Capítulo 21: Vou precisar da sua ajuda.

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Houve um momento de silêncio constrangedor, enquanto nos três trocávamos olhares, esperando para ver quem iria falar alguma coisa primeiro. Meu rosto estava quente, porque aquele não era o melhor momento para eu conhecer outro guerreiro nível um.

—Desculpem, eu não queria atrapalhar. —Daniel finalmente falou, parecendo se dar conta de que tinha sido ele a entrar ali do nada. —Só tinha vindo checar como você estava.

—Você chegou em uma boa hora, Daniel. Zaia tinha acabado de acordar. —Ágatha afirmou, abrindo um sorrisinho sarcástico, enquanto eu lançava a ela um olhar afiado.

—Foi uma queda e tanto a sua. Fiquei com medo de não chegarmos a tempo. —Daniel abriu um sorriso hesitante pra mim, enquanto eu evitava soltar uma careta da expressão curiosa nos olhos de Ágatha, observando nos dois.

—Não é a primeira vez que eu quase morro.

—É eu sei. Sua aventura na Floresta Noturna já se espalhou por Falésia. —Daniel falou, me fazendo torcer os lábios de leve, porque eu não daria o nome de aventura para o que eu passei naquela floresta. —Bem, não era dessa forma que eu esperava te conhecer. Mas é um prazer, Zaia. Sou o Daniel, filho do elemental da terra Gael.

—É um prazer conhecer você também. Eu estava procurando pela Ágatha. Não sabia que você estava aqui no Vale dos Elfos também. —Afirmei, sem esconder a surpresa no meu tom de voz.

—Eu moro aqui. —Daniel soltou uma risada quando ergui as sobrancelhas, antes de virar um pouco o rosto de lado. Os fios de cabelo loiro balançaram, revelando o formato pontudo da orelha dele.

—Você é um elfo? —Soltei, olhando para Ágatha para ter certeza de que estava vendo certo, porque tinha ouvido falar tanto de Daniel, mas nunca sobre aquele detalhe.

—Eu sou. —Confirmou, entrando na cabana e fechando a porta, antes de se escorar de forma relaxada na parede—Minha mãe é uma elfa, meu pai um humano. O sangue elfo costuma se sobressair ao humano.

—Isso é surpreendente pra mim. Não estava esperando por isso. —Afirmei, o fazendo rir e negar com a cabeça, parecendo se divertir com a minha surpresa.

—Você precisa descansar. Os Duendes estão terminando de preparar o chá e logo você estará melhor. —Daniel lançou a Ágatha um olhar demorado, como se estivesse deixando claro que ela deveria me deixar descansar também.

—Duendes? —Questionei, soltando uma risada nervosa, porque pelo visto aquele lugar revelava muito mais surpresas do que eu estava esperando.

—Tantos meses aqui e você ainda não conhece um? —A pergunta de Ágatha veio repleta de descrença e um toque de reprovação, como se eu não tivesse me esforçado o suficiente para conhecer o seu mundo. Aquilo era engraçado, já que Ágatha sempre deixou claro que não queria minha presença ali.

—Não fico passeando por Falésia, Ágatha. —Sibilei, lançando a ela um olhar firme, porque as dores no meu corpo estavam começando a me incomodar, além dos olhares cheios de sarcasmo dela.

[...]

—Deve beber tudo. —O duende me estendeu a xícara de chá e me encarou com uma expressão de impaciência, como se estivesse cuidando de uma criança. Seu corpo adulto era da metade do meu tamanho, além das orelhas serem mais longas e pontudas, como as dos elfos.

Levei a xícara ao nariz, fazendo uma careta quando o cheiro deixou meu estômago embrulhado. Hesitei em beber, encarando a caixa que o duende tinha trazido com ele, cheia de ervas que ele havia me dado, para que eu passasse nos cortes menores.

—O que é isso? —Questionei, levando minha mão até um pequena pedrinha branca que chamou minha atenção, parecendo perdida no meio daquelas ervas. Antes que eu a tocasse a mão do duende acertou em cheio a minha, em um tapa que ardeu.

As Crônicas de Scott: A Guerra / Vol. 2 Onde histórias criam vida. Descubra agora