David observava a sala do apartamento com uma mistura de curiosidade e preocupação, o ar carregado com o aroma de café recém-passado que pairava no ambiente. Ele se inclinava ligeiramente para frente na cadeira, os olhos fixos no pai, enquanto tentava decifrar o mistério que envolvia Alessa e a tia desconhecida. Como Alessa havia obtido o contato de uma tia que ninguém mencionava? E por que ela decidira procurá-la agora, em meio a tanta turbulência familiar? David não a conhecia pessoalmente, mas o gesto de Alessa revelava uma vulnerabilidade profunda, um sinal de que ela estava à beira do esgotamento e sem opções aparentes.
— Pai, você poderia contar mais sobre Olívia? — perguntou David, com sua voz baixa e carregada de intriga, enquanto cruzava os braços sobre a mesa de madeira gasta.
Luís suspirou, passando a mão pelos cabelos grisalhos, o rosto marcado por linhas de arrependimento que pareciam mais profundas sob a luz fraca da lâmpada pendente. Ele e a falecida esposa nunca haviam se entendido com Olívia, mas aquilo surgira de um período sombrio, quando a ajuda dela era oferecida com boas intenções, só para ser ignorada em meio ao caos.
— Com certeza — respondeu Luís, a voz rouca de emoção contida. — Sua mãe e eu nunca nos demos bem com Olívia, mas era porque estávamos passando por um momento difícil e ela apenas tentava nos ajudar. Nós não dávamos importância às palavras dela, cegos pela nossa própria dor.
Leonor, sentada ao lado do irmão, inclinou-se para frente, com seus olhos castanhos brilhando com uma curiosidade misturada a empatia. Ela brincava distraidamente com a borda de uma xícara vazia, o som suave ecoando no silêncio tenso da sala.
— E você já chegou a conversar com Olívia novamente? — indagou Leonor, com sua voz suave, mas insistente.
Luís balançou a cabeça devagar, o olhar perdido em memórias antigas que o faziam franzir a testa.
— Não. O que mais me intriga é como Alessa conseguiu o número dela e como sabia quem era Olívia. Sua mãe nunca havia mencionado a ela que teve filhos, por causa das brigas antigas.
— Então ela nunca soube de nós? — insistiu Leonor, com a surpresa elevando ligeiramente o tom de sua voz.
— Não, até agora — confirmou Luís, com um suspiro pesado que parecia carregar anos de segredos.
David trocou um olhar com a irmã, com o coração apertado pela possibilidade de reconciliação.
— Será que Olívia voltaria a falar com você? — perguntou ele, inclinando-se mais, ansioso por uma faísca de esperança.
Luís hesitou, os olhos marejados refletindo a mágoa que ainda o consumia, semelhante à que Alessa carregava.
— Não sei. Assim como Alessa, Olívia também sente mágoa de mim. Provavelmente ela reagiria da mesma maneira que Alessa reagiu, com raiva e distância.
— Mas você pensa em conversar com ela? — pressionou Leonor, tocando levemente o braço do pai em um gesto de encorajamento.
Luís assentiu devagar, com o peso da culpa visível em seus ombros curvados.
— Depois que eu melhorei, sempre pensei em conversar com Olívia, mas infelizmente ela já tinha se mudado e nunca mais a vi. As oportunidades se perderam no tempo.
David ponderou as palavras, o ar da sala parecendo mais pesado com as revelações.
— Agora é possível — disse ele, com a voz firme, mas compassiva. — Mas é necessário que ambas as partes também queiram, o que pode tornar as coisas um pouco complicadas.
— Infelizmente será complicado — admitiu Luís, com um tom de resignação que ecoou pela sala, deixando um silêncio reflexivo pairar entre eles.
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O Chefe
RomanceAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
