Capítulo 27 - Nebulosa do Calmante

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Ao chegar à empresa, Alessa subiu ao seu escritório no décimo andar, o elevador zumbindo suavemente enquanto ela segurava a bolsa com firmeza. O corredor estava silencioso, exceto pelo som distante de teclados e conversas abafadas. Ela entrou na sala, ajeitou a saia e sentou-se à mesa, organizando os papéis à sua frente. No entanto, uma sensação de torpor começava a dominá-la. O calmante que Márcia lhe dera começava a fazer efeito, deixando-a com os olhos pesados, o corpo mole e a mente enevoada, dificultando sua concentração nos relatórios abertos na tela do computador.

Minutos depois, a porta se abriu, e George entrou, com a postura confiante de sempre, mas um olhar atento ao perceber a expressão de Alessa. Ele se aproximou da mesa, ajustando os óculos enquanto a observava.

— Bom dia, Alessa — disse ele, com um tom profissional, mas tingido de preocupação.

— Bom dia, George — respondeu ela, a voz arrastada, forçando um sorriso fraco.

— Você está bem? — perguntou ele, franzindo a testa. — Parece meio... distante.

— Estou bem, sim — insistiu Alessa, endireitando-se na cadeira, embora o esforço fosse visível. — Só estou um pouco cansada.

George inclinou a cabeça, não totalmente convencido. — Tem certeza? Você tomou algo? Alguém te deu alguma coisa?

Alessa hesitou, mordendo o lábio inferior antes de responder. — Minha amiga, Márcia, me deu um calmante. Acho que está funcionando... talvez até demais.

— Um calmante? — repetiu George, surpreso, cruzando os braços. — Por quê? Você está se sentindo tão sobrecarregada assim?

— Só precisava relaxar um pouco — explicou ela, com um tom suave, evitando encará-lo diretamente. — Foi um dia intenso ontem.

George suavizou a expressão, aproximando-se mais da mesa. — Alessa, se for o trabalho ou algo com minha família te incomodando, pode me contar. Podemos conversar, resolver o que está te deixando assim. Não precisa recorrer a calmantes.

— Agradeço a preocupação, George. Sério — disse ela, com um sorriso tímido. — Vou ficar bem.

Ele assentiu, mas ainda parecia preocupado. — Vim te chamar para a reunião com Liam e Violeta. Está pronta?

— Claro, já vou — respondeu Alessa, levantando-se com dificuldade, o corpo parecendo mais pesado do que o normal.

Ao tentar abrir a porta, Alessa cambaleou, perdendo o equilíbrio. Antes que caísse, George a segurou pela cintura, firmando-a com cuidado. Seus olhos se encontraram por um breve instante, e ela sentiu o rosto esquentar.

— Tem certeza de que está bem? — perguntou ele, a voz agora carregada de uma preocupação mais evidente.

— Estou, sim — insistiu Alessa, endireitando-se, embora sua visão estivesse ligeiramente embaçada. — Posso ir à reunião.

— Se não estiver se sentindo bem, pode ficar aqui. Não precisa se forçar — ofereceu George, ainda segurando-a pelo braço.

— Eu consigo — afirmou ela, com um tom determinado, apesar da sonolência.

Eles seguiram pelo corredor até a sala de reuniões, onde Liam, Violeta e, para surpresa de George, Rafael já os aguardavam, sentados ao redor da mesa de vidro. A sala era iluminada por grandes janelas, e o skyline da cidade se estendia ao fundo, contrastando com a tensão que começava a se formar.

— O que ele está fazendo aqui? — perguntou George, parando na porta, a voz carregada de irritação ao ver Rafael.

— Rafael é nosso novo assistente, George — explicou Liam, com um tom calmo, mas firme. — Você vai precisar se acostumar com ele.

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