—Mandou me chamar?—Hades sorriu de canto no dia seguinte, entrando no escritório do rei onde guardas estavam a postos na porta.
—Deixem-nos.—Ben deu sinal para que os guardas saíssem e se levantou, contornando a mesa para ficar frente a frente com o homem.—Como você teve coragem?
—Não sei do que você está falando.
—Caralho!—Gritou o menino, se enfurecendo com o quanto o mais felho permanecia cínico em em frente à ele.—Não se faça de idiota!
—Eu não sei do que você está falando!—O Deus devolveu.—O que porra aconteceu?!
—Cara, você teve coragem de abandonar uma criança para fome e maus tratos por anos seguidos. E ela ainda permitiu você voltar para a vida dela e a cada alguns meses você decide foder com a porra da nossa vida?! Você é um imbecil!—Berrou o rei para o sogro.—Como pode falar para ela que eu a mandaria de volta?!
—Ela já foi choramingar para você. Que infantil da parte dela.
—Vai se foder. Beleza?—Disse.—Eu quero vocês fora. Pessoas que não respeitam a rainha não são bem vindas no castelo, e por isso você pode ir embora e levar Jacque com você.
—E para onde eu iria? Você ficou doido?—Hades ergueu a voz, chutando o pé da poltrona.
—Isso não é problema meu. Volte para a ilha, faça o que quiser, você não é um grande adulto? Se vira!—Insistiu Benjamin.—Doido é você que pensa que ia gritar com a minha esposa na minha casa e a gente ia seguir como se nada tivesse acontecido. Ela não veio choramingar para mim não, ela estava chateada por isso.
—Chateada? Você esquece que ela tem trinta anos?
—Vinte e oito.
—E faz tanta diferença assim? Vinte e oito anos e tudo deixa ela magoadinha e faz ela chorar.
—Quem sabe se você tivesse tentado ser pai para ela, ela tivesse um psicológico melhor, não é? Cretino.—Deu de ombros, voltando ao seu lugar atrás da mesa.—Dou até o por do sol para irem embora. Se não os guardas vão invadir, colocar vocês para fora a força e eu vou jogar as tralhas lá de dentro no lixo.
—Você esquece com quem está mexendo.
—Você quem esquece com quem está mexendo.
Paciência, Ben.
Respire.
Um.
Dois.
Três.
—Faça a coisa certa e vá embora. Okay? Já magoou ela demais, não acha?—Murmurou o rei.—Por favor, ela tá feliz agora. Tá pensando em voltar para a faculdade, temos nossos filhos, não tem problemas em casa. Não estraga tudo de novo.
—Eu... eu queria que pudéssemos ser uma família.—O homem suspirou.—Achei que ela gostava que eu estivesse próximo ou que estivesse tentando ser bom para o meu moleque-
—Ela gostava de você sendo pai dela. De você estar aqui e aceitando o jeito que a gente vivia. Apoiando ela.—Insistiu Ben.—E chega, não somos família. Minha família é minha esposa e meus filhos tão somente. Para ela acredito que é o mesmo.
—E quem é você para falar sobre os sentimentos dela?
—A porra do marido.—Berrou, pouco antes de receber o primeiro soco.
(...)
—Você é um otário.—Mal resmungou, embebedando o algodão no álcool.
—Foi ele quem começou.
—Ótimo, um otário infantil.—Ela riu, colocando o algodão sobre o corte na testa do marido.—Você teve sorte, podia ter se machucado mais.
—Quebrei o nariz dele.—Ben deu um sorriso perverso.—E coloquei ele para fora.
—Sim. Ele provavelmente quebrou o seu também.—Apertou o nariz do rapaz, fazendo ele gemer de dor.—Nós vamos ao pronto socorro.
—Ah, não! Mal, hoje é noite de lua cheia.—Resmungou.
—Idai?—Ela deu de ombros, fazendo atenciosamente um curativo com gases em seu rosto.—Ben, não sei qual o estado do seu nariz, okay? Não quero que piore.
—Não vai. Só não posso virar fera no meio do hospital.
A mulher se sentou, suspirando. Fechou os olhos com força e quando os abriu, eles brilhavam em um verde esmeralda desgostoso. Suas mãos tocaram delicadamente o rosto dele, enquanto o homem sentia arrepios por sua pele como se uma corrente elétrica os atravessasse.
Por fim, ela se ergueu, bocejando.
—Novinho em folha.
—Você arrumou meu nariz?—Os olhos dele encontraram os dela de forma gentil e o homem sorriu docemente.
—Sim. E agora estou cansada.—Suspirou.—Essa porcaria deveria funcionar sem um preço.
Deu as costas, caminhando até o quarto para se acolher entre as cobertas.
Ao entardecer, quando Ben, Austin e Ellie sentiram as transformações que seus corpos passavam no começo das luas cheias, os três adentraram o quarto junto a ela.
Pareciam uma pequena matilha: Ben era o mais velho, maior. Ellie era uma ferinha novato e seu irmão era menor ainda.
Mal resmungava de dor em seu cochilo, mas isso não impediu que Austin se acolhesse como um cachorro em uma bolinha sobre ela. Ellie ao lado da mãe e o pai do outro lado dela. Todos a protegendo como um bem valioso. Como se ela fosse o núcleo da pequena matilha.
Se virando para o lado, acolhendo os filhos mesmo que duas ferinhas estivessem fazendo a festa ali dentro, Mal abraçou o marido e se acolheu entre os pelos dos filhos logo atrás, se sentindo segura quando ele tocou seu ventre e cuidou dela exatamente como ela fez com ele mais cedo.
Mal tinha o dom da cura e por isso pôde cura-lo.
Mas Ben tinha o poder do amor e podia acalmar os filhos até mesmo no ventre. Podia proteger a esposa de tudo, inclusive dos problemas que a magia causava na vida deles.
—Eu amo vocês.—Ela sussurrou, recebendo ronronados em resposta assim que fez com que suas asas aparecessem, acolhendo-os como uma coberta.
(...)
No mês seguinte o casal permitiu com que os filhos os acompanhassem ao exame de ultrassonografia para acompanhar a gestação. Logo no começo da manhã, a família se colocou no hospital, pronta para qualquer informação.
—Opa, olhem só...—A médica sorriu, indicando uma bolinha na tela, ao lado de outra.
—O que é isso?—Austin perguntou, no canto da sala parcialmente escura, ao lado de Ellie e dos pais. Mal deitada sobre a maca.
—Bom, aqui temos um bebê...—Ela apontou para uma bolinha, mas logo se direcionou à outra.—, e aqui temos outro.
—A mamãe comeu dois bebês?—O menino voltou a falar, fazendo Ellie beliscar seu braço.
—Fique quieto! Mamãe não comeu ninguém!
—Chega. Sem brigas aqui.—Ben resmungou, segurando a mão da esposa.—Acha que...
—Acho não, tenho certeza.—Disse a doutora.—Meus parabéns, vossas majestades, acabaram de receber mais dois membros para a família real. Vocês terão gêmeos. Um pouco menores do que deveriam estar, mas aparentemente tudo bem. Se alimente melhor.
O casal se entreolhou e sorriu. Teriam dois bebês adoráveis, cada um com seu jeitinho porque sequer estavam na mesma bolsa. Eram gêmeos porém eram diferentes. E isso deixaria tudo ainda mais especial.
—Por isso que eu não paro de vomitar.—Mal declarou, se sentando.
—Enjoos são comuns mesmo.—A médica murmurou, desligando o aparelho.—Tenha cuidado com o uso da insulina, ouviu? Continue usando, mas fique ainda mais atenta ao nível dela no seu sangue.
—Vamos tomar cuidado.—Ben sorriu, a mão na máquina que imprimia o exame. A foto de seus bebezinhos aparecendo aos poucos.
(...)
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going crazy - História malen
Fiksi PenggemarEnlouquecendo. Era assim que Mal se sentia desde que noivou o rei de Auradon. Mas seria essa uma coisa ruim? *não há mevie aqui* (postada também no Spirit)
