Capítulo 59

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Já não vejo a Marly há três dias, o que é estranho

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Já não vejo a Marly há três dias, o que é estranho. A última vez que a vi, ela estava a caminho da universidade. Desde então, ela não apareceu em casa. Talvez tenha decidido passar a noite no apartamento dela e esteja a evitar-me, mas algo não me parece bem.

Depois de pensar um pouco, decido que, apesar de não ter nada a ver com isso, preciso verificar. Saio do meu escritório e caminho até ao quarto dela. Pode ser que ela esteja ali e, como eu não tenho saído muito do meu escritório, simplesmente não nos cruzamos.

Bato à porta, à espera de uma resposta, mas não ouço nada. Abro a porta, que estava fechada, mas não trancada, e vejo que a cama está feita e tudo parece organizado. No entanto, algo em cima da cama chama minha atenção, aproximo-me e vejo o seu telemóvel. Merda.

Com o coração a acelerar, corro de volta para o meu escritório e começo a rastrear o anel dela. Daquela vez em que descobri que Marly era a Quennie, instalei um localizador, só por precaução... Rápido, acesso o rastreamento e vejo que... ela está aqui? Quando aproximo mais a imagem da minha casa pelo computador, percebo que está na sala preta. Como assim?

Caminho rapidamente até à sala preta, mas sou interrompido a meio caminho.

— Onde vais com tanta pressa, Erick? — Matteo pergunta, sentado no sofá, distraído com a televisão.

— A tua irmã? — pergunto, tentando controlar a minha ansiedade.

— Ela disse que ia ficar no apartamento por alguns dias, está sobrecarregada com trabalhos da universidade. — responde, mas algo no seu tom me diz que está a mentir.

— Está bem. Vou para o ginásio. — minto, controlando a minha expressão enquanto desço as escadas em direção à sala de tortura. Como é que Marly foi ali parar? Abro a porta, que estava trancada, o que é estranho, já que nunca trancamos quando não tem ninguém lá.

Quando entro, a cena à minha frente faz o meu coração parar. Marly está no chão, cercada por uma poça de sangue. Ela está encostada à parede, que também está manchada de sangue, como se ela tivesse dado murros repetidamente. Parece fraca, exausta. Provavelmente, não comeu nada desde que foi presa aqui. Aproximo-me dela, ajoelhando-me ao seu lado.

— Marly? — chamo suavemente. Ela abre os olhos com dificuldade.

— Erick? — responde quase sem voz, um sussurro débil.

— Quem fez isto contigo? — pergunto com o meu sangue a ferver de raiva. - Quem te magoou, caralho? - Pergunto mais alto.

— Matteo... — ela respira fundo e tenta levantar-se, mas geme de dor, então a impeço de se mover. — Ele trancou-me aqui para 'salvar-me'. — diz, fazendo aspas com as mãos, apesar da fraqueza.

— Preciso tirar-te daqui. — digo com firmeza. Ela tenta protestar, mas não a deixo. Levanto-a nos braços, segurando-a com cuidado, um braço nas suas costas e o outro sob os joelhos.

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⏰ Última atualização: May 06 ⏰

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