Cookies and ice cream

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Estava nevando. Exatamente como no dia que enterraram o corpo de Dante. O caixão estava fechado porque o corpo estava roxo, parte do início da decomposição, parte de frio.

Já fazia quase três meses, mas Mal não podia evitar se chatear. Nos meses anteriores, tinha passado os dias todos na cama. Comia pouco, ia apenas ao banheiro para necessidades e higiene, nem tinha energia para passar tempo com os filhos e o marido. Naquela manhã, ele decidiu que seria diferente. Até quando ela ficaria deprimida? Ele estava imensamente triste, mas não podia deixar os filhos sem apoio. Ele amava Dante mas precisava aprender a viver no mundo sem ele, como fazia antes dele existir. E tudo o que a família mais precisava no momento era que Mal ficasse bem.

— Oi, meu amor.—Sussurrou Ben, agarrando a esposa por trás.— Vamos sair hoje?

—Ah... n-n-não, Benni. Não... não estou no clima, vou acabar sendo uma companhia ruim.—Ela suspirou, encarando a janela.

Estava nevando.

Neve.

Caixão.

Dante.

E Benjamin a abraçando pelas costas.

—Sei que está frio, mas nós podíamos... não sei, a gente pode ir na sorveteria e tomar o sorvete de caramelo que você gosta.—Disse ele.—Podemos assar biscoitos de tarde e... vamos procurar um filme para assistir. No cinema. O que acha? Eu, você e as crianças.

—Não quero sair hoje.—Ela se virou, os olhos vítreos encarando o marido, cheios de lágrimas.—Quero ficar sozinha hoje. Pode... pode me dar espaço?

—Mal, eu...

—Ben, por favor... você sabe que não estou bem.

—Sei. Por Dante. Eu também não estou lá essas coisas, Mal, mas nós temos três filhos para criar.

—Eu tinha cinco filhos, Ben. E agora tenho três...

—Bom, eu vou sair então. V-v-vou levar as crianças no parque.—Gaguejou o homem, ajeitando um grande casaco para se proteger do frio.—Eles são seus filhos também, mesmo que tenha se esquecido deles.

—Vocês... quando voltam?—Seus olhos transpareciam dor.

Ele queria ficar.

Queria abraça-la.

Queria beija-la e tirar cada pontinha de dor dela.

Queria ser suficiente para ela esquecer o passado, mas sabia que o luto por um filho seria eterno.

—Amanhã. Voltamos amanhã.

—Onde vão dormir?

—Em um hotel, não sei. Vai ser divertido para eles, vão estar aquecidos e você vai ter seu espaço longe de nós.—O homem deu de ombros, se virando para sair do quarto.

—B-b-b-ben! Volta. Por favor... não... não vai embora. Não me deixa aqui.—Mal sussurrou, ajeitando os cachos atrás das orelhas.

Tinha medo dele ir, levar os filhos e não voltar mais. Não seria a primeira vez que alguém a abandonaria.

Ele estaria levando Austin, Diana, Charlotte e o último pedaço que restou de seu coração.

—Você pediu espaço e não quer sair. Eu não posso ficar aqui dentro de luto para sempre. Ele não ia querer isso: que os irmãos fiquem sem os pais.

—Ben!—Ela berrou, lágrimas finalmente caindo de seu rosto enquanto ela se levantava para brigar com ele no corredor.

—Me deixa ir, beleza? Eu vou voltar. Só...—Ele ergueu um par de luvas rosas, pequeninas.—Diana está lá embaixo. Já chamou por você várias vezes e eu disse que estava doente. Lottie está empilhando bloquinhos, já comeu bananinha amassada. Eu não quero ela sozinha, não quero que sinta sua falta. Nós vamos nos divertir e vamos voltar amanhã quando estiver disposta a estar com a gente.

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⏰ Última atualização: Aug 22, 2024 ⏰

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