desconhecido — disse, com uma expressão confusa. — Mas, quando atendia, a ligação ficava em silêncio. Ninguém falava nada.
— Que estranho — disse Alessa, franzindo a testa. — Posso ver o número?
— Claro — respondeu David, pegando o celular e mostrando a tela com o histórico de chamadas.
Alessa examinou o número, que não reconhecia. — Também nunca vi — disse, devolvendo o celular. — Alguma ideia de quem pode ser?
David hesitou, mordendo o lábio. — Você acha que pode ser algum parente nosso? — perguntou, com um tom cauteloso. — Ou... talvez o nosso pai?
Alessa balançou a cabeça, com firmeza. — Não, o Luís jamais ligaria pra nós — disse, com a voz carregada de certeza. — Muito menos alguém da nossa família.
— Então por que ligou tantas vezes e ficou em silêncio? — insistiu David, com um tom que misturava curiosidade e esperança. — Talvez tenha vergonha de falar, sei lá.
— Pode ser só um trote — disse Alessa, com um tom seco, tentando cortar qualquer ilusão. — Não se iluda com isso, David.
Ele baixou o olhar, visivelmente desanimado. — Tem razão, talvez seja só um trote — murmurou, com a voz apagada.
— Não fica chateado por isso — disse Alessa, com um tom mais suave, tocando o ombro dele. — Não vale a pena.
— Não vou ficar — respondeu David, forçando um sorriso, embora seus olhos ainda carregassem decepção.
Alessa se levantou, com uma ideia para animá-lo. — Que tal se eu te levar pra comer alguma coisa? — sugeriu, com um sorriso. — Topa?
— Com certeza! — exclamou David, o rosto se iluminando com um sorriso genuíno.
— Então vai se arrumar — disse Alessa, apontando para o armário. — Vou chamar o Leonor e o Martín.
Ela saiu do quarto de David e foi até o quarto de Leonor e Martín, batendo na porta. — Ei, se arrumem! — chamou, com um tom animado. — Vamos sair pra comer.
Os irmãos concordaram, e logo todos estavam prontos. Alessa pegou a bolsa, e os quatro saíram do apartamento, descendo as escadas do prédio. Caminharam pelas ruas de Madri, o entardecer tingindo o céu de tons alaranjados, até chegarem a uma lanchonete próxima. O ambiente era acolhedor, com luzes quentes e o aroma de batatas fritas no ar. Eles se sentaram em uma mesa de canto, e a garçonete anotou seus pedidos: quatro hambúrgueres com refrigerantes.
Enquanto esperavam, Alessa olhou para os irmãos, percebendo que haviam se distanciado nos últimos dias. — A gente não tem conversado muito — disse, com um tom leve, apoiando os cotovelos na mesa. — Como tá indo o trabalho de vocês?
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Chefe
RomansaAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
