Amélia estava sentada na sua mesa, com Brian, do Chalé Verde, sentado em uma cadeira do outro lado. Os dois estavam conversando quando entrei, mas ficaram em silêncio e olharam na minha direção ao mesmo tempo, com um misto de reações que ia de surpresa a confusão.
—Zaia, onde você estava? —Amélia questionou, me olhando de cima a baixo, já que eu estava suja de grama até os cabelos. Tentei não pensar no fato de que deveria estar fedendo, já que tinha dormido grudada em Misty. Precisava urgentemente de um banho, antes de pensar em sair do chalé de novo.
—Eu vou procurar por Ágatha. —Falei, de uma vez, porque tinha ido ali com uma decisão tomada.
—Como assim vai procurar por Ágatha? —Amélia olhou para Brian, como se esperasse que ele dissesse que ela tinha entendido errado, antes de ficar de pé. —Zaia, eu sei que você está se sentindo sobrecarregada e culpada pelas coisas que estão acontecendo. Mas não se como ir atrás de Ágatha pode te ajudar de alguma forma.
—Não é culpa minha, mas as coisas seriam diferentes se eu controlasse a água. —Afirmei, vendo-a hesitar em rebater, porque sabia que eu estava falando a verdade.
—Acha que vai encontrar um meio de despertar o poder dentro de você? —Brian indagou, me fazendo pensar por um momento, porque não tinha certeza do que estava procurando de fato. Meus poderes ou o motivo de eles não terem acordado ainda.
—Eu não sei, mas eu preciso tentar. —Olhei para Amélia, sentindo tanta confiança nas minhas palavras. Da última vez sai em busca da profecia e a encontrei. Posso conseguir de novo. —Ágatha estava procurando por respostas, mas sumiu. Eu posso ir atrás dela. Você me disse que a última vez que ela foi vista foi na Cidade das Estrelas. Eu posso ir até lá e tentar encontrá-la. Ágatha precisa voltar. Você precisa dela aqui e eu posso ir atrás das minhas próprias respostas.
—É perigoso demais, Zaia. —Amélia ponderou as palavras, parecendo preocupada. —Você é importante demais, não posso deixar você correr riscos. Raven está escondido sabe-se lá onde. Ele pode tentar leva-la de novo.
Raven realmente poderia tentar. Mas da outra vez eu estava confusa e até mesmo desesperada depois de saber sobre a profecia. Agora eu tinha Misty. Aonde eu for, ela vai. Minha sombra. Minha guardiã. Posso não ter poderes, mas sei que ela vai me proteger se for necessário.
—Essa missão nunca foi de Ágatha, sempre foi minha, Amélia. —Insisti, sabendo que ela não conseguiria me fazer mudar de ideia.. —Você precisa de todos os guerreiros possíveis para ajudar contra os ataques. Ágatha é uma excelente guerreira e faz falta ao chalé. E eu preciso achar meu poder elemental. Nós precisamos dele. Sabe disso tanto quanto eu.
Amélia pensou nas minhas palavras, me observando como se nunca tivesse me visto antes. Meu coração estava martelando no meu peito, porque nós duas já passamos por um momento parecido com esse e nós duas nos lembrávamos do que aconteceu.
—Eu já tentei te impedir uma vez, Zaia. —Amélia deu a volta na mesa, se aproximando de mim com cautela, antes de colocar a mão no meu ombro. —E deu muito errado. Não vou fazer isso de novo. Não vou prende-la aqui mais uma vez.
—Isso é um sim? —Indaguei, olhando na direção de Brian, pra ter certeza de que ele tinha ouvido o mesmo que eu. Brian estava com um sorriso contido nos lábios e piscou pra mim, como se me desejasse boa sorte.
—Se é isso que quer fazer, então é um sim. Apenas tome cuidado.
—Eu prometo. —Afirmei, soltando o ar com força, porque em nenhum momento achei que Amélia chegaria a concordar ou me dar sua permissão, mesmo que eu tivesse a intenção de ir de qualquer forma.
—Vai sozinha? —Brian questionou, e eu confirmei com a cabeça sem nem hesitar. —E os seus amigos?
