Capítulo 39 - Véus do Ontem, Abrigos do Agora

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Na manhã seguinte, Alessa acordou com o corpo pesado, a exaustão do dia anterior ainda impregnada em seus músculos e pensamentos. A discussão com David, a ligação inesperada de Luís e a pressão do falso noivado com George formavam um peso que parecia esmagá-la. Ela se levantou da cama, sonolenta, os olhos ardendo de cansaço, e pegou uma toalha no armário. No chuveiro, deixou a água quente escorrer por seu rosto, tentando lavar a inquietação, mas as lembranças da noite anterior persistiam. Após o banho, vestiu uma blusa cinza de mangas longas e uma calça preta de alfaiataria, calçou sapatos confortáveis e seguiu para a cozinha, onde encontrou Márcia tomando café, com uma expressão serena.

— Bom dia — cumprimentou Márcia, erguendo a xícara com um sorriso leve.

— Bom dia — respondeu Alessa, com a voz rouca, servindo-se de uma xícara de café. — Cadê o David?

Leonor, que cortava uma maçã na bancada, olhou para ela. — Ainda tá no quarto — disse, com um tom neutro. — Talvez esteja de folga hoje.

Alessa franziu a testa, surpresa. — Estranho — murmurou, tomando um gole do café. — Vou ver como ele tá.

Ela deixou a xícara na mesa e caminhou até o quarto de David, fechando a porta suavemente atrás de si. Aproximou-se da cama, onde ele estava deitado de bruços, o rosto afundado no travesseiro. Sacudiu-o levemente pelo ombro e sentou-se ao seu lado, com uma expressão preocupada.

— David? — chamou, com a voz suave, mas firme.

— O que foi? — resmungou ele, com a voz abafada, sem levantar a cabeça.

— Não vai trabalhar hoje? — perguntou Alessa, inclinando-se para tentar ver o rosto dele.

— Não, tô de folga — respondeu David, com um tom seco, ainda escondendo o rosto no travesseiro.

— Duas vezes na semana? — perguntou ela, erguendo uma sobrancelha, desconfiada.

— Sim — disse ele, com impaciência. — Agora deixa eu voltar a dormir.

Alessa hesitou, observando-o. — Você tá bem? — perguntou, com preocupação genuína, tocando o ombro dele.

— Tô sim — respondeu ele, com a voz mais suave, mas ainda sem se mover. — Agora posso dormir?

— Tudo bem — disse Alessa, com um suspiro, levantando-se. — Se quiser conversar, sabe que tô aqui, né?

David apenas murmurou algo ininteligível, e Alessa saiu do quarto, fechando a porta com cuidado. Ao voltar para a cozinha, aproximou-se de Márcia e sentou-se à mesa, de frente para ela, com a expressão tensa.

— O Martín e a Leonor já foram? — perguntou, tamborilando os dedos na xícara.

— Sim, acabaram de sair — respondeu Márcia, com um aceno, tomando outro gole de café. — O David tá bem?

Alessa baixou a voz, inclinando-se para frente. — Não sei — admitiu, com um sussurro. — Preciso que você o vigie hoje, Márcia. Fica de olho, por favor.

— Claro, pode deixar — disse Márcia, com um tom sério, assentindo. — Vou ficar por aqui.

— Obrigada — disse Alessa, com um sorriso fraco. — Se o Luís ligar, tenta ouvir o que eles tão falando e me avisa.

— Combinado — respondeu Márcia, com firmeza. — Qualquer coisa, te ligo.

— Obrigada, Márcia — repetiu Alessa, com gratidão, pegando a bolsa. — Tô indo.

Com a bolsa nas mãos, Alessa deixou o apartamento e caminhou até a empresa, o ar fresco de Madri ajudando a clarear sua mente. Ao chegar, atravessou o saguão do edifício, subiu de elevador até seu andar e entrou no escritório. Sentou-se à mesa, colocou a bolsa ao lado e abriu o notebook, começando a trabalhar nas planilhas pendentes, tentando se ancorar na rotina para esquecer as preocupações.

O ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora