Na manhã seguinte, Alessa acordou ainda abalada pelo incidente da noite anterior. Levantou-se da cama e, com passos lentos, pegou uma toalha, dirigindo-se ao chuveiro. Após terminar, saiu do banheiro e caminhou até o guarda-roupa, escolhendo um traje social cuidadosamente. Vestiu-o, tentando organizar os pensamentos para enfrentar o dia que se iniciava.
Ao descer para a cozinha, encontrou os irmãos sentados à mesa, tomando café.
— Bom dia — cumprimentou David, lançando-lhe um olhar preocupado.
— Bom dia — respondeu ela, ainda com o semblante abatido.
— O que houve? Parece triste — indagou Leonor, franzindo a testa.
— Amanheci com dor de cabeça — explicou, tentando disfarçar a tensão que sentia.
— Deveria tomar um remédio — sugeriu David, estendendo um copo de água.
— É o que farei — respondeu ela, engolindo o comprimido com cuidado.
— Aconteceu algo mais? Parece que houve algo ontem que a deixou abalada — perguntou David, atento.
— Na casa dos pais de George, seu pai me tratou de forma arrogante. Falou coisas estúpidas para me humilhar — disse, baixando o olhar.
— O que ele disse? — indagou Leonor, indignada.
— Que eu era uma pessoa de "baixo nível", que não sabia nem me comportar à mesa — respondeu, lembrando-se das palavras cortantes que ecoavam ainda em sua mente.
— Ele disse isso? Se eu pudesse, eu o socaria! — exclamou Leonor, os punhos cerrados.
— Entretanto, respondi à altura, falei tudo o que queria — murmurou Alessa, sentindo o peso do confronto.
— Espero que o tenha humilhado — disse Leonor, um sorriso satisfeito surgindo nos lábios.
— Talvez seja por isso que acordei com dor de cabeça — suspirou, inclinando-se sobre a cadeira.
— E o George? Como ficou? — indagou David.
— Ele ficou surpreso, mas depois se desculpou. Espero que não tenha se sentido mal — respondeu, com um leve tremor na voz.
— Se ele se sentiu mal, que se sinta! O pai dele tentou humilhar você, então tinha todo o direito de se defender — disse Leonor, firme.
Após o café, Alessa se despediu e saiu do prédio, caminhando até a empresa, o coração acelerado. A manhã prometia ser longa; o incidente na casa dos pais de George ainda a deixava nervosa e envergonhada.
No escritório, colocou seus pertences sobre a mesa e iniciou as tarefas. O tempo parecia passar lentamente, até que George entrou, aproximando-se de sua mesa.
— Bom dia, precisa de algo? — perguntou, tentando soar natural.
— Não, apenas queria ver como você estava — disse George, observando-a atentamente.
— Estou bem, obrigada — respondeu, evitando contato visual.
— Tem certeza? Se ainda estiver mal, pode falar — insistiu ele, a voz firme, mas não agressiva.
— Agradeço a preocupação, mas estou bem — disse, forçando um leve sorriso.
— Tudo bem, se precisar conversar, sabe onde me encontrar — comentou, antes de se afastar.
O restante da manhã passou lentamente, até o horário de almoço. Alessa retirou-se do escritório e, ao caminhar para o elevador, recebeu uma mensagem de George pedindo que fosse até seu escritório.
— Com licença — disse, entrando. — Precisa de algo?
— Sente-se, por favor — respondeu ele, gesticulando para a cadeira à sua frente.
Ela se aproximou e sentou-se, o coração batendo mais rápido.
— Chamei você aqui para informar que amanhã precisarei ir a Londres e quero que venha comigo.
— Eu? — perguntou, surpresa.
— Sim. Você é minha secretária e precisarei da sua ajuda caso surja algum imprevisto.
— Tudo bem. Que horas partimos? — indagou, tentando manter a calma.
— Assim que você chegar, partiremos — respondeu George.
— Certo, não me atrasarei. Quanto tempo ficaremos lá? — perguntou ela, ansiosa.
— Três ou quatro dias, vai depender — disse ele.
— Tudo bem — respondeu, resignada.
— Ótimo. Pode ir almoçar — finalizou, dando por encerrada a conversa.
Após o almoço, Alessa retornou à empresa, dirigindo-se ao seu escritório e retomando as tarefas. Apesar do ambiente familiar, a ansiedade pela viagem a Londres a deixava inquieta. A preocupação com os irmãos, que ficariam sozinhos, pesava sobre seus pensamentos.
Ao terminar o turno, recolheu seus pertences e dirigiu-se ao elevador. George entrou logo em seguida.
— Posso levá-la para casa — ofereceu.
— Não precisa, posso ir a pé — respondeu, hesitante.
— Certeza? Posso realmente levá-la — insistiu.
— Não precisa mesmo, obrigada — disse ela, firme.
— Tudo bem, nos vemos amanhã então. Não se atrase.
— Serei pontual — garantiu, despedindo-se.
Ao chegar ao apartamento, foi recebida pelos irmãos.
— Boa noite — cumprimentou Martín, sentado no sofá.
— Boa noite, querido — respondeu, sorrindo levemente.
— Como foi hoje? — indagou David, curioso.
— Tranquilo. Amanhã terei que ir a Londres com George — disse, tentando soar casual.
— O que? — exclamou Leonor, surpresa — Por quê?
— Porque sou secretária de George e preciso ajudá-lo caso seja necessário — explicou.
— E quanto tempo ficará lá? — perguntou David.
— Três ou quatro dias, depende — respondeu, suspirando.
— Quase uma semana? — indagou Martín, incrédulo.
— Podem relaxar, talvez sejam apenas dois dias — disse, tentando tranquilizá-los.
— Tudo bem — disse Leonor, resignada.
— Não precisam se preocupar. Os dias passarão rápido, e podem sempre falar com David — garantiu.
— Eu estarei aqui com vocês — acrescentou, tentando acalmar a todos.
Ao se recolher para o quarto, trocou de roupa e deitou-se, pegando o celular. Uma mensagem de George perguntando se estava bem a fez sorrir levemente antes de desligar e voltar a se acomodar.
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O Chefe
RomanceAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
