go ahead and cry little boy

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Opa. Choros de novo.

Mal fazia frequentemente isso agora.

Vivia apavorada agora porque a filha começava a discordar dela, e muitas vezes o que estudou sobre educação positiva falhava porque Mal sempre teve um comportamento explosivo.

Ellie tinha um diagnóstico de transtorno de espectro autista, magia e cinco aninhos de idade.

Ela devia ter notado. Devia ter visto que a inteligência da filha vinha de algum lugar, que a dificuldade dela em socializar ou ao menos falar com outras pessoas vinha de algo interno. Mal sempre achou que a filha era inteligente e tímida, nunca pensou que o pediatra pediria para fazerem mais exames.

Ben já tinha dito que não era o fim do mundo.

Ellie era uma boa menina e não deixaria de ser a filhinha dócil e perfeitinha deles por conta de um diagnóstico qualquer. O diagnóstico só fazia com que entendessem ela melhor, com que dessem o apoio caso ela precisasse e que tivessem mais paciência.

O rei já tinha visto muitas coisas estereotipadas do diagnóstico da filha no comportamento da esposa, mas deixou isso para lá. Talvez os comportamentos de Mal fossem apenas pelas infância péssima, e caso tivesse algo mesmo passaria a se odiar ainda mais.

Mas não era exatamente por isso que a garota da ilha estava chorando agora.

Quer dizer, era. Em partes.

Tinha feito um teste de gravidez pela manhã apenas para aliviar a consciência, acreditando que não estava gestando um novo filho e para sua surpresa, seu resultado foi positivo.

Ficou feliz apesar de tudo. Teriam uma nova criança.

Então Ellie fez birra. Mal explodiu e gritou com a menina.

Não fez por mal mas... se sentia a pior mãe do mundo.

Como poderia trazer outra criança ao mundo se gritava com a que já tinha?

Amava Ellie incondicionalmente. Adorava carinhos, beijinhos e qualquer coisa que viesse dela, inclusive seus desenhos abstratos - tinha uma pasta com todos eles. Mesmo assim, qualquer vez que a criança pressionasse ela por algo, Mal explodia e implorava desculpas depois.

Estava cansada de fazer isso, mas nunca conseguia evitar. Quando via já tinha feito a doce menininha chorar e sempre se ajoelhava para colocar ela no colo e pedir desculpas.

Mas lá estava ela dessa vez, deitada na banheira cheia de água quente. Tarde da noite.

Ellie já dormia há horas, sem querer falar com ela.

Ben ainda não tinha chegado e ela não podia evitar se colocar para baixo. Droga, está se sentindo igualmente terrível a sua própria mãe.

Não podia depositar aquele problema na cabeça cansada do marido, era demais para ele.

Bela estava doente, internada no hospital há dias sem qualquer diagnóstico. Adam fugiu depois, sem sequer se importar com ela e ninguém sabe onde se enfiou. Novos alunos da ilha viriam em breve. Ele estava criando a filha também - talvez fosse por isso que agora ela preferia ele, já que era sempre paciente e gentil - não deveria ter que cuidar dos dramas da esposa, afinal, ela era adulta.

Lide com isso, Mal. Você está cavando a própria cova.

Tocou o ventre liso por debaixo da água, soluçando. Não podia falhar. Se falhasse, bom, perderia tudo. Ben deixaria de ama-la. Perderia a filha que era seu bem mais valioso. Seus amigos. Sua casa que agora era Auradon. Talvez fosse até exilada na ilha.

—Mal... eu posso entrar?—A voz doce de Ben soou, fazendo ela se sentar na banheira, secando as lágrimas.

Ben era respeitoso e acima de tudo paciente. Mal tinha sim a tendência de explodir, mas porque explodiam com ela. Mal tinha a tendência de chorar porque muitas vezes reprimiram seu choro. Mas Mal tinha tendência a pedir conforto, porque Ben foi o único que já cedeu.

going crazy - História malenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora