Capítulo 45 - Cartas de Perdão e Abraços Tardios

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No campo decorado para o casamento, Liam estava sentado ao lado de Violeta, observando a multidão inquieta. De repente, avistou George correndo para longe do altar, com o rosto pálido e determinado. Em um tom baixo, inclinou-se para Violeta e avisou:

— Olhe para lá.

Violeta seguiu o olhar dele, franzindo a testa. — O que está havendo? — indagou, com preocupação.

— Não sei — respondeu Liam, levantando-se. — Mas irei descobrir. Vem junto?

— Logo atrás de você — confirmou Violeta, erguendo-se rapidamente.

Eles se levantaram e se dirigiram à porta do casarão, subindo as escadas com passos apressados até o quarto onde Alessa se preparava. Ao chegarem, pararam à porta, ouvindo vozes abafadas.

— O que houve? — perguntou Liam, com urgência, empurrando a porta entreaberta.

— Não terá mais casamento! — respondeu George, com a voz rouca e os olhos vermelhos de frustração.

— O que aconteceu? — indagou Violeta, aproximando-se, com os olhos arregalados.

— Alessa se aborreceu por ter se encontrado com o pai — explicou George, esfregando a nuca, com o terno agora amarrotado.

Liam franziu a testa, confuso. — O pai dela não havia morrido? — perguntou, inclinando a cabeça.

— Não, ele está vivo — disse George, com um suspiro pesado. — Alessa apenas mentiu.

Violeta e Liam se entreolharam, intrigados, e se afastaram do quarto, descendo o corredor. Liam interrompeu os passos abruptamente.

— Você viu Rafael? — perguntou, com suspeita.

— Não — respondeu Violeta, balançando a cabeça. — Será que ele está com Alessa?

— Não sei — murmurou Liam, com o olhar distante. — Mas é uma possibilidade.

[...]

Antes de chamar um táxi, Alessa, ainda vestida de noiva, mas com o véu abandonado no chão, enviou uma mensagem urgente para Rafael: "Preciso de ajuda. Manda seu endereço." Ele respondeu rapidamente, e ela pediu que se encontrassem perto da casa dele, evitando olhares curiosos. O táxi a levou até um ponto discreto, onde ela desceu e esperou, com o coração ainda disparado pela raiva e pela dor.

Após algum tempo, Rafael chegou de carro, abriu a porta do passageiro e ela entrou rapidamente. Dirigiram-se à sala da casa dele, um espaço simples e acolhedor, e se sentaram no sofá, o silêncio pesado.

— Agradeço muito pela ajuda — disse Alessa, com a voz trêmula, tirando os sapatos altos para aliviar os pés.

— Não precisa agradecer, Alessa — respondeu Rafael, com gentileza, oferecendo um copo d'água. — Está tudo bem. Mas o que houve lá em cima?

Alessa respirou fundo, com as lágrimas ameaçando voltar. — Meu irmão trouxe meu "pai" para uma conversa — explicou, com amargura. — Porém não tínhamos uma boa relação, então foi a partir desse momento que tudo começou a desandar.

— Sinto muito, Alessa — disse Rafael, com empatia, tocando o braço dela. — Infelizmente o casamento se tornou um pesadelo para você.

— Infelizmente — concordou Alessa, com um suspiro. — Foi um erro meu irmão pensar que trazer Luís para conversar comigo seria uma boa ideia.

— Entendo — murmurou Rafael. — Mas agora que você está longe de toda aquela situação, tente se acalmar. Se desejar, pode ir ao meu quarto descansar um pouco.

O ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora