white balloons

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—Eu odeio você. Odeio.—Austin esperneou no chão, jogando longe a xícara de brinquedo.

Agora com três aninhos e Ellie tendo nove, eles não pareciam ser tão ligados, e apesar de sempre tentarem brincar juntos, acabava que discutiam e Austin sempre ficava chateado.

Ou chorando.

Como fazia agora.

Ellie se afastou automaticamente, caminhando com desdém para seu quarto. Não era problema dela que seu irmão queria tudo do jeito dele. Não era de seu interesse.

Mas Mal se ajoelhou em frente ao menino enquanto ele soluçava e o puxou para os braços.

Ele se debateu com raiva, berrando que odiava a menina porque ela nunca era legal com ele, mas... bom, Mal estudava muito sobre o comportamento infantil. Querendo ou não, Austin era só uma criança lidando com frustrações e chorar era o único jeito que ele sabia. Colocar aquilo para fora era importante e ela sabia que só precisava acolhe-lo para ele saber que todos choram as vezes. Que é normal. Não gritar com ele e reprimir seus sentimentos, estava tentando ser melhor como mãe.

—Ei, shii... tudo bem, meu amor.—Ela sussurrou quando ele estava só soluçando, não mais se debatendo ou berrando.

—Ela nunca é legal comigo, mamãe.—Contou ele, se agarrando na camisa da garota enquanto se acolhia nos braços de sua protetora, se aconchegando no abraço gentil.—Eu fico triste.

Os dedos ágeis e abilidosos da mãe acariciaram os fios ruivos do garotinho, deixando com que ele controlasse a respiração ao se acalmar.

Com seus vinte e oito anos, Mal já tinha tido experiência suficiente para saber lidar com as frustrações. Ben sempre estava lá para garantir que ficasse bem, até porque ele era toda sua rede de apoio. E queria muito que seus filhos pudessem se entender, mas parecia que a distância de idade entre eles era algo complicado.

Se levantou com o garotinho nos braços, balançando ele para que dormisse. Já era quase nove da noite e ele provavelmente estava cansado, ainda mais depois de uma tarde toda jogando bola com o pai.

Ben só pegava turnos de algumas horas na manhã e algumas a noite agora. Tudo isso para garantir que ela não ficaria sobrecarregada. De manhã saia cedo e trabalhava até meio dia, passava o dia com a família e voltava ao trabalho as sete da noite, ficando lá até as dez. E por isso agora tinha mais tempo para as crianças e até mesmo para a esposa.

—Olha, você quer... ajudar a mamãe com algo legal?—Ela questionou.

—O que é?

—Hoje é aniversário do papai, lembra?

—Sim, a gente cantou parabéns de manhã!—Sorriu animado, fungando para esconder o choro anterior, mesmo que seus olhinhos verdes estivessem brilhando com lágrimas ainda e suas sardinhas no nariz estivessem acompanhando o tom avermelhado de sua pele.

—Eu tenho um presente muito especial para ele. Está aqui no meu bolso e... a gente só tem que deixar mais especial. O que acha?—A garota da ilha sorriu, olhando o garotinho no rosto enquanto ele considerava.

—Eu posso ver?

Ela o colocou no chão, e se abaixou em frente à ele, colocando a mão no bolso e retirando de lá um pequeno objeto fino e branco.

—Um 'termotro?'

—Não é um termômetro.—Resmungou a mulher.—Isso aqui fala que a mamãe tem um bebê na barriga.

—E você tem?

—Sim.—Sorriu.

—E como ele entrou aí?—Ele ergueu uma sobrancelha, pegando o objeto e tateando seus dois riscos vermelhos.

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