Fiquei sem saber o que dizer, lembrando das palavras de Percy, de que fugiria em um dragão comigo de novo se fosse preciso. Ele era meu melhor amigo, assim como Ayla. Mas ele tinha começado sua nova vida no Acampamento Vertical e Ayla estava começando a sua aqui. Eu não podia pedir para que viessem comigo. Não seria justo.
Mia já tinha passado por coisas de mais, indo parar na Floresta Noturna. Eu não podia arrasta-la pro meio de mais confusão ainda, quando não fazia ideia do que ia encontrar pelo caminho. Margo agora era uma elemental. Ela tinha suas próprias questões para resolver. Além do seu dragão ainda ser só um bebê.
—Não vou envolver nenhum deles nos meus problemas de novo. Eles têm suas vidas aqui. Seu propósito. —Falei, engolindo o nó que havia se formado na minha garganta, porque me recusava a pensar em Sky. Não poderia partir com nossa história mal resolvida, então coloquei um ponto final nela, sabendo que seria o melhor pra nos dois;
—E você precisa encontrar o seu proposito. —Brian afirmou, como se me entendesse, e eu confirmei com a cabeça, mesmo que a ideia de ir sem nenhum deles me machucasse. Mas era o melhor. Eu sabia que era.
—Zaia? —Amélia respirou fundo e me encarou, como se estivesse controlando as próprias emoções. —O que quer que aconteça nessa sua jornada, não pense em nós e não se preocupe. Faça o que tiver que fazer sem olhar para trás. Esqueça que os ataques estão acontecendo se for necessário. Apenas cuide de si mesma.
[...]
Tinha arrumado uma bolsa de viagem assim que deixei o escritório de Amélia, antes de me enfiar dentro de uma banheira para me lavar. Demorei tempo o suficiente, tentando não pensar no que estava prestes a fazer. Quando voltei para o meu quarto, pronta para ir embora, encontrei uma caixinha de madeira pequena sobre minha bolsa, assim como uma carta.
A carta estava com o nome de Margo, enquanto a caixinha possuía um cartão em nome de Brice, a bruxa da lua. Ela estava me desejando boa sorte, como se soubesse desde o inicio o que eu iria fazer. É claro que ela sabia, apesar de me incomodar um pouco o fato de ela ter estado no meu quarto para deixar aquilo. Ou mandado alguém no seu nome.
Abri a caixa e encarei a pequena sereia de madeira que havia chamado minha atenção aquele dia na loja. A joguei dentro da caixa e enfiei na minha bolsa, não querendo pensar se aquela era mais uma pista de Brice sobre o meu futuro. Encarei a carta de Margo, antes de guarda-la nas minhas coisas também. O que quer que ela tivesse escrito ali, eu sabia que não estava pronta para ler.
Peguei o mapa de Falésia e observei o caminho até a Cidade das Estrelas, antes de enrola-lo e guarda-lo no bolso de dentro da minha jaqueta. Peguei minha espada e a prendi na cintura, antes de jogar a bolsa sobre o ombro e deixar meu quarto. Misty estava no gramado em frente ao Chalé Azul, já me esperando. Animação emanava dela, como se estivesse ansiosa pra explorar o mundo ao meu lado.
—Pronta, garota? —Indaguei, abrindo um sorriso quando Misty se abaixou para que eu subisse nela. Ajeitei minha bolsa para que ela não caísse no caminho, antes de dar uma boa olhada para o chalé ao redor. Nenhum dos guerreiros pareceu se dar conta de que eu estava saindo e eu gostaria de ver a reação de todos eles quando soubesse. Se iam me considerar uma tola ou qualquer outra coisa pior.
Subi em Misty, sem ter a intenção de olhar pra trás. Precisava encontrar Ágatha e ir atrás do que me pertencia.
Continua...
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As Crônicas de Scott: A Guerra / Vol. 2
Viễn tưởngLIVRO2 (AS CRÔNICAS DE SCOTT) Zaia Scott aprendeu da pior maneira possível que não se pode confiar em todos que estão a sua volta. Após a traição de Raven e da sua derrota para os elementais, Zaia sabe que precisa descobrir o quanto antes quem são o...