Alessa encontrava-se no quarto iluminado pela luz fraca do abajur, preparando-se para o velório com movimentos lentos e mecânicos. Ela vestia um vestido preto simples, com os cabelos presos em um coque baixo, e o espelho refletindo olhos inchados de choro noturno. O ar cheirava a lavanda do perfume que Olívia usava, um frasco que Alessa trouxera do apartamento da tia, como se pudesse mantê-la por perto.
— Está pronta? — perguntou Leonor, abrindo a porta devagar, vestida de cinza escuro, o rosto pálido mas composto.
— Não, mas tenho que estar, não é? — respondeu Alessa, virando-se com um suspiro, as mãos tremendo ao ajustar o colar.
Leonor adentrou o quarto e caminhou até ela, dando um abraço apertado, o calor do corpo da irmã como âncora.
— Eu sei o quão mal você está se sentindo por dentro — murmurou Leonor, afagando as costas de Alessa. — Eu também estou, todos nós estamos destruídos.
— É um dia difícil, um dos piores — respondeu Alessa com os olhos marejados, retribuindo o abraço antes de se afastar.
— Continue sendo forte, por ela — incentivou Leonor, enxugando uma lágrima própria.
— Eu continuarei, ou apenas tentarei o meu melhor — sussurrou Alessa, forçando um sorriso fraco.
Elas se retiraram do quarto de mãos dadas e deixaram o apartamento silencioso, descendo pelo elevador até a rua. Pegaram um táxi na calçada movimentada e seguiram ao funeral na capela pequena do cemitério, com o céu nublado ameaçando chuva, o ar úmido e pesado. Ao chegarem, entraram pela porta lateral, com o cheiro de flores frescas e velas acesas preenchendo o ambiente sombrio. Dirigiram-se ao caixão aberto no centro, rodeado de arranjos brancos, e Alessa se aproximou de Olívia, acariciando sua cabeça fria com gentileza, os cabelos grisalhos arrumados perfeitamente.
— Ela parece tranquila, como se estivesse apenas dormindo — observou Márcia, ao lado, a voz baixa.
— Sim, ela parece em paz total — concordou David, tocando o braço da tia.
— Como o senhor está, pai? — perguntou Alessa, virando-se para Luís na cadeira de rodas.
— Estou melhor fisicamente, especialmente sabendo que Olívia partiu em paz e que agora está descansando sem dor — respondeu Luís, com os olhos úmidos mas firmes.
— Isso também me consola um pouco, pai — murmurou Alessa, apertando a mão dele.
Pouco tempo depois, George chegou pela porta principal, vestindo terno escuro, com o rosto sério mas carinhoso ao avistá-la.
— Oi, como você está aguentando? — perguntou George, abraçando-a com força no canto da capela.
— Triste, o coração partido, mas bem ao seu lado — respondeu Alessa, aninhando-se no peito dele.
— Espero que sim, um passo de cada vez. Como estão os outros da família? — indagou George, olhando ao redor.
— Estão bem também, claro que ainda dói saber que Olívia se foi para sempre, mas já estamos um pouco melhor, processando — explicou Alessa.
— Entendo perfeitamente, a dor é assim — ponderou George.
— Como estão seus pais? — perguntou Alessa, mudando de foco.
— Estão bem, ambos estão começando a aceitar melhor a partida de Liam, com a terapia ajudando — respondeu George. — Mas como você está de verdade, além da tristeza?
— Você sabe, a perda dói como uma faca, mas estou melhor, assim como você com o tempo — confessou Alessa.
— Entendo. Depois daqui terei que buscar os gatos da minha tia e trazê-los para casa — disse Alessa, olhando o caixão.
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O Chefe
Roman d'amourAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
