George permanecia deitado em sua cama, o quarto mergulhado na penumbra da noite, com apenas o brilho fraco do abajur iluminando as paredes cobertas de quadros antigos. Ele recordava cada palavra da conversa com o pai, ainda se sentindo extremamente surpreso com toda a confissão sobre os transtornos de Liam, as crises escondidas e os remédios que nunca funcionaram como deveriam. O peso da revelação latejava em sua mente, misturando choque com uma compreensão tardia que aliviava parte da culpa.
Passado algum tempo, o som insistente da campainha ecoou pela casa silenciosa, tirando-o dos pensamentos. George se levantou devagar, desceu as escadas de madeira rangente e caminhou até a porta da frente, abrindo-a com um clique suave. Do lado de fora, sob a luz amarelada do poste, estava Violeta, vestida com roupas simples de viagem.
— Violeta, que surpresa te ver aqui — disse George, inclinando a cabeça com curiosidade, o ar fresco da noite entrando pela porta aberta.
— Eu estava indo para a casa dos meus pais, mas resolvi passar aqui antes, para não deixar nada pendente — explicou Violeta, os olhos baixos por um momento, antes de erguer o olhar com determinação. — Posso falar com você rapidinho?
— Você quer entrar? Tem café fresco na cozinha, ou algo para comer — ofereceu George, abrindo mais a porta.
— Não será necessário, o que vou dizer não levará muito tempo, e prefiro ficar aqui fora — respondeu Violeta, balançando a cabeça levemente, as mãos entrelaçadas à frente do corpo.
— Tudo bem, então fale com calma — incentivou George, encostando-se no batente da porta.
— Gostaria de pedir-lhe desculpas por tudo o que fiz a você e à Alessa — começou Violeta, a voz firme mas carregada de arrependimento, olhando diretamente nos olhos dele. — Sei que errei gravemente ao beijá-lo daquela forma, especialmente ao me envolver no plano absurdo de Liam com o Rafael. Foi egoísta, manipulador, e machucou pessoas que não mereciam. Peço sinceramente desculpas por minhas ações. Sinto muito do fundo do coração e espero que possa me perdoar, George, para que eu possa seguir em frente sem esse peso.
— Está tudo bem, Violeta, são mágoas passadas que não valem mais a pena remexer, especialmente nas coisas negativas que só trazem dor — respondeu George, com um sorriso compreensivo, estendendo a mão para tocar o ombro dela brevemente. — Mas eu a perdoo, de verdade. Você está tomando o caminho certo agora.
— Obrigada, George, isso significa muito para mim — murmurou Violeta, com os olhos marejados de alívio. — Vou falar com a Alessa depois, quero ir embora da cidade, mas antes gostaria de me desculpar pelas minhas atitudes negativas com ela também, limpar a consciência.
— Eu soube dos problemas do Liam pelos meus pais — disse George, mudando de tom para empatia. — Sinto muito por você ter passado por isso sozinha, as crises, as mentiras... Deve ter sido um inferno.
— Obrigada pela compreensão. Fico feliz que finalmente seus pais decidiram lhe contar a verdade toda — respondeu Violeta, assentindo.
— Meu pai me contou e explicou muitas coisas detalhadamente, o que me permitiu compreender melhor o que se passava na mente de Liam, os gatilhos, as explosões — explicou George.
— Infelizmente acabou saindo do controle total e terminou acontecendo o pior, de uma forma que ninguém esperava — ponderou Violeta, suspirando profundamente.
— Agradeço por ter vindo se desculpar comigo e com a Alessa pessoalmente — continuou George, sorrindo levemente. — Fico contente em saber que você terá a oportunidade de recomeçar em outro lugar, longe de tudo isso, e espero sinceramente que encontre a felicidade, desta vez de verdade, com paz e pessoas que te valorizem.
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O Chefe
RomanceAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